TIJUCA: O RENASCIMENTO DA FLORESTA E DAS FONTES DE ÁGUA

cascatinha

No post anterior apresentamos um panorama caótico da cidade do Rio de Janeiro após a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. O crescimento da cidade foi fortemente ameaçado pela falta de água nas primeiras décadas do século XIX e providências urgentes teriam de ser tomadas para garantir o abastecimento da nova Metrópole do Império Ultramarino Português. Continue reading →

TIJUCA: A FLORESTA QUE SALVOU O RIO DE JANEIRO

Tijuca

A preservação e a recuperação da vegetação em áreas de mananciais são práticas antigas e com resultados práticos comprovados no aumento da produção e da qualidade da água usada no abastecimento das cidades. E não é preciso ir muito longe para conferir isso – basta que você faça uma visita a cidade brasileira mais famosa no mundo: o Rio de Janeiro. Continue reading →

A GRANDE MAÇÃ E O RIO 2, OU A SAGA DA ÁGUA DE NOVA YORK CONTINUA

Bronx

No post anterior mostramos o grande desafio enfrentado pela cidade de Nova York para superar a maior crise hídrica de sua história com muito pouco dinheiro em caixa. A preservação e a recuperação das áreas dos mananciais produtores de água nas montanhas do interior do estado de Nova York foram as prioridades zero do conjunto de ações implementadas pelo Departamento de Proteção Ambiental. A segunda frente de batalha deste desafio focou no combate ao desperdício e nas perdas de água do sistema. Continue reading →

A GRANDE MAÇÃ E O RIO, OU COMO NOVA YORK VENCEU A CRISE HÍDRICA GASTANDO POUCO

APPLE

O sistema de abastecimento de águas de Nova York começou a ser implantado no século XIX, no início da década de 1830, e por cento e cinquenta anos conseguiu atender as necessidades da grande maçã, apelido carinhoso da cidade. Mas na década 1990, esse patrimônio natural esteve ameaçado. A cidade que não pára de crescer enfrentou quatro secas num curto espaço de tempo. O nível dos reservatórios caiu para 27%, enquanto o consumo crescia perigosamente – qualquer semelhança com a cidade de São Paulo e sua região de entorno não é mera coincidência. Continue reading →

Presidente Temer sanciona lei que obriga medição individual de água em condomínios

Hidrômetro

Uma ótima notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo:

O presidente em exercício, Michel Temer, sancionou nesta terça-feira, 12, a lei que obriga novos condomínios a terem medição individual de água. Além de incentivar economia no consumo, o objetivo é que os condôminos paguem um valor mais justo na taxa de água, pois o hidrômetro permite discriminar o consumo de cada apartamento, dividindo só o consumo de áreas comuns. Continue reading →

ÁGUAS AOS OLHOS DE SANTA LUZIA

Santa Luzia

Conta-se que durante o martírio de Santa Luzia, no ano de 304 de nossa era, um soldado romano arrancou-lhe os olhos com uma faca e depois os devolveu em suas mãos dentro de uma espécie de bandeja. Para o espanto dos seus torturadores, os olhos da Santa tornaram a crescer milagrosamente – eram mais belos e penetrantes que os olhos originais. Em uma imagem das mais populares, Santa Luzia aparece segurando a bandeja onde os estão os seus dois antigos olhos (a imagem do post é da igreja de Santa Luzia em Lisboa – Portugal). Continue reading →

A REGIÃO ENTRE SERRAS E ÁGUAS, OU A SEGUNDA PRAIA DOS PAULISTANOS

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Entre a face norte da Serra da Cantareira e a face sul da Serra da Mantiqueira está localizada a Região Entre Serras e Águas. Famosa por seu clima ameno e paisagens serranas deslumbrantes, a Região é reconhecida como uma área de grande qualidade ambiental e com um dos mais altos índices de qualidade de vida do estado de São Paulo.

Nos finais de semana e nos feriados, a Região disputa com as praias da Baixada Santista a preferência dos turistas da Grande São Paulo, que lotam as cidades do chamado Circuito Entre Serras e Águas: Atibaia, Bragança Paulista, Bom Jesus dos Perdões, Joanópolis, Mairiporã, Nazaré Paulista, Pedra Bela, Pinhalzinho, Piracaia, Tuiuti e Vargem. A culinária local, fortemente influenciada pela cozinha das Minas Gerais (que fica “logo ali na frente”), a produção de frutas – destaque para os morangos, e o clima estão entre os maiores atrativos locais. Também merecem destaque as represas do famoso Sistema Cantareira, que a partir de meados da década de 1960, passaram a ocupar os fundos de vales e incorporaram espelhos d’água às paisagens serranas.

O crescimento vertiginoso da população da Região Metropolitana de São Paulo a partir da segunda metade do século XX levou o governo estadual a estudar novas fontes para o abastecimento de água e a Região Entre Serras e Águas se mostrou como uma das mais promissoras. A região possuía um importante grupo nascentes de rios, fragmentos florestais bem conservados e um relevo adequado para a construção de reservatórios relativamente pequenos mas com grande capacidade de armazenamento de água. Na época, o governo estadual chegou a estudar a possibilidade de aproveitar as águas da região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, mas a ideia foi abandonada devido aos altos custos do bombeamento até a Região Metropolitana de São Paulo.

O Sistema Cantareira possui seis reservatórios espalhados pela Região Entre Serras e Águas, que respondem pela produção de mais da metade da água consumida na Região Metropolitana de São Paulo – esse volume justifica a preocupação e a repercussão da crise hídrica que quase secou o Sistema Cantareira. Essa crise foi provocada essencialmente por uma redução anormal do volume de chuvas na Região, porém existem uma série de problemas ambientais que contribuíram no agravamento dos problemas.

Falaremos sobre isso em um outro post.

FALANDO DE ESGOTO SANITÁRIO, OU MEU TRABALHO É UMA GRANDE “MERDA”!

esgotos

Esgoto sanitário é um tema que nem de longe pode ser definido como um dos mais populares em nossa sociedade. Trabalhei por vários anos nas áreas de relações comunitárias e de divulgação de obras para a implantação de redes coletoras de esgotos em cidades da região metropolitana de São Paulo e em diversas cidades litorâneas da chamada Baixada Santista; também integrei a equipe de profissionais que iniciou as obras de implantação da rede de esgotos da cidade de Porto Velho na região amazônica. Muito mais que o trocadilho da chamada (que não deixa de ser uma verdade), conheço muito bem a matéria e sei o quanto é difícil desenvolver esse tipo de trabalho. Em Porto Velho, só para citar um exemplo, trabalhamos um ano e meio para conseguir implantar apenas 32 km de rede coletora de esgotos de um projeto com previsão de mais de 700 km de rede – uma homérica guerra entre diferentes grupos políticos da cidade não permitiu que as obras prosseguissem, apesar da farta alocação de recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal na época, além de um fabuloso arsenal de máquinas e equipamentos e de uma equipe técnica altamente capacitada. Continue reading →