REATORES ANAERÓBIOS

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Como comentei em meu último post, existem vários processos técnicos que podem ser utilizados para o tratamento dos esgotos. A escolha da tecnologia a ser utilizada vai depender do tamanho e da topografia da área disponível, do volume de esgotos a ser tratado, dos custos do transporte (bombeamento) dos esgotos até a ETE, do grau de tratamento de efluentes que se deseja alcançar, etc. Uma das tecnologias mais eficientes para a realização do tratamento é a das Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Filtro Biológico. Esse tipo de Estação necessita de uma área relativamente pequena para sua construção, tem maior eficiência no tratamento dos esgotos e na redução da carga poluente, além de maior flexibilidade na operação. Como desvantagens apresentam um custo operacional elevado, exige um controle constante da qualidade dos efluentes tratados em um laboratório e sua operação exige o uso de mão de obra especializada.

Nessas Estações, o processo do tratamento dos esgotos é iniciado efetivamente nos Reatores Anaeróbios, unidades onde se processam a remoção de cerca de 70% dos sólidos totais e a remoção de uma fração significativa da carga orgânica dos esgotos. Os Reatores são reservatórios que, após receberem um grande volume de efluentes, são lacrados por um período de até 72 horas, período destinado à decomposição dos esgotos.

No processo são utilizados microrganismos anaeróbios. Esses microrganismos retiram o oxigênio através de ações sobre os compostos orgânicos ou inorgânicos que contêm o oxigênio que será usado no seu metabolismo, ao invés de retirá-lo do ar. Este processo bacteriano é denominado de putrefação ou decomposição anaeróbia e acontece no interior dos reatores anaeróbios. Durante esse processo há eliminação de gases como o metano, que são capturados por um sistema de tubulações e encaminhados para queima com segurança em uma chaminé especial ou podem ser canalizados para uma turbina a gás para queima e geração de eletricidade. A queima dos gases evita a contaminação do meio ambiente e elimina o mau cheiro, comum em outros tipos de Estações de Tratamento de Esgotos.

Os esgotos brutos possuem uma grande quantidade de materiais orgânicos que são considerados verdadeiros banquetes para os microrganismos anaeróbios. Essencialmente, o tratamento dos esgotos consiste em facilitar o crescimento das colônias de microrganismos e estimular estes a consumir todo o material orgânico. Como todo ser vivo, os microrganismos têm um ciclo de vida com nascimento, crescimento e morte. Esse ciclo de vida consome a carga poluente, que acaba transformada em materiais inertes que se separam da água por processo de decantação e são agregados com outros materiais particulados na forma de lodo sanitário.

Lodo sanitário ou de esgotos é um resíduo sólido, composto por partículas sedimentares de areia e argila, rico em nutrientes de origem orgânica, sais minerais e metais pesados, tóxicos, a depender da concentração. Dependendo do processo de tratamento de esgotos utilizado, podem possuir grandes colônias de bactérias, protozoários e outros microrganismos ainda vivos que durante as etapas de desidratação e secagem tendem a ser neutralizados.

Após o processo de tratamento no reator anaeróbio, a parte líquida do esgoto é encaminhada para o filtro biológico, que utiliza bactérias aeróbias no processo de tratamento; a parte sólida, o chamado lodo sanitário, é encaminhado para centrifugação e secagem. Depois de seco, o lodo sanitário é enviado para descarte em aterros sanitários controlados. Estudos demonstraram que o lodo sanitário é bastante eficiente como fertilizante em áreas de reflorestamento com plantações de pinus e eucalipto, o que é uma solução ecológica importante para o descarte deste material. Uma curiosidade – como é comum a existência de metais pesados como mercúrio, cádmio e cromo no lodo sanitário, não se recomenda seu uso como fertilizante em hortas e pomares devido aos riscos de contaminação.

No próximo post vamos falar do Filtro Biológico.

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTOS – ETE

ETE

Alguém precisa fazer o trabalho sujo!”

Você já deve ter ouvido essa frase muitas vezes – ela cai como uma luva para o assunto de hoje: o destino final dos efluentes de toda a Rede Coletora de Esgotos de uma cidade, ou de parte dela nos casos de grandes cidades, é a Estação de Tratamento de Esgotos, mais conhecida pela sigla ETE. Essa unidade é o coração do Sistema de Esgotos e tem a nobre tarefa de restaurar a qualidade da água que vai ser devolvida ao meio ambiente, removendo todas as impurezas e contaminantes através de diferentes processos de tratamento biológicos.

Os esgotos chegam até a ETE através das Linhas de Recalque. São tubulações de esgoto que conduzem as águas residuárias por meio de bombeamento e pressurização. Normalmente são construídas em material de alta resistência a pressão como ferro fundido, polietileno de alta densidade (PEAD) ou fibra de vidro reforçada (PRFV) e fazem a ligação entre a última Estação Elevatória de Esgotos e a Estação de Tratamento de Esgotos, que normalmente fica instalada em uma região mais remota ou afastada do centro da cidade

Existem várias formas de realizar o processo de tratamento dos esgotos sanitários como lodo ativado, filtro biológico e lagoas de estabilização. A escolha do melhor sistema de tratamento leva em consideração o volume de esgotos a ser tratado, o tamanho do terreno disponível, a topografia, o transporte dos esgotos brutos, o custo do tratamento dos esgotos (que será rateado entre todos os moradores), a redução da carga de poluentes que se deseja atingir etc. As companhias de saneamento sempre buscam a melhor relação custo / benefício. Estações compactas do tipo filtro biológico, por exemplo, podem ser construídas em áreas relativamente pequenas, porém o custo do tratamento dos esgotos é mais caro do que o realizado em lagoas de estabilização. As lagoas de estabilização, apesar do baixo custo de operação, necessitam de áreas grandes para sua instalação; o custo dos terrenos nas proximidades das grandes cidades torna-se um grande obstáculo para esse tipo de sistema de tratamento.

As Estações de Tratamento de Esgotos reproduzem os processos naturais de eliminação da carga poluente, porém em uma velocidade acelerada e em um espaço restrito. Quando os esgotos são despejados in natura dentro de um rio, os processos naturais do rio se encarregarão de consumir e neutralizar os poluentes orgânicos. O grande problema é que, enquanto o rio depura os esgotos, os moradores das margens próximas serão obrigados a conviver com a poluição e o mau cheiro do rio, não podendo utilizar adequadamente as águas desse importante manancial. Com o tratamento adequado dos esgotos, as águas são devolvidas ao meio ambiente em condições satisfatórias e a poucos quilômetros dos emissários o meio ambiente natural já terá apurado a água, tornando-a adequada para uso pelos moradores das margens e cidades localizadas rio abaixo.

Um ponto em comum entre todos os tipos de ETEs é a preocupação inicial em reter o lixo e a areia que estão misturados aos efluentes. Já na saída da Linha de Recalque, os efluentes são lançados em uma espécie de cesto metálico formado por grades, que retém todo o lixo grosseiro – esse processo é chamado Gradeamento. A seguir, os efluentes passam pelo processo de Desarenação, que é a retirada por decantação da areia e de outros materiais particulados como pó de café, resíduos de ossos, sementes etc. Os esgotos são encaminhados para um tanque, onde o material particulado decanta (vai para o fundo do tanque) pela ação da gravidade. Esses dois processos formam o chamado Pré Tratamento dos Esgotos.

Isso é só o começo. Continuaremos no próximo post.

POÇO DE VISITA, POÇO DE INSPEÇÃO E TERMINAL DE LIMPEZA

Poço de Visita

No último post falamos dos principais tipos de tubulações que formam uma Rede Coletora de Esgotos, dando uma ideia da complexidade do projeto e execução deste tipo de obra. Hoje, vamos complementar as informações, mostrando algumas estruturas que são construídas ao longo das tubulações, fundamentais para as operações de limpeza e manutenção de toda a Rede.

Redes Coletoras de Esgotos, a princípio, são instaladas e operadas com o objetivo de receber os efluentes dos sistemas sanitários domésticos, formados em média por 97% de águas servidas e 3% de matéria sólida. Infelizmente, muitos usuários da Rede imaginam que todo o tipo de lixo e materiais podem ser lançados e descartados nas tubulações, especialmente a partir do vaso sanitário. Incluem-se na lista papel, preservativos, absorventes íntimos, bitucas de cigarros, brinquedos e peças plásticas; na pia da cozinha há eliminação de restos de comida, sementes de frutas, fragmentos de ossos e, infelizmente, a eliminação de óleo usado; das lavanderias são eliminados botões, moedas, fibras de tecido e pequenas quantidades de areia; por fim, nos ralos dos banheiros escorrem centenas de fios de cabelos todos os dias. A combinação de todos esses materiais correndo através das tubulações tem potencial para criar obstruções e entupimentos progressivos na Rede.

Uma outra fonte de problemas são os lançamentos ilegais de águas pluviais nas Redes Coletoras de Esgotos, que carreiam todo o tipo de lixo e fragmentos para o interior das tubulações, especialmente areia. Essa areia decanta e vai se acumulando no fundo das tubulações, reduzindo gradativamente a área da seção transversal, o que significa uma redução no fluxo de efluentes e risco de entupimentos graves ou até obstrução total das tubulações.

Poço de Visita (PV) é uma câmara destinada a permitir visitas de técnicos para inspeção e trabalhos de manutenção preventiva ou corretiva nas tubulações da Rede Coletora de Esgotos, função similar à das caixas de inspeção instaladas no ramal interno de esgotos dos imóveis, ou seja, permitir o acesso às tubulações enterradas sem que haja a necessidade de se fazer escavações no solo. Também têm a função de interligar diferentes redes de tubulações. Estes poços são construídos usando-se tubos de concreto enterrados no sentido vertical, entre o nível da rua e o nível onde estão enterradas as tubulações. O poço recebe uma tampa de concreto onde há um tampão de ferro no centro da peça.

Os Poços de Inspeção (PI) têm uma construção semelhante, porém utilizam tubulações de menor diâmetro e não permitem a entrada e descida de técnicos. Os Terminais de Limpeza (TL) são tubulações de pequeno diâmetro instaladas no sentido vertical, que permitem a injeção de água pressurizada para a lavagem e desentupimento de trechos da rede de esgotos.

Quanto maior a quantidade dessas estruturas ao longo das Redes Coletoras de Esgotos, maior a garantia de acesso e facilidade dos serviços de manutenção e limpeza. Porém, se construídas de forma errada (o que infelizmente ocorre com muita frequência), os tampões de ferro podem ficar ou muito acima ou muito abaixo do nível do pavimento, criando uma fonte de problemas e de riscos para o tráfego de veículos. Nos últimos anos, esse problema vem sendo provocado por operações de fresagem e recapeamento do pavimento asfáltico de ruas e avenidas, onde não há um cuidado com a correção do nível dos tampões. Outro problema sério são os roubos destes tampões de ferro por catadores de sucata, criando verdadeiras armadilhas para os motoristas e pedestres – eu mesmo, ironicamente, já quebrei a suspensão do carro num PV sem o tampão. Felizmente, os novos tampões que estão sendo utilizados nestas obras possuem um sistema de trava, que evita (ou dificulta muito) o roubo das peças e tranquiliza a vida dos motoristas.

Vamos começar a falar do tratamento dos efluentes na Estação de Tratamento de Esgotos no próximo post.

Para saber mais: Esgoto Sanitário: que trem é esse sô?

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COLETORES TRONCO, INTERCEPTORES E LINHAS DE RECALQUE

Coletor Tronco

O diâmetro das tubulações de uma rede hidráulica como as de abastecimento de água e de esgotos vai variar ao longo de toda a rede. Conforme o volume de efluentes aumenta ou diminui em um determinado trecho da rede, o diâmetro das tubulações também vai aumentar ou diminuir e as especificações técnicas e materiais utilizados nas produção das tubulações também vão variar. Essas variações tem como objetivo adequar tecnicamente as necessidades de escoamento dos volumes locais de efluentes com o controle de custos – quanto maior o diâmetro de uma tubulação, maior é o custo em materiais e mão de obra para a sua instalação. Se você imaginar que uma Rede de Abastecimento de Água ou de Esgotos tem centenas ou até milhares de quilômetros de extensão, faz todo o sentido o controle adequado dos recursos.

A maior parte das tubulações de uma Rede Coletora de Esgotos é formada por tubulações de pequeno diâmetro, na faixa entre 150 e 200 mm; essas tubulações são as primeiras a receber o efluentes na saída dos imóveis. Essas tubulações são instaladas nas ruas de um bairro e despejam os efluentes em tubulações de grande porte, conhecidas como Coletores Tronco. Essas tubulações são projetadas para formar grandes eixos receptores para os esgotos de centenas ou até milhares de imóveis, estruturando a Rede Coletora. Nesse projeto são analisadas a quantidade de imóveis e o número estimado de moradores no bairro ou região, determinando-se o volume máximo de esgotos gerados e o diâmetro necessário para o Coletor Tronco. Esse cálculo considera, inclusive, as projeções de crescimento da população local nos próximos anos.

Os Coletores Interceptores são tubulações de esgotos similares aos Coletores Tronco, instaladas ao longo das margens de rios e córregos e que tem a função de interceptar os esgotos que estão sendo lançados por redes coletoras diretamente no corpo d’água. Rios e córregos são os pontos mais baixos de uma bacia ou sub-bacia hidrográfica e, normalmente, as redes coletoras de esgoto de cidades que não possuem Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) são construídas de forma a despejarem as águas residuárias diretamente nesses corpos d’água. Quando há uma decisão do poder público ou da empresa de saneamento local em instalar uma ETE para o tratamento dos esgotos, a construção dos interceptores é uma das maneiras mais eficientes e baratas de coletar os esgotos e encaminhá-lo para tratamento.

Normalmente, as áreas de fundo de vale são as mais desvalorizadas de uma cidade (principalmente quando o corpo d’água está altamente poluído por esgotos) e os custos de desapropriação dos terrenos é muito baixo, o que facilita a viabilização do projeto. A declividade natural do terreno ao longo do curso do rio é favorável ao escoamento dos esgotos pelo Interceptor. Muitos projetos de construção de Coletores Interceptores acabam viabilizando a construção das avenidas de fundo de vale, que incluem a canalização ou retificação de rios e córregos e também a transferência de populações de baixa renda, que usualmente são forçadas a buscar estes terrenos como alternativa de moradia.

As Linhas de Recalque são as tubulações instaladas na saída de uma Estação Elevatória de Esgotos e são projetadas para trabalhar sob pressão (normalmente são tubulações metálicas). As Linhas de Recalque levam os esgotos até uma outra bacia ou sub-bacia ou então na direção da Estação de Tratamento de Esgotos.

Você já deve estar percebendo que a construção das essenciais Redes Coletoras de Esgotos não é tão simples quando pode parecer a princípio e que sem o real compromisso dos governantes nunca serão construídas na velocidade e quantidade necessária para atender as populações.

Vamos continuar no próximo post.

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE ESGOTOS

Luke Jerram

O post de hoje apresenta uma belíssima imagem – a foto de uma instalação criada em 2.010 pelo artista plástico britânico Luke Jerram no canal de Rotterdam na Holanda. Num trecho de 300 metros do canal, o artista instalou 1.000 guarda-chuvas vermelhos e amarelos, que flutuaram aleatoriamente nas águas por três dias. O que tudo isso tem a ver com o tema? Explicaremos:

Os esgotos correm por gravidade, do ponto mais alto (Montante), para o ponto mais baixo (Jusante). Mas em alguns pontos, muito baixos, onde a gravidade não pode ser utilizada, é necessária a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE), uma instalação essencial dentro de uma Rede Coletora de Esgotos. A Estação Elevatória é o local que recebe os esgotos de uma ou mais sub-bacias, ou seja, é o ponto mais baixo e que tem a função de fazer o bombeamento dos esgotos deste ponto mais baixo para outro mais alto, encaminhando para as tubulações conhecidas como coletores interceptores de outra bacia ou sub-bacia.

Usando esse tipo de linguagem, será quase impossível que um leigo consiga entender o que é e como funciona uma Estação Elevatória de Esgotos. Pensando por vários dias numa imagem que ajudasse a explicar essa estrutura, me veio a mente a imagem de um guarda-chuva invertido, como esses da imagem – se você observar as varetas de um guarda chuva, vai observar que elas começam numa parte mais alta, na borda do tecido e convergem numa curva na direção da haste central. Essa imagem é muito similar ao que acontece com as tubulações de uma Rede Coletora de Esgotos – elas são enterradas em profundidades cada vez maiores, até que se atinja o limite de perfuração de, normalmente, 5 metros. Todas as tubulações de uma sub-bacia convergem na direção deste ponto mais baixo, que no caso da imagem do guarda-chuva é a haste central – é exatamente nesse local onde é construída a Estação Elevatória de Esgotos.

A maneira mais didática para se entender o que é uma Estação Elevatória de Esgotos é imaginá-la com um grande reservatório subterrâneo que têm a função de receber, de forma coletiva, todos os esgotos das casas, indústrias, hospitais, comércios e demais estabelecimentos de um determinado bairro ou localidade de uma cidade. Conforme esse reservatório vai enchendo, um sistema de bombas de sucção é acionado e os esgotos são bombeados na direção de outra bacia ou diretamente para a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE). Olhando para a foto que ilustra esse post, podemos imaginar o subsolo de uma cidade como esse conjunto de guarda-chuvas invertidos, cada um representando uma sub-bacia – quando um dos guarda-chuvas estiver cheio de água, uma bomba transfere a água para o guarda-chuva vizinho e assim sucessivamente até que chegue na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE). Normalmente, a ligação entre a última Estação Elevatória e a ETE é feita por uma Linha de Recalque.

As Estações Elevatórias de Esgotos possuem um sistema para a filtragem ou gradeamento das águas residuárias. O objetivo desse filtro ou grade é remover o lixo grosseiro e outros materiais sólidos lançados indevidamente na rede de esgotos, prevenindo assim a queima das bombas e outros problemas técnicos.

As Estações Elevatórias são projetadas com capacidade para receber os efluentes gerados por vários dias na sub-bacia – essa é uma estratégia de segurança para o caso de queima das bombas ou qualquer outro problema eletromecânico. As Estações Elevatórias funcionam automaticamente, controladas remotamente a partir de uma central de controle da empresa de saneamento. Como são estruturas subterrâneas o máximo que você conseguirá visualizar será uma cabine ou uma pequena construção onde estão instalados os painéis elétricos de controle da Estação Elevatória de Esgotos. Muitos de você podem até ser vizinhos de uma destas Estações Elevatórias e não sabiam.

Para saber mais:

Esgoto Sanitário: que trem é esse sô?

PROBLEMAS DE JURISDIÇÃO, OU ESSA RUA É MINHA!

Obras na pista

Qualquer obra que venha a ser realizada em logradouro público (ruas, avenidas, vielas, praças, túneis, parques públicos etc) precisa de autorização do ente público responsável, normalmente a Prefeitura da Cidade. Em algumas ocasiões, por exemplo num caso de um parque estadual, o ente será o Governo Estadual ou ainda no caso de uma rodovia federal, será o Governo Federal. Essa regra vale desde a instalação de um poste de distribuição de energia elétrica até obras mais complexas como redes de drenagem de águas pluviais e de coleta e tratamento de esgotos, além das obras de arte (pontes, viadutos, etc), rodovias, ferrovias etc. Mesmo que seja uma obra da própria Prefeitura, conquistada através de licitação pública, onde a empresa vencedora já disponha de todas as licenças ambientais, essa exigência é mantida.

A empresa contratada para fazer a obra deve procurar o órgão público responsável (normalmente é uma Secretária de Obras e Vias Públicas) e protocolar o pedido de autorização, acompanhado do projeto executivo e dos documentos do técnico e da empresa responsáveis pela execução da obra. No caso de obras lineares, que são aquelas realizadas em vias públicas e que vão exigir o bloqueio temporário do tráfego de veículos e pessoas, o órgão público tem a obrigação de avaliar todos os impactos que serão sentidos pela região do entorno: quais serão as vias alternativas para o tráfego, locais para a transferência dos pontos de ônibus, o acesso a escolas, hospitais, delegacias, repartições públicas, comércios e demais estabelecimentos. Obras públicas são importantes para a melhoria das condições de vida dos munícipes, porém deve-se assegurar o direito de ir e vir dos cidadãos. Cabe ao órgão público encontrar uma fórmula que atenda aos anseios de todas as partes interessadas, observando que aqui estão incluídos diferentes órgãos da administração pública: departamentos de trânsito e transportes, educação, saúde, limpeza urbana e serviços de coleta de lixo entre outros. Essa análise, evidentemente, vai requerer um determinado prazo para que seja concluída e negociada com o requerente na busca da melhor forma de execução; a depender das disputas políticas entre os grupos locais, esse tempo de análise da autorização para execução da obra poderá ser ou muito curto ou muito, muito comprido – eu já passei pelos dois extremos e gostaria de fazer alguns comentários.

Em 2007, durante a execução de obras de ampliação da rede coletora de esgotos na cidade de Itanhaém, litoral sul do Estado de São Paulo, o consórcio de empresas construtoras em que trabalhava teve total apoio da Prefeitura local, cuja equipe política era aliada do Governador do Estado, patrocinador das obras. Esse apoio foi tão grande que a Câmara de Vereadores votou alterações na Lei Orgânica do Município, modificando alguns dispositivos que viriam a facilitar a liberação de trechos de obras e, assim, agilizaria o nosso trabalho. Em um outro projeto em 2011, agora na Região Metropolitana de São Paulo, enfrentei o chamado “outro lado da moeda”: obras de ampliação da rede coletora de esgotos, também patrocinadas pelo Governo Estadual, mas agora em cidades administradas por opositores ferrenhos do Governador: o prazo de análise e liberação de obras era de seis a oito meses – inviável para qualquer construtora; quando se obtinha o alvará de autorização, as visitas dos fiscais da Prefeitura eram quase que diárias e frequentemente resultavam em multas pelos mais diferentes motivos. Eu costumo sempre dizer que não basta haver um projeto de saneamento básico com recursos disponíveis – se não houver vontade política da parte dos administradores locais, dificilmente as obras poderão ser finalizadas; esse é o principal motivo do Brasil ser um grande cemitério de obras públicas abandonadas, particularmente na área do saneamento básico, com desperdício de recursos públicos de um lado e comunidades carentes destes serviços do outro.

Nessas verdadeiras batalhas nas disputas por jurisdição, é comum que se esqueçam que os verdadeiros donos das ruas são os seus moradores, que anseiam por melhorias em suas vidas. Infelizmente, quase sempre eles são deixados de lado.

INTERFERÊNCIAS, OU OS MISTÉRIOS DO SUBSOLO

Arqueologia

No meu último post falei sobre a necessidade de se conhecer detalhadamente as características da bacia e sub-bacias hidrográficas de um bairro ou de uma cidade como pré condição para o desenvolvimento de um projeto de uma Rede Coletora de Esgotos. Porém existe um enorme problema – por melhor que sejam esses estudos, o subsolo de qualquer cidade é uma verdadeira caixa preta: só se saberá o que existe no subsolo com os trabalhos de escavação das valas, num verdadeiro trabalho de arqueologia urbana.

Quanto mais antiga é uma cidade, maiores as possibilidades de se encontrar surpresas no subsolo. Anos atrás em Roma, conversei rapidamente com uma equipe de operários que estava tentando há dois meses substituir um trecho de uma tubulação de abastecimento de água nas proximidades do Coliseu, um dos mais famosos monumentos da antiguidade. Um desconsolado encarregado afirmou que a cada 10 metros de escavação encontravam vestígios arqueológicos e eram obrigados a paralisar os trabalhos e chamar a Soprintendenza Speciali per i Beni Archeologici di Roma, o departamento responsável pelo estudo e preservação dos bens culturais de Roma, uma cidade com mais de 2.750 anos de história. No Brasil, qualquer achado arqueológico é considerado patrimônio da União e qualquer obra de escavação que encontre algum vestígio histórico deve ser imediatamente paralisada e os órgãos municipais, estaduais ou federal devem ser informados imediatamente – dependendo da importância do achado, o traçado da obra poderá, inclusive, ter de ser modificado.

Outras fontes potenciais de interferências em obras subterrâneas são: veios rochosos; trilhos enterrados (na cidade de São Paulo, por exemplo, existem dezenas de quilômetros de trilhos de bonde cobertos por asfalto); redes de águas pluviais; redes de gás, telefonia, eletricidade e TV a cabo; fossas (apesar de proibido, é comum se encontrar fossas escavadas sob as calçadas e ruas); gasodutos e oleodutos; esqueletos e restos mortais humanos (aqui será importante determinar se são elementos históricos/arqueológicos antigos ou simplesmente um caso policial); dependendo da região em que se trabalha, poderão ser encontrados fósseis de animais pré históricos, entre outros tipos de achados. Em países e regiões que passaram por guerras, existe um tipo específico de interferência, que felizmente não encontramos aqui no Brasil: bombas e minas terrestres não detonadas, que vão exigir o trabalho especializado de equipes anti bombas das forças militares locais; recentemente, em Londres, Inglaterra, uma grande bomba não detonada da II Guerra Mundial foi encontrada em um canteiro de obras de ampliação da rede do Metrô daquela cidade.

Instalações mais modernas como dutos de água, gás, telefonia e eletricidade devem ser informadas às respectivas Prefeituras para documentação e futura consulta nos processos de autorização de obras (as construtoras precisam solicitar autorização das Prefeituras para realizar qualquer tipo de obra linear em logradouros públicos); mesmo assim podem acontecer erros nestas documentações – um amigo estava realizando uma obra de manutenção na Praça do Três Poderes, em Brasília e, acidentalmente, uma das suas retroescavadeiras partiu um cabo telefônico subterrâneo e deixou o Palácio do Planalto sem telefone por várias horas: a planta fornecida pelo Governo Distrital estava errada e esse amigo teve muito trabalho para convencer a Polícia Federal disso.

Interferências subterrâneas em obras de Redes de Esgotos são frequentes e podem provocar atrasos significativos e custos extras. Conforme discutimos no meu último post, essas Redes precisam apresentar uma declividade adequada ao fluxo dos esgotos por gravidade – qualquer obstáculo encontrado vai exigir modificações na profundidade e nos trajetos das tubulações; algumas vezes, traçados inteiros terão de ser refeitos, com alterações complexas nos projetos – se o administrador público responsável pelo contrato não tiver firmeza no comando, a obra dificilmente será concluída.

Continuaremos no próximo post.

BACIA E SUB BACIA HIDROGRÁFICA

Topografia

Antes de se iniciar o projeto de uma Rede de Esgotos em uma cidade, é necessário que se faça um levantamento topográfico detalhado, ou seja, a determinação das variações de nível de cada rua, avenida, praça e demais logradouros. Como já havia comentado, as Redes Coletoras de Esgotos funcionam utilizando a força da gravidade – os esgotos fluem sempre de um ponto mais alto do terreno na direção do ponto mais baixo – é justamente o levantamento topográfico que vai permitir o determinar o “caminho” a ser seguido pelos efluentes. Com esses dados em mãos, os projetistas da Rede de Esgotos dividirão a cidade em bacias e sub-bacias hidrográficas. De uma forma bem simplificada, você pode imaginar a bacia hidrográfica como um grande telhado de uma casa – por força da gravidade, a água da chuva corre do ponto mais alto, a cumeeira, para o ponto mais baixo do telhado, os beirais; as sub-bacias são as subdivisões de um bacia hidrográfica.

No caso de uma região geográfica, os pontos mais altos são os topos dos morros ou os bairros mais altos da cidade e os pontos mais baixos são os vales onde ficam os córregos e rios. O “desenho” ou a topografia do solo foi criado pela erosão feita pelas chuvas, pelas águas dos córregos e rios, além da força dos ventos e os desgastes dos movimentos de geleiras (extensas áreas do território do Brasil já foram cobertas por espessas camadas de gelo em antigas eras geológicas), num trabalho que levou alguns milhões de anos para ser concluído. Quando o traçado da sua rua, do seu bairro ou da sua cidade foi planejado, essas diferenças de níveis ou altitudes do terreno foram cuidadosamente estudas e avaliadas por uma questão bem elementar – planejar o futuro escoamento das águas pluviais ou de chuva (a famosa drenagem das águas pluviais), disciplina das mais elementares do urbanismo. O projeto das Redes de Esgotos segue pela mesma linha – é preciso estudar as bacias e sub-bacias hidrográficas da região onde a cidade está inserida para determinar o melhor caminho para o escoamento dos efluentes, ou seja, para desenvolver o projeto desta Rede.

Como a topografia de um terreno nunca é totalmente regular, são necessários ajustes nas direções que as Redes de Esgotos seguirão e também na profundidade de instalação das tubulações, de forma a potencializar o uso da força da gravidade. Para permitir que os esgotos fluam adequadamente, as tubulações da Rede necessitam de uma declividade mínima de 2% – isso significa que para cada 1 metro que a tubulação avança, a profundidade deve variar o equivalente a 2 cm, religiosamente; para que você entenda isso melhor, imagine um trecho de Rede com 100 metros de comprimento – se no início da escavação a profundidade da tubulação estava em 1 metro, o final do trecho deverá ter 3 metros de profundidade – essa diferença de 2 metros na profundidade corresponde exatamente a 2%. É essa declividade que faz com que os esgotos fluam naturalmente.

Durante as obras de escavação das ruas e avenidas para implantação das tubulações, os trabalhadores precisam medir constantemente a profundidade das valas e conferir a todo o momento a declividade das tubulações; caso haja algum erro nessas medições, o trabalho terá de ser refeito. É por isto que a execução de um trecho de apenas 100 metros de uma rede de esgotos levará vários dias para ser concluído, enquanto que a implantação de um trecho de uma rede pressurizada de abastecimento de água do mesmo tamanho será feito em poucas horas. Redes de Esgotos são muito mais caras, complexas e demoradas, além de raras, se comparadas com as Redes de Abastecimento de água, por causa destas particularidades, apesar de serem similares em importância.

Continuamos no próximo post.

A REDE COLETORA DE ESGOTOS

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A Rede Coletora de Esgotos é formada pelo conjunto de tubulações que recebe as águas servidas do imóvel (água suja proveniente das pias, tanques e ralos e o esgoto do vaso sanitário). Essa água é afastada dos imóveis e é encaminhada através das tubulações da Rede Coletora para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), onde os efluentes são tratados antes de serem despejados em corpos de água. Além das tubulações, a Rede Coletora de Esgotos necessita de uma série de instalações complementares e tubulações especiais para o seu perfeito funcionamento: Estações Elevatórias de Esgoto (EEE), coletores tronco, interceptores, linhas de recalque, emissários entre outros.

As tubulações da Rede Coletora de Esgotos têm diâmetro entre 15 cm (mais de 80% de uma Rede típica utiliza esse diâmetro de tubulação) e 50 cm. A grande maioria dos tubos é fabricada em PVC (Poly Vinyl Chloride – Poli Cloreto de Vinila), resinas plásticas de alta qualidade e durabilidade e também em PEAD (Poli Etileno de Alta Densidade); em alguns trechos a tubulação utilizada pode ser de ferro fundido, concreto especial, cerâmica entre outros materiais construtivos. As tubulações desta Rede são instaladas, normalmente, em profundidades entre 1 e 4 metros. Profundidades maiores, sempre que possível, são evitadas, uma vez que se torna necessário o uso de escavadeiras de maior porte; valas profundas estão sujeitas a riscos maiores de desmoronamentos e necessitam de escoramentos reforçados nas paredes para a segurança dos trabalhadores.

Diferente das tubulações da Rede de Abastecimento de Água, que trabalham por pressão, as tubulações da Rede Coletora de Esgotos funcionam por força da gravidade – o esgoto corre de um ponto mais alto para um ponto mais baixo de um terreno, similar ao que acontece com a enxurrada de uma chuva, que corre na direção da sua drenagem natural que são os rios e córregos. Essa característica torna a construção das Redes de Esgotos um verdadeiro desafio técnico, que encarece muito a sua construção.

Uma rede de água pressurizada utiliza torneiras e registros nos pontos de saída, que são abertos e fechados conforme as necessidades de uso; já os pontos de saída de esgotos de um imóvel são abertos (possuem apenas o fecho hídrico, assunto que já tratamos por aqui). Se, eventualmente, alguém pressurizar um determinado trecho de uma Rede de Esgotos , todo o volume de esgotos presente nas tubulações vai retornar para o interior dos imóveis – imagine a imagem de vasos sanitários se transformando em pequenos vulcões e expelindo “lava” – seria um verdadeiro desastre.

Durante os trabalhos de escavação das valas e instalação das tubulações de esgotos, há um controle rigoroso da profundidade e da inclinação das tubulações, seguindo-se à risca as instruções do projeto técnico. Esse é o principal motivo para a diferença de velocidade na execução das Redes de Esgotos e de Abastecimento de Água Potável. Também é por esse motivo que, em alguns pontos dos bairros da cidade, a população vai se surpreender com o grande volume de terra escavada e com a profundidade na qual a tubulação vai ser assentada, podendo chegar à marca dos 4 metros. Sempre que as tubulações da Rede atingem essas profundidades, é necessária a construção de uma Estação Elevatória de Esgotos (EEE) – essas Estações Elevatórias recebem todos os esgotos de um bairro, por exemplo, e utilizando de um sistema de bombas elétricas os encaminham por força de pressão (nesses trechos são utilizadas tubulações de ferro fundido) para um ponto alto de outro bairro, de forma que os esgotos voltem a correr por força da gravidade. O bombeamento dos esgotos por Estações Elevatórias é repetido várias vezes, conforme o projeto da Rede de Esgotos, até que chegue finalmente na Estação de Tratamento de Esgotos – vamos detalhar isso em outros posts.

ESGOTO CORRENDO A CÉU ABERTO – O PIOR DOS MUNDOS

Favela

Anos atrás, tive como vizinhos de porta no meu prédio um simpático casal de turcos islamitas. A princípio, estranhava os costumes das mulheres que entravam e saiam com o véu na cabeça e corpo totalmente coberto, a língua estranha soando pelos corredores, a fobia que a presença do meu cachorro provocava nessas pessoas e, principalmente, a pilha de sapatos que se amontoava na porta do apartamento – em hipótese alguma, os moradores e os visitantes entravam na residência calçados. Com o tempo, fiquei amigo deste casal e descobri finalmente o porquê dos sapatos na porta: muçulmanos rezam cinco vezes ao dia ajoelhados no chão, que tem de estar impecavelmente limpo.

Comecei descrevendo essa pequena memória afetiva para relembrar o meu último post, onde comentei sobre doenças associadas ao despejo de esgotos sem maiores cuidados e falando especificamente da diarreia, uma doença covarde que ceifa a vida de milhares de criancinhas ano após ano – os patógenos desta e de outras doenças são carregada para dentro das casas nas solas dos sapatos – nós, ao contrário dos meus amigos islamitas, chegamos das ruas e entramos em nossas casas carregando  em nossos calçados tudo de ruim dos lugares em que pisamos. Seguir este costume oriental seria algo bastante proveitoso aqui em nosso país.

Dos problemas criados pelos esgotos, o despejo em ruas e sarjetas, correndo a céu aberto, é de longe um dos mais maléficos para a saúde das pessoas. Além da contaminação ambiental e do solo, com os problemas já descritos associados aos pedestres, esses efluentes atrairão hordas de insetos, ratos, espalhará mau cheiro entre outros problemas sanitários. Em dias de chuva irão se misturar com as águas pluviais, aumentando ainda mais o alcance da contaminação e dos problemas associados.

Efluentes correndo a céu aberto são comuns em “comunidades”, nome politicamente correto que vem sendo usado para descrever “aglomerações de moradias subnormais” – favelas, mocambos e palhoças (dependendo da região), cortiços e outros conjuntos de moradias improvisadas, onde famílias de baixíssima renda constroem suas moradias. Essas comunidades normalmente ocupam terrenos ou imóveis invadidos, ou então encostas de morros e terrenos de áreas de várzea. As técnicas construtivas são das mais precárias, utilizando-se os materiais disponíveis – no caso das favelas, é muito comum um barraco se apoiar no outro, ocupando-se assim praticamente toda a área do terreno: não há sobra de espaços para a escavação e uso de fossas. Nessas localidades, raramente há condições técnicas e financeiras para a instalação de tubulações que permitam o afastamento dos esgotos de maneira adequada. Usualmente, é feita a escavação de um canal de drenagem no leito das vielas, de forma a facilitar ao máximo o escoamento dos efluentes e nada mais. Em comunidades que ocupam áreas alagadiças como várzeas, planícies de maré e manguezais, é comum as construções serem apoiadas em paliçadas de madeira – os esgotos são lançados diretamente no terreno abaixo, esperando-se que a correnteza ou a maré arraste os esgotos para longe. Nos demais casos, a correnteza de efluentes procurará sempre um corpo d’água terreno abaixo ou o sistema de drenagem de águas pluviais na busca de um “destino” final.

Dados do Censo 2010 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que 6% da população brasileira, ou 11 milhões de pessoas, vive nestas condições, o que torna o problema um desafio gigantesco, que extrapola a área do Saneamento Básico e avança na problemática do deficit habitacional. Essas populações se somam àquelas dos bairros “urbanizados” que não possuem redes de coletas de esgotos implantadas e que se utilizam de todos os tipos de improvisos para descartar seus efluentes

Existe muito, muito o que se fazer em infraestrutura básica neste nosso país.