OS BAIXOS NÍVEIS DO RESERVATÓRIO DE SERRA MESA E A QUEDA DO VOLUME DE CHUVAS EM GOIÁS

Serra Mesa

A Usina Hidrelétrica de Serra Mesa, instalada no Alto Rio Tocantins no Estado de Goiás, possui uma potência instalada de 1,785 MW e acaba de completar 20 anos de operação, Seu reservatório possui um espelho d’água que pode atingir a marca de 1.784 km², o que o coloca como o maior depósito artificial de água doce da América Latina. Possui uma capacidade nominal para armazenar 54,4 bilhões de m³ de água, porém, há muitos anos que o nível das águas não consegue chegar nem perto dessa marca. De acordo com dados do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico, a represa de Serra Mesa está hoje (28/10/2018) em 12,46%. Ao lado das represas do Rio Grande, sobre as quais falamos em postagem recente, Serra Mesa está no grupo de reservatórios com os mais baixos níveis de água armazenada de todo o sistema elétrico do país.

Todo o Centro-Oeste do país está passando por um período de forte seca nesses últimos meses e as populações da região esperam ansiosamente pela chegada de chuvas em volumes maiores e com melhor distribuição geográfica. As projeções da meteorologia, infelizmente, não são as mais animadoras – as chuvas previstas para os últimos meses deste ano ficarão abaixo da média histórica por conta da presença do fenômeno El Niño. As projeções indicam que o fenômeno climático deverá provocar áreas com chuva mais intensas nas regiões Sudeste e Sul

De acordo com estudos da SECIMA – Secretaria Estadual de Cidade, Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás, foi observada uma redução de 10% nos volumes de chuva no Estado desde 2008 – a partir de 2016, a redução foi ainda maior, chegando aos 25%. Neste período, o fenômeno El Niño  se fez presente em 4 anos, tendo  provocado redução nas chuvas em pelo menos 3 anos. Apesar dos números encontrados, os dados do estudo não permitem nenhuma conclusão sobre o assunto. Na década de 1960 também foi observado um período de 4 anos com redução contínua das chuvas no Estado, porém, as chuvas voltaram aos níveis históricos nos anos seguintes.

Entre janeiro e julho desse ano, o volume de chuvas acumulado no Estado de Goiás chegou à marca de 6.710 mm, o menor volume registrado desde de 1994, quando registrados 6.017 mm no mesmo período. Historicamente, o volume médio de chuvas nesse período é de 8.400 mm. É esse déficit hídrico que está se refletindo nas águas do reservatório de Serra Mesa e também na produção agrícola do Estado, onde afeta a produtividade das culturas de grãos e provoca atrasos no plantio de novas safras.

No último mês de março, quando o nível do reservatório de Serra Mesa apresentava um nível de 14,34%, o CNRH – Conselho Nacional de Recursos Hídricos, reduziu a vazão da usina hidrelétrica 300 m³/s para 100 m³/s, com o objetivo de recuperar o volume de água da represa. A medida foi definida como um teste, com duração de 50 dias, objetivando a garantia de um nível mínimo de água no rio Tocantins e nas represas das usinas hidrelétricas a jusante – a situação do reservatório poderia estar bem pior hoje caso essa decisão não tivesse sido tomada naquele momento. As chuvas em toda a bacia hidrográfica do rio Tocantins estão abaixo da média desde 2015, prejudicando a geração de energia elétrica, os transportes hidroviários e o abastecimento de água de várias cidades.

O baixo nível de rios e reservatórios em todo o Estado já causa preocupações em diversas cidades goianas, que ainda se recuperam da forte crise hídrica vivida em 2017. Apesar das autoridades descartarem a necessidade de medidas mais enérgicas para o controle do consumo, várias cidades já discutem a necessidade de impor um racionamento no abastecimento de água para evitar problemas maiores. Foi o que decidiu, para citar um exemplo, o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Meia Ponte que abastece, entre outras cidades, a Região Metropolitana de Goiânia, onde o rio é responsável por mais da metade da água fornecida para a população. No início de agosto, o Comitê decidiu pela redução dos volumes de captação de água para o abastecimento de indústrias e populações.

A chegada das chuvas nesse começo de primavera traz alguma esperança para as populações e produtores rurais do Estado de Goiás, mas a luz amarela de atenção deve se manter acesa – é preciso racionalizar ao máximo o uso de cada litro de água a fim de se evitar uma crise hídrica de consequências muito mais graves para todos. Aliás, o uso racional da água deve ser incorporado na vida e no dia a dia de todos nós brasileiros.

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