A SECA QUE ASSOLA DIVERSAS REGIÕES DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Seca em Minas Gerais

Na última postagem falamos dos problemas na bacia hidrográfica do rio Grande, localizada entre o Sul de Minas Gerais e o Norte do Estado de São Paulo, onde as populações esperam ansiosamente pela chegada das chuvas mais intensas a partir desse início de primavera. A seca, porém, está causando imensas preocupações em outras regiões do Brasil, especialmente em Minas Gerais, onde a falta de chuvas já colocou mais de 100 municípios em situação de emergência. Diversos outros municípios  do Estado também anunciaram dificuldades no abastecimento devido ao baixo nível dos reservatórios. 

Nas regiões Norte, parte do Noroeste e no Vale do Jequitinhonha, regiões que estão dentro do chamado Polígono das Secas, a situação é considerada mais crítica e cerca de 78% das cidades da região estão enfrentando problemas com a seca. Segundo a EMATER-MG – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais, cerca de 70% dos rios e córregos da região estão secos ou com níveis extremamente baixos. As chuvas nos últimos seis anos têm caído em volumes abaixo da média, não conseguindo repor os estoques hídricos da região. 

As consequências econômicas da estiagem estão sendo devastadoras para os produtores rurais da região: o número de cabeças de gado já caiu 25% desde 2012 e a área de pastagens degradadas na região já chega a marca de 87,6%. A perda de grãos na última safra foi de 85,4% e a de leite de 62%. Para piorar a situação, a falta de dinheiro tem levado o Governo Federal e Estadual a reduzir obras e serviços emergenciais de combate à seca na região. 

Os serviços de distribuição de água através de caminhões-pipa, essenciais para o abastecimento das populações, estão entre os mais prejudicados. As obras para a construção de diversas barragens, que neste momento de forte estiagem poderiam estar garantindo o abastecimento de inúmeras cidades, também sofreram interrupção por falta de verbas nos últimos anos. A represa de Jequitaí, com obras paralisadas desde 2015, é um exemplo. Projetada para armazenar até 800 milhões de metros cúbicos de água, a barragem poderia hoje estar socorrendo inúmeras cidades da região, entre elas Montes Claros, a maior cidade do Norte de Minas Gerais. 

Outra região do Estado que está sofrendo com a falta de chuvas é o Triângulo Mineiro. Em Uberlândia, a segunda cidade mais populosa de Minas Gerais, a queda do nível dos reservatórios está forçando a população a mudar seus hábitos de consumo de água – de acordo com os registros da empresa local de águas, o consumo per capita no último mês de agosto foi de 237 litros, cerca de 15 litros a menos do que a média histórica. Em Uberaba, outra importante cidade da região, o problema maior é a queda do nível do rio Uberaba, principal manancial de abastecimento. Com as dificuldades de captação no rio, o abastecimento da cidade tem sido reforçado com a transferência de águas do rio Claro, que está sendo feita através de um sistema de bombeamento recém instalado. 

Na cidade de Formiga, no Centro-Oeste do Estado, a empresa de abastecimento do município já emitiu um comunicado para que a população economize, deixando claro que a adoção de um sistema de racionamento não está descartada. Em uma outra cidade da região, Pequi, algumas residências e pontos comerciais já chegaram a ficar 3 semanas sem o abastecimento de água feito pelo serviço municipal sem maiores explicações. 

A falta de chuvas em Minas Gerais também mostra seus reflexos na queda do nível do rio São Francisco, cujas águas são responsáveis pelo abastecimento de dezenas de cidades no Estado e na região Nordeste. A vazão média do rio, que já foi de 600 m³ por segundo, atualmente mal chega aos 270 m³. Em Pirapora, um importante destino turístico as margens do rio São Francisco, o baixo nível do rio e o alto grau de assoreamento do leito tem prejudicado a captação de água pelo serviço municipal de águas e esgotos. Bairros mais distantes da área central da cidade ou em áreas mais altas sofrem com a baixa pressão da água nas tubulações. Nas áreas rurais do município, o abastecimento da população está dependendo do uso de caminhões-pipa e de poços artesianos. 

Infelizmente, as previsões da meteorologia para Minas Gerais não são as melhores neste momento: a primavera deste ano, estação que marca o início das chuvas na maior parte do Estado, terá poucas chuvas e calor acima da média. O principal responsável por essa previsão desanimadora para os mineiros é o fenômeno climático El Niño que este ano, apesar da fraca intensidade, deverá causar uma série de distorções no clima mundial. Além de reduzir a quantidade de chuvas, o El Niño poderá provocar uma má distribuição das precipitações, o que poderá agravar ainda mais os problemas provocados pela seca em várias regiões de Minas Gerais. 

Além de esperar pela chegada das chuvas, as autoridades dos diversos níveis do Governo precisam concentrar esforços para que se consiga, ao menos, regularizar os serviços de distribuição de água nas regiões em situação mais crítica, além de retomar e acelerar obras de combate à seca. Uma outra frente importante de ações tem relação com a recomposição de matas em áreas de nascentes e nas margens dos rios – a presença dessas vegetações é fundamental para a recarga dos aquíferos e das nascentes de água, além de evitar o agravamento do assoreamento das calhas de importantes rios do Estado, como o São Francisco. 

Nesses novos tempos em que alterações nos padrões climáticos do planeta estão provocando mudanças e surpresas que a ciência ainda não compreende perfeitamente, precisamos nos esforçar ao máximo para recuperar parte dos estragos que já fizemos ao meio ambiente. A intensificação da seca já observada em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil, é um sinal de alerta do que ainda poderá acontecer a todos nós. 

One Comment

  1. […] Na última semana, acompanhamos fortes tempestades na região Sul do Brasil, inclusive com quedas de granizo em algumas localidades. Em algumas cidades do Rio Grande do Sul, os volumes de chuva registrados, como em Alegrete e Santiago, atingiram altos volumes, com as marcas de 75 e 64 mm, respectivamente. Fortes vendavais, com velocidades superiores aos 85 km/h, causaram prejuízos em várias cidades. Enquanto isso, somente no Estado de Minas Gerais, mais de 100 municípios estão em estado de emergência por causa da seca e da estiagem.  […]

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