É O VENTO VENTANDO…

Venatania no Litoral de São Paulo

No final da tarde do último sábado, dia 3 de novembro de 2018, um forte e repentino vendaval colocou grande parte da Baixada Santista, no Litoral Sul do Estado de São Paulo, em alerta. As rajadas de vento, com velocidades entre 80 e 100 km/h, passaram a espalhar as cadeiras e mesas dos quiosques à beira-mar, e também guarda-sóis e cadeiras de praia dos turistas – lembrando que foi um fim de semana prolongado por causa do feriado de Finados e as praias da região estavam lotadas de turistas, que tiveram de fugir às pressas (vide foto). Árvores e postes então passaram a sofrer com a força dos ventos e não foram poucos os bairros que ficaram sem energia elétrica, sinal de TV a cabo e internet. As torres de telefonia celular também passaram a apresentar problemas, silenciando grande parte das comunicações. 

Eu estava em Peruíbe, a cidade mais ao Sul da Baixada Santista, na casa de familiares e percebi a chegada da ventania pelo brusco uivo que envolveu toda a vizinhança. A ventania durou cerca de vinte minutos e causou estragos em telhados, placas, vidraças, postes de energia elétrica e de suporte de semáforos – o bairro ficou mais de três horas sem energia elétrica e sinal telefônico. Um dos testemunhos mais visíveis do vendaval foram os grandes volumes de areia da praia que foram carregados até a avenida principal da cidade, distante cerca de 500 metros do oceano. Ao verificar os estragos do fenômeno climático no dia seguinte, lembrei de um trecho da música “Águas de Março”, de Tom Jobim, que acabou usado como título desta postagem – o vento ventando

O mesmo fenômeno se abateu sobre a Região Metropolitana de São Paulo logo depois, deixando também um rastro de destruição – foram registradas 454 quedas de árvores na região e, pelo menos, 400 mil pessoas ficaram sem energia elétrica em suas casas. Somente no município de São Paulo, 100 árvores foram derrubadas pelo vento, bloqueando diversas ruas e avenidas da cidade, causando todo o tipo de transtornos para a população. Um dos mais tradicionais pontos turísticos da cidade, o Mercadão da Cantareira, na região central, não funcionou no domingo devido à falta de energia elétrica. Para quem não é ou não conhece a cidade, o Mercadão é um dos mais disputados centros gastronômicos de São Paulo e atrai milhares de visitantes nos finais de semana. 

Dois dias depois, o fenômeno se repetiu em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, e, de acordo com os registros oficiais, pelo menos três pessoas morreram em consequência dos fortes ventos – entre as vítimas, uma criança de 12 anos, vítima dos escombros após o desmoronamento de sua casa. Ao lado das quedas de granizo, os vendavais repentinos são uma espécie de “subprodutos” que se formam junto com as tempestades de primavera e de verão

Os vendavais compreendem ventos com velocidades entre 50 e 102 km/h, o que corresponde a valores entre 7 e 10 na Escala de Beaufort (esses valores são aproximados porque essa Escala usa a unidade Milhas para a velocidade). Nessas faixas da Escala, os ventos vão de moderados a muito fortes. Esses ventos são gerados pelo deslocamento violento de uma massa de ar e normalmente estão associados aos sistemas formadores de tempestades. Ventos com velocidade entre 103 e 119 km/h são chamados de ciclone extratropical e, quando a velocidade dos ventos supera a casa dos 120 km/h, eles passam a ser chamados de ciclone tropical ou furacão

Essa escala de velocidade de ventos foi criada originalmente em 1810 pelo hidrógrafo irlandês Sir Francis Beaufort, a partir de observações feitas no mar pelos navios da Marinha Inglesa. Os valores da Escala correspondem ao número de rotações de um anemômetro, um equipamento que mede a velocidade do vento. Essa Escala foi aprimorada e, no final de década de 1830, foi padronizada para uso em todos os navios da Marinha Real Inglesa. Ao longo da década de 1850, ela se tornou popular e passou a ter outros usos não militares. 

Os Estados da Região Sul do Brasil, além de São Paulo, Mato Grosso do Sul e a região do Triângulo Mineiro, e também as regiões contíguas nos países vizinhos, formam um extenso corredor onde há grande probabilidade de formação de fortes vendavais. Essa região, aliás, é considerada como o segundo maior “Corredor de Tornados” do mundo, só ficando atrás do Meio-Oeste dos Estados Unidos e dos seus famosos twisters. Massas de ar frio vindas da Patagônia, no sul do Continente, e massas de ar quente vindas da Amazônia e do Oceano Atlântico, costumam se encontrar na região. O encontro de duas dessas massas de ar, com diferentes temperaturas e com a rotação dos ventos em sentidos opostos pode gerar, como resultante, uma terceira massa de ar com uma grande concentração de energia – essa é a origem dos fortes vendavais.

Os meteorologistas, a partir da análise de imagens de satélite, conseguem estimar as áreas com maior probabilidade para a formação de tempestades e vendavais, informações que são comunicadas à população através de alertas meteorológicos e boletins dos telejornais da TV. Ontem, dia 07 de novembro, toda a região Sul do Brasil estava em estado de atenção por causa dos riscos generalizados de vendavais. 

Ficar atento aos alertas da meteorologia, algo que nós brasileiros costumamos não dar tanta atenção, pode ajudar muito na prevenção de acidentes causados por esses fenômenos climáticos.  

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s