EUTROFIZAÇÃO E NITRIFICAÇÃO: ÁGUA COM EXCESSO DE ALGAS, FALTA DE OXIGÊNIO E MORTE DOS PEIXES

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Eu não sei quantos de vocês já tiveram o desprazer de presenciar um evento de mortandade de peixes em um rio ou lago poluído por esgotos – há cerca de vinte anos, na cidade do Rio de Janeiro, passei por esta experiência terrível, ficando preso num engarrafamento em uma avenida ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, dias depois de uma dessas grandes mortandades (falo aqui de umas 50 toneladas de peixes mortos e em decomposição). Esse tipo de fenômeno pode ser provocado por fertilizantes, agrotóxicos, minérios ou outros elementos carreados para a água – vamos destacar dois problemas que são, normalmente, provocados por esgotos: a eutrofização e a nitrificação da água.

A eutrofização se deve ao excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio) provenientes do excesso de matéria orgânica presente nas águas de um rio, lago ou represa. Esses nutrientes funcionam como um adubo que vai estimular o crescimento excessivo de algas, bactérias e outros consumidores primários, provocando uma diminuição drástica e rápida do oxigênio dissolvido na água – os peixes e outros organismos que vivem no local não conseguirão retirar o oxigênio que respiram da água e acabarão morrendo asfixiados, como mostrado nesta foto.

Numa definição mais ampla, esgotos domésticos e alguns tipos de esgotos industriais são preponderantemente matérias orgânicas, isto é, materiais que servem de alimentos para os animais aquáticos, fungos e bactérias. O lançamento dessa matéria orgânica em um corpo d’água constitui até certo ponto em um benefício ao meio ecológico, pois será transformada em alimento para as comunidades aquáticas. Porém, a quantidade excedente dessa matéria orgânica pode se transformar em um grave problema ambiental por permitir um crescimento exponencial das bactérias e algas na água, o que resultará em um consumo de oxigênio superior a disponibilidade do meio. A redução no nível de oxigênio prejudicará todas as demais formas de vida animais e vegetais da água. A Represa Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de água aqui no meu bairro, de quando em vez enfrenta problemas com a superprodução de microalgas devido ao lançamento abusivo de esgotos in natura – durante esses eventos, a água que chega nas nossas torneiras, apesar de todo o processo de tratamento, apresenta um gosto estranho – a Sabesp, empresa local de abastecimento, sempre jura que a água está em perfeitas condições para o consumo: desculpa difícil de engolir (literalmente).

Um outro fenômeno importante que também está associado aos esgotos é chamado nitrificação, que ocorre quando há excesso de nitrogênio nos corpos receptores dos efluentes de uma Estação de Tratamento de Esgotos. Esse nitrogênio também funciona como um nutriente, podendo causar o problema de superprodução de algas. O processo de tratamento dos esgotos deve reduzir a quantidade de nitrogênio para níveis adequados (esses níveis seguem normas técnicas específicas). Caso seja detectado um aumento na produção de algas, isso indicará que a água está com excesso de nutrientes e que o sistema de tratamento de esgotos ou foi mal projetado ou está ocorrendo algum erro na operação da ETE. A ureia, composto orgânico cristalino eliminado na urina humana, é uma das principais fontes de nitrogênio em despejos domésticos; esse composto é rapidamente “quebrado” e transformado em amônia, substância responsável pelo processo de nitrificação. Os efluentes tratados em uma ETE devem ser controlados através de testes de laboratório a fim de se controlar os níveis destas substâncias na saída de efluentes.

Tanto a eutrofização quanto a nitrificação dos corpos d’água podem ter origens em fenômenos naturais, porém, na maioria esmagadora das ocorrências, o problema está associado às ações humanas e à nossa irresponsabilidade no gerenciamento e uso dos recursos hídricos. Água captada para abastecimento de populações afetada por processos de eutrofização ou nitrificação necessitará de grandes quantidades de produtos químicos no processo de tratamento e, como comentei na minha experiência pessoal, poderá ficar com a qualidade final comprometida.

São eventos como esses que levam os consumidores a perderam a confiança na qualidade da água tratada que chega aos seus lares e a consumir apenas água mineral – eu me incluo nesse grupo.

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