A CHEGADA DA PRIMAVERA E A VOLTA DAS CHUVAS NA REGIÃO CENTRO-SUL DO BRASIL

Chuvas de Primavera

Ao longo de várias semanas falamos dos conflitos entre a agricultura e as florestas, enfatizando o grande consumo de água pelas plantações. Também falamos dos problemas de perda de solos férteis, do uso intensivo de agrotóxicos e da contaminação das fontes de água por resíduos químicos – são problemas que, aparentemente, parecem distantes, mas que afetam igualmente todos os seres vivo. Com a chegada da primavera e com a volta das chuvas em importantes áreas da região Centro-Sul do país, é hora de mudarmos um pouco o nosso enfoque e voltarmos a falar dos já conhecidos problemas de enchentes e de secas localizadas. 

O território brasileiro se estende ao longo de diferentes latitudes, com as terras do extremo Norte localizadas além da Linha do Equador e com a faixa do extremo Sul bem abaixo do Trópico de Capricórnio. Diferentes zonas climáticas, como não poderia ser diferente, ocorrem em cada uma dessas regiões, indo do clima Equatorial na região coberta pela Floresta Amazônica até o clima temperado na região Subtropical dos Pampas Sulinos. O regime de chuvas em cada uma dessas zonas climáticas segue a sua própria dinâmica. 

A chamada Região Centro-Sul do Brasil compreende uma zona geoeconômica do país que inclui as regiões Sul e a maior parte da região Sudeste, com exceção do Norte do Estado de Minas Gerais, e também os Estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, o Sul dos Estados de Tocantins e do Mato Grosso, além do Distrito Federal. Essa grande região compreende uma área total de 2,2 milhões de km², o que corresponde a cerca de 25% do território brasileiro. Você pode nunca ter prestado atenção, mas os blocos com a previsão do tempo nos telejornais sempre citam a Região Centro-Sul em seus boletins climáticos. 

Essa grande região brasileira pode ser dividida em três áreas climáticas diferentes: nos estados da região Sul e em parte do Estado de São Paulo, o clima é Subtropical; nas regiões serranas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o padrão climático é o chamado Tropical de Altitude; no restante da Região Centro-Sul, o clima predominante é o Tropical. Apesar de toda essa variação climática, há um ponto comum em toda essa região: as estações do ano – primavera, verão, outono e inverno, são bem definidas e o período das chuvas vai do mês de setembro até março, com uma maior intensidade nos meses de dezembro e janeiro. Na maior parte do restante do Brasil, o ano pode ser dividido em duas estações distintas – o verão, com meses quentes e secos, e o inverno, com meses quentes e chuvosos. A intensidade das chuvas varia muito de uma região para outra, sendo mais intensas entre março e julho. 

A região geoeconômica Centro-Sul concentra a maior parte da população brasileira, o que inclui as maiores cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A chegada do período das chuvas é sempre comemorada por essas populações, que dependem dessa água para alimentar rios e represas que geram energia elétrica e abastecem as cidades. A região também concentra uma parte considerável do agronegócio brasileiro, que depende como nenhum outro da água das chuvas para irrigar lavouras e dessedentar os grandes rebanhos animais. 

Depois de vários séculos de estabilidade desde os primeiros anos da colonização do país, o clima da Região Centro-Sul vem apresentando comportamentos bastante anormais nas últimas décadas, fato que preocupa muitos especialistas. Muitas regiões, nitidamente, estão com um clima diferente de décadas atrás. Cito o caso da Região Metropolitana de São Paulo – os invernos há cinquenta anos atrás eram extremamente frios, com temperaturas que chegavam bem próximas de zero graus. Lembro bem das minhas camisas de flanela e da minha mãe ou avó gritando para não esquecer de pôr uma blusa para sair na rua. Nesses últimos anos, as temperaturas do inverno são um convite para ir até as praias da Baixada Santista. 

As chuvas também têm apresentado variações na duração das suas temporadas e elas não têm caído de forma equilibrada em todas as regiões. Alguns lugares muitas vezes sofrem com o excesso de chuva, enquanto outros, relativamente próximos, continuam sofrendo com a seca. Isso gera enormes preocupações. Entre 2014 e 2015, a Região Metropolitana de São Paulo passou por uma intensa crise hídrica, com importantes reservatórios dos diversos sistemas de abastecimento, literalmente, secando. O Sistema Cantareira, o maior conjunto de represas de armazenamento de água para o abastecimento regional, entrou no chamado Volume Morto – a água ficou abaixo do nível de captação, sendo necessárias inúmeras obras emergenciais e a adoção de medidas para economia de água por toda a população. 

A partir da próxima postagem vamos passar a acompanhar as consequências da chegada do período de chuvas nas cidades e áreas rurais, conferindo também os problemas com as típicas enchentes e também comemorar as boas notícias que chegam junto com as águas. 

 

PS: Postagem nº 600

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6 Comments

  1. […] No caso da piscicultura, os problemas estão ligados ao recuo contínuo das águas, que faz com que os cercados dos peixes fiquem secos e precisem ser reconstruídos em outros locais, onde o nível da água ainda esteja alto. A produção de peixes no lago de Furnas, que já atingiu a marca de 50 toneladas/ano, não para de cair. Em maior ou menor escala, os problemas vividos pelo lago de Furnas se repetem ao longo de todo o curso do rio Grande e em seus diversos reservatórios. A esperança de todos se resume à expectativa de uma boa temporada de chuvas.  […]

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  2. […] Dois dias depois, o fenômeno se repetiu em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, e, de acordo com os registros oficiais, pelo menos três pessoas morreram em consequência dos fortes ventos – entre as vítimas, uma criança de 12 anos, vítima dos escombros após o desmoronamento de sua casa. Ao lado das quedas de granizo, os vendavais repentinos são uma espécie de “subprodutos” que se formam junto com as tempestades de primavera e de verão.  […]

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