REATORES ANAERÓBIOS

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Como comentei em meu último post, existem vários processos técnicos que podem ser utilizados para o tratamento dos esgotos. A escolha da tecnologia a ser utilizada vai depender do tamanho e da topografia da área disponível, do volume de esgotos a ser tratado, dos custos do transporte (bombeamento) dos esgotos até a ETE, do grau de tratamento de efluentes que se deseja alcançar, etc. Uma das tecnologias mais eficientes para a realização do tratamento é a das Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Filtro Biológico. Esse tipo de Estação necessita de uma área relativamente pequena para sua construção, tem maior eficiência no tratamento dos esgotos e na redução da carga poluente, além de maior flexibilidade na operação. Como desvantagens apresentam um custo operacional elevado, exige um controle constante da qualidade dos efluentes tratados em um laboratório e sua operação exige o uso de mão de obra especializada.

Nessas Estações, o processo do tratamento dos esgotos é iniciado efetivamente nos Reatores Anaeróbios, unidades onde se processam a remoção de cerca de 70% dos sólidos totais e a remoção de uma fração significativa da carga orgânica dos esgotos. Os Reatores são reservatórios que, após receberem um grande volume de efluentes, são lacrados por um período de até 72 horas, período destinado à decomposição dos esgotos.

No processo são utilizados microrganismos anaeróbios. Esses microrganismos retiram o oxigênio através de ações sobre os compostos orgânicos ou inorgânicos que contêm o oxigênio que será usado no seu metabolismo, ao invés de retirá-lo do ar. Este processo bacteriano é denominado de putrefação ou decomposição anaeróbia e acontece no interior dos reatores anaeróbios. Durante esse processo há eliminação de gases como o metano, que são capturados por um sistema de tubulações e encaminhados para queima com segurança em uma chaminé especial ou podem ser canalizados para uma turbina a gás para queima e geração de eletricidade. A queima dos gases evita a contaminação do meio ambiente e elimina o mau cheiro, comum em outros tipos de Estações de Tratamento de Esgotos.

Os esgotos brutos possuem uma grande quantidade de materiais orgânicos que são considerados verdadeiros banquetes para os microrganismos anaeróbios. Essencialmente, o tratamento dos esgotos consiste em facilitar o crescimento das colônias de microrganismos e estimular estes a consumir todo o material orgânico. Como todo ser vivo, os microrganismos têm um ciclo de vida com nascimento, crescimento e morte. Esse ciclo de vida consome a carga poluente, que acaba transformada em materiais inertes que se separam da água por processo de decantação e são agregados com outros materiais particulados na forma de lodo sanitário.

Lodo sanitário ou de esgotos é um resíduo sólido, composto por partículas sedimentares de areia e argila, rico em nutrientes de origem orgânica, sais minerais e metais pesados, tóxicos, a depender da concentração. Dependendo do processo de tratamento de esgotos utilizado, podem possuir grandes colônias de bactérias, protozoários e outros microrganismos ainda vivos que durante as etapas de desidratação e secagem tendem a ser neutralizados.

Após o processo de tratamento no reator anaeróbio, a parte líquida do esgoto é encaminhada para o filtro biológico, que utiliza bactérias aeróbias no processo de tratamento; a parte sólida, o chamado lodo sanitário, é encaminhado para centrifugação e secagem. Depois de seco, o lodo sanitário é enviado para descarte em aterros sanitários controlados. Estudos demonstraram que o lodo sanitário é bastante eficiente como fertilizante em áreas de reflorestamento com plantações de pinus e eucalipto, o que é uma solução ecológica importante para o descarte deste material. Uma curiosidade – como é comum a existência de metais pesados como mercúrio, cádmio e cromo no lodo sanitário, não se recomenda seu uso como fertilizante em hortas e pomares devido aos riscos de contaminação.

No próximo post vamos falar do Filtro Biológico.

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