ESPÍRITO SANTO PRIORIZA PPPs PARA AMPLIAR COBERTURA DE SANEAMENTO BÁSICO

Vitória

Notícia boa se compartilha – publicado em 18/07/2016 por BRASIL EM FOLHAS com agências de notícias:

O governo do Espírito Santo está trabalhando para estender a todo o estado a cobertura de saneamento básico por meio de parcerias público privadas (PPPs). “Saneamento é respeito ao meio ambiente, mas é saúde preventiva na veia”, disse no dia 15 ao portal da Associação Comercial do Rio de Janeiro, onde participou do Almoço do Empresário, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung.

O governo capixaba está reforçando o conceito de parcerias público privadas, que une investimentos privados e públicos, na área de saneamento disse Hartung, que acrescentou que a PPP vem sendo implantada há um ano com essa finalidade no município de Serra e a experiência foi um sucesso. “Estamos ampliando nesse município e vamos universalizar a coleta e o tratamento de esgoto”.

Hartung disse que será lançado um novo edital de PPP de saneamento para o município de Vila Velha dentro de 60 dias. A capital, Vitória, foi dotada de cobertura de coleta e tratamento de esgoto na gestão passada de Hartung. Em Vila Velha, o governador disse que serão mais de R$ 630 milhões de investimentos. Nós vamos constituir aproximadamente 600 quilômetros de rede coletora de esgoto”.

GUANDU: A LENTA AGONIA DE UM RIO FLUMINENSE

Rio Guandu

A poucos dias do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, as imagens da poluição da Baia da Guanabara ocupam grandes segmentos das coberturas jornalísticas em todo o mundo e há grande preocupação das autoridades locais e do COI – Comitê Olímpico Internacional, sobre os problemas que serão acarretados às competições de vela a serem disputados no mar. Um retrato destes problemas foi mostrado poucos dias atrás pela reportagem de um canal de TV, quando o barco de duas velejadoras olímpicas bate contra os restos de um velho televisor que flutuava em meio ao lixo nas águas da Baia da Guanabara. Imagine-se tal imagem durante as competições da Olimpíada…

Sem querer minimizar o problema, que somado a tantos outros que têm grande potencial de denegrir a imagem da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil, há um outro importante corpo d’água no Estado em situação muito mais precária e de importância vital para 10 milhões de pessoas, que pede desesperadamente por um pouco mais de atenção – estou falando do Rio Guandu.

Esse ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros que não mora no Estado do Rio de Janeiro é o responsável pelo abastecimento de água em nove municípios da Região Metropolitana: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Itaguaí, Queimados e Mesquita. O sistema atende aproximadamente 85% da cidade do Rio de Janeiro e 70% da Região da Baixada Fluminense. Apesar de toda a sua importância, o Rio Guandu sofre imensamente com a alta carga de esgotos in natura que recebe de dezenas de cidades, vilarejos e indústrias ao longo de seu curso; é o destino toneladas de fertilizantes e defensivos químicos de áreas agrícolas carreadas para a suas águas; lixo e resíduos sólidos de toda a ordem dispostos inadequadamente entulham suas águas; desmatamentos de áreas de mananciais em sua bacia hidrográfica reduzem a produção de água; a extração de areia sem respeito às normas ambientais destrói quilômetros de suas margens – essas são muitas das agressões que o Rio Guandu sofre diária e sistematicamente.

O jornalista André Trigueiro, em seu livro Mundo Sustentável, classificou, acertadamente, o Rio Guandu, além de outros sistemas de abastecimento de água, como “grandes dependentes químicos”. Explica-se: nos processos de tratamento da água destinada ao abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro são utilizadas diariamente 280 toneladas de produtos químicos, entre eles o sulfato de alumínio, produto indispensável para tornar a água bruta (aquela que é retirada do rio) em água potável. Em um rio com boa qualidade da água, seria necessário apenas 10% deste volume de produtos químicos para tratar a mesma quantidade de água – é possível verificar os níveis de poluição do Guandu somente com essa informação. Em dias de chuva, por causa da quantidade maior de esgotos e de lixo que são carreados para o Rio, o volume de produtos químicos utilizados triplica, chegando à inacreditáveis 840 toneladas/dia. E olhem que esses dados são do ano de 2004 – é provável que nos dias atuais o volume de produtos químicos utilizados nos processos de tratamento da água sejam bem maiores.

Diferente da Baia da Guanabara, que mesmo extremamente poluída e maltratada pelos séculos de crescimento desordenado das cidades do seu entorno é um cartão postal internacional visto por milhões de visitantes a cada ano (a maioria vê a Baia de longe, do alto do Pão de Açúcar e do Morro do Corcovado), o Rio Guandu é um personagem mais discreto, que corre através de áreas periféricas até o seu melancólico encontro com o mar na Baia de Sepetiba. Pode-se afirmar que enquanto a Baia de Guanabara fica na porta de entrada do Rio de Janeiro, o Rio Guandu fica nos fundos, como aquela porta que atende os serviçais da residência – faz todo o trabalho pesado e sujo, sem receber grande reconhecimento por isto. A cidade se preocupa com áreas turísticas como Copacabana, Leblon e Ipanema e, mais recentemente, com a Região da Barra, onde a Cidade Olímpica foi construída – que o subúrbio fique onde sempre esteve: longe das vistas da elite econômica e com todos os seus problemas proletários.

No próximo post vamos falar um pouco sobre a história deste pequeno Rio que, após um conjunto de obras de engenharia, se transformou no maior manancial de água doce da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e que, mesmo assim, continua um pária da sociedade.

TIJUCA: O RENASCIMENTO DA FLORESTA E DAS FONTES DE ÁGUA

cascatinha

No post anterior apresentamos um panorama caótico da cidade do Rio de Janeiro após a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. O crescimento da cidade foi fortemente ameaçado pela falta de água nas primeiras décadas do século XIX e providências urgentes teriam de ser tomadas para garantir o abastecimento da nova Metrópole do Império Ultramarino Português. Continue reading →

TIJUCA: A FLORESTA QUE SALVOU O RIO DE JANEIRO

Tijuca

A preservação e a recuperação da vegetação em áreas de mananciais são práticas antigas e com resultados práticos comprovados no aumento da produção e da qualidade da água usada no abastecimento das cidades. E não é preciso ir muito longe para conferir isso – basta que você faça uma visita a cidade brasileira mais famosa no mundo: o Rio de Janeiro. Continue reading →

A GRANDE MAÇÃ E O RIO 2, OU A SAGA DA ÁGUA DE NOVA YORK CONTINUA

Bronx

No post anterior mostramos o grande desafio enfrentado pela cidade de Nova York para superar a maior crise hídrica de sua história com muito pouco dinheiro em caixa. A preservação e a recuperação das áreas dos mananciais produtores de água nas montanhas do interior do estado de Nova York foram as prioridades zero do conjunto de ações implementadas pelo Departamento de Proteção Ambiental. A segunda frente de batalha deste desafio focou no combate ao desperdício e nas perdas de água do sistema. Continue reading →

A GRANDE MAÇÃ E O RIO, OU COMO NOVA YORK VENCEU A CRISE HÍDRICA GASTANDO POUCO

APPLE

O sistema de abastecimento de águas de Nova York começou a ser implantado no século XIX, no início da década de 1830, e por cento e cinquenta anos conseguiu atender as necessidades da grande maçã, apelido carinhoso da cidade. Mas na década 1990, esse patrimônio natural esteve ameaçado. A cidade que não pára de crescer enfrentou quatro secas num curto espaço de tempo. O nível dos reservatórios caiu para 27%, enquanto o consumo crescia perigosamente – qualquer semelhança com a cidade de São Paulo e sua região de entorno não é mera coincidência. Continue reading →

Presidente Temer sanciona lei que obriga medição individual de água em condomínios

Hidrômetro

Uma ótima notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo:

O presidente em exercício, Michel Temer, sancionou nesta terça-feira, 12, a lei que obriga novos condomínios a terem medição individual de água. Além de incentivar economia no consumo, o objetivo é que os condôminos paguem um valor mais justo na taxa de água, pois o hidrômetro permite discriminar o consumo de cada apartamento, dividindo só o consumo de áreas comuns. Continue reading →

ÁGUAS AOS OLHOS DE SANTA LUZIA

Santa Luzia

Conta-se que durante o martírio de Santa Luzia, no ano de 304 de nossa era, um soldado romano arrancou-lhe os olhos com uma faca e depois os devolveu em suas mãos dentro de uma espécie de bandeja. Para o espanto dos seus torturadores, os olhos da Santa tornaram a crescer milagrosamente – eram mais belos e penetrantes que os olhos originais. Em uma imagem das mais populares, Santa Luzia aparece segurando a bandeja onde os estão os seus dois antigos olhos (a imagem do post é da igreja de Santa Luzia em Lisboa – Portugal). Continue reading →

A REGIÃO ENTRE SERRAS E ÁGUAS, OU A SEGUNDA PRAIA DOS PAULISTANOS

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Entre a face norte da Serra da Cantareira e a face sul da Serra da Mantiqueira está localizada a Região Entre Serras e Águas. Famosa por seu clima ameno e paisagens serranas deslumbrantes, a Região é reconhecida como uma área de grande qualidade ambiental e com um dos mais altos índices de qualidade de vida do estado de São Paulo.

Nos finais de semana e nos feriados, a Região disputa com as praias da Baixada Santista a preferência dos turistas da Grande São Paulo, que lotam as cidades do chamado Circuito Entre Serras e Águas: Atibaia, Bragança Paulista, Bom Jesus dos Perdões, Joanópolis, Mairiporã, Nazaré Paulista, Pedra Bela, Pinhalzinho, Piracaia, Tuiuti e Vargem. A culinária local, fortemente influenciada pela cozinha das Minas Gerais (que fica “logo ali na frente”), a produção de frutas – destaque para os morangos, e o clima estão entre os maiores atrativos locais. Também merecem destaque as represas do famoso Sistema Cantareira, que a partir de meados da década de 1960, passaram a ocupar os fundos de vales e incorporaram espelhos d’água às paisagens serranas.

O crescimento vertiginoso da população da Região Metropolitana de São Paulo a partir da segunda metade do século XX levou o governo estadual a estudar novas fontes para o abastecimento de água e a Região Entre Serras e Águas se mostrou como uma das mais promissoras. A região possuía um importante grupo nascentes de rios, fragmentos florestais bem conservados e um relevo adequado para a construção de reservatórios relativamente pequenos mas com grande capacidade de armazenamento de água. Na época, o governo estadual chegou a estudar a possibilidade de aproveitar as águas da região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, mas a ideia foi abandonada devido aos altos custos do bombeamento até a Região Metropolitana de São Paulo.

O Sistema Cantareira possui seis reservatórios espalhados pela Região Entre Serras e Águas, que respondem pela produção de mais da metade da água consumida na Região Metropolitana de São Paulo – esse volume justifica a preocupação e a repercussão da crise hídrica que quase secou o Sistema Cantareira. Essa crise foi provocada essencialmente por uma redução anormal do volume de chuvas na Região, porém existem uma série de problemas ambientais que contribuíram no agravamento dos problemas.

Falaremos sobre isso em um outro post.