ALGUNS NÚMEROS E FATOS IMPRESSIONANTES SOBRE OS AGROTÓXICOS

Alerta Agrotóxicos

De acordo com informações do SINDIVEG – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, entidade que reúne as empresas do setor de agroquímicos, o faturamento total dessas empresas em 2017 foi de US$ 8,9 bilhões, uma redução de 7% em relação ao ano anterior. Considerando-se a cotação do dólar (11/10/2018) – R$ 3,75, estamos falando de um faturamento de aproximadamente R$ 33,4 bilhões, ou, 0,5% do valor do PIB – Produto Interno Bruto, brasileiro, que em 2017 fechou em R$ 6,6 trilhões

Esmiuçando um pouco esse número, descobrimos que 35% do total das receitas vem da produção e venda de herbicidas, 28% dos fungicidas e 27% dos inseticidas. A cultura da soja é, de longe, a maior consumidora desses produtos, respondendo por 52% das vendas, seguida pelos setores da cana-de-açúcar (12%), milho (10%), algodão (7%) e café (3%) – juntas, essas cinco culturas consomem um volume equivalente a 84% de todos os agrotóxicos utilizados no Brasil. Em termos de volume de agrotóxicos, o consumo total desse grupo de culturas é de 850 mil toneladas a cada ano,  com uma aplicação de cerca de 12 litros de produtos químicos tóxicos em cada hectare cultivado. No total, o consumo de agrotóxicos no Brasil está próximo de 1 milhão de toneladas ou 1 bilhão de litros a cada ano, volume que coloca o nosso país na posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

Entre os Estados consumidores, Mato Grosso aparece na primeira posição, respondendo por 21% de todos os agrotóxicos consumidos no país. Nas últimas décadas, o Estado se consolidou como maior produtor brasileiro de grãos e líder nacional na exportação de commodities agrícolas. Na segunda posição vem o Estado de São Paulo, com 15% das vendas, e o Rio Grande do Sul, com 12% dos negócios. Paraná, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul aparecem na sequência da lista dos maiores consumidores de agrotóxicos do país

Tantos números e tanto dinheiro escondem muitos problemas: 

De acordo com informações do Greenpeace Brasil, uma das mais importantes Organizações Não Governamentais de defesa do meio ambiente no mundo, mais de 20% dos agrotóxicos utilizados no Brasil utilizam substâncias ilegais, que aumentam, em muito, os riscos à saúde das populações e ao meio ambiente. Um exemplo é o acefato, substância que segundo a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, causa problemas no sistema endócrino humano – essa substância já teve seu uso proibido em toda a Europa.  

Greenpeace alerta que o uso dessas substâncias químicas, limitará cada vez mais os volumes de exportações de grãos e de carne para a União Europeia e para países como China, Estados Unidos e Índia, onde o uso desses produtos já é proibido. Dos cerca de 500 tipos diferentes de agrotóxicos autorizados para venda no Brasil, cerca de 30% são proibidos na Europa

O problema, infelizmente, vai além do uso de substâncias já proibidas em outros países – a legislação brasileira para este setor é extremamente permissiva e admite o uso de agrotóxicos em concentrações muitos superiores àquelas permitidas em outros países. E, como resultado direto, observamos em nossos produtos agrícolas, nos solos dos nossos campos e também nas fontes de água, um aumento progressivo no volume de resíduos tóxicos. 

Nessa lista, apresentamos alguns dos agrotóxicos mais usados no Brasil. O número apresentado ao lado mostra a quantidade de vezes a mais que a concentração de resíduos dessas substâncias em água potável é permitida aqui no país quando comparada com as normas da Europa: 

2,4-D (herbicida) – 300 vezes mais 

Clorpirifós (inseticida/acaricida) – 300 vezes mais 

Diuron (herbicida) – 900 vezes mais 

Mancozebe (fungicida/acaricida) – 1.800 vezes mais 

Tebuconazol (fungicida) – 1.800 vezes mais 

Glifosato (herbicida) – 5.000 vezes mais 

A contaminação das fontes de água com resíduos de agrotóxicos é, atualmente, um dos mais graves problemas ambientais de nosso país. A disponibilidade de água para o abastecimento de inúmeras cidades de todo o Brasil é cada vez menor – rios e importantes fontes de água já sofrem em demasia com a poluição por esgotos e resíduos sólidos. A baixa qualidade da água bruta (água antes do tratamento) é ainda mais agravada pela visível redução dos caudais (volume de água) de muitos rios importantes. E como se isso tudo já não fosse problemático demais, passamos a verificar um crescimento substancial no volume de resíduos de agrotóxicos nessas águas nas últimas décadas. Há ainda um outro seríssimo agravante – grande parte das ETAs – Estações de Tratamento de Água, não está preparada para eliminar esses resíduos tóxicos durante os processos de tratamento.

Com essa absoluta falta de limites, estamos assistimos a uma verdadeira invasão de resíduos de agrotóxicos em tudo o que comemos e bebemos, indo dos grãos às frutas, das verduras aos legumes, da carne ao leite e da água até as bebidas industrializadas. De acordo com projeções da Fundação Oswaldo Cruz, um dos mais respeitados centros de pesquisas médicas do Brasil, entre os anos de 2007 e 2014, mais de 1 milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos, sendo que um quinto dessas vítimas eram crianças e adolescentes

Tanto os fatos quanto os números são absolutamente intoleráveis em uma sociedade dita civilizada. 

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