A CIDADE FLUTUANTE DAS ILHAS MALDIVAS 

Publicações falando do aquecimento global se tornaram bastante comuns aqui no blog. São notícias sobre fortes ondas de calor em algumas regiões, secas em outras, derretimento de geleiras em montanhas, desaparecimento de rios, entre muitas outras informações. Destacam-se ainda as frequentes postagens sobre o aumento do nível dos oceanos. 

Entre inúmeras razões para a elevação gradual dos oceanos podemos citar o derretimento da capa de gelo do continente antártico. De acordo com um artigo publicado na revista científica norte-americana PNAS – Proceedings of the Academy os Sciences, o derretimento do gelo antártico produziu um aumento do nível do mar de 1,4 centímetro entre 1979 e 2017. 

Isso pode até não parecer muita coisa, mas estamos falando de uma lâmina de água cobrindo toda a extensão dos oceanos do mundo, o que corresponde a cerca de 363 milhões de km². As correntes de água fria da Antártida que correm para os oceanos também estão causando mudanças na direção de correntes marítimas importantes e interferindo na formação de massas de chuvas em diferentes continentes.   

Para nós brasileiros que vivemos em um grande território de dimensões continentais, os impactos de uma elevação tão pequena do nível do mar não causam transtornos tão grandes. Podemos citar casos da destruição de construções ao longo de praias em cidades como Peruíbe e Santos, no Estado de São Paulo, na Praia da Macumba na cidade do Rio de Janeiro e em Atafona, no Norte fluminense, na foz do Rio São Francisco na divisa de Alagoas e Sergipe, ou ainda de Olinda, em Pernambuco. 

Em alguns, entretanto, a elevação do nível dos oceanos poderá representar uma verdadeira tragédia social e ambiente. Entre todos os países do mundo, pequenas nações insulares são as mais ameaçadas. E as Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, é um dos territórios em situação mais crítica. 

A Repúblicas das Maldivas, nome oficial do país, está localizada no Oceano Índico, próximo ao Sudoeste da Índia. São 1.196 pequenas ilhas, agrupadas em 26 atóis. A população total das ilhas é de 330 mil habitantes, que vivem basicamente da pesca e do turismo. 

O ponto mais alto da Ilhas Maldivas fica a exatos 2,3 metros acima do nível do mar – aliás, a altitude média do território é de 1,5 metros. A maior parte da população vive em áreas com altitude de 1 metro acima do nível do mar. A capital do país, Malé, onde vivem 100 mil pessoas fica a desesperadores 0,9 metros em relação ao nível do mar! 

As águas ao redor das Ilhas Maldivas são formadas por extensos bancos de corais multicoloridos, onde vivem as mais diversas espécies de peixes tropicais. Essas águas são consideradas como uma das melhores do mundo para o mergulho e foram fundamentais para colocar o pequeno país insular na rota do turismo internacional, principal atividade econômica das Maldivas. 

O visível avanço do mar contra as praias das Ilhas Maldivas é um dos grandes pesadelos para a população. A erosão continua de praias está provocando a redução gradual do já pequeno território das Maldivas, cuja área é de apenas 298 km². As preocupações com o eventual desaparecimento das Ilhas só aumentam – recentemente, a ilha New Moore, um pequeno pedaço de terra com 10 km² e com altitude média de 2 metros acima do nível do mar no Golfo de Bengala, foi totalmente encoberta pelas águas do Oceano Índico – a elevação do nível do mar é a causa mais provável para esta tragédia. 

Sem contar com muitas opções para resolver seus problemas, os maldives (ou maldívios), estão buscando soluções criativas – uma delas é um projeto para a construção de uma cidade flutuante. O local já foi escolhido e fica em uma lagoa paradisíaca a 15 minutos de Malé. A cidade terá cerca de 5 mil casas flutuantes e poderá abrigar uma população de aproximadamente 20 mil habitantes.  

As casas e demais edificações serão construídas sobre flutuadores, algo muito parecido com casas de ribeirinhos da Amazônia. Essas construções ficarão presas ao fundo do mar por sistemas de cabos e serão interligadas por pontes e docas também flutuantes (vide ilustração). A infraestrutura também incluirá escolas, restaurantes, lojas e igrejas. 

De acordo com informações do Governo das Maldivas, essa cidade flutuante não provocará maiores impactos ao meio ambientes. Existe inclusive planos para a construção de recifes artificias, que, além de representar um aumento dos habitats para as espécies marinhas locais, ajudarão a conter o avanço das ondas. 

A exemplo do que ocorre em cidades semelhantes, como é o caso da famosa Veneza na Itália, a circulação de moradores e turistas será feita quase que exclusivamente por embarcações. Também haverá opções para uso de bicicletas e scooters elétricas, além das boas e velhas caminhadas. 

O projeto está sendo gerenciado em uma parceria entre o Governo das Maldivas e escritórios de arquitetura da Holanda. O projeto, aliás, foi um dos finalistas do Prêmio Melhor Projeto do Futuro no MIPIM Awards 2022. A construção de todas as casas e demais construções deverão estar finalizadas em 2027. Neste mês de setembro algumas das casas já concluídas serão liberadas para a visitação. 

O preço de venda das casas ainda não foi divulgado, mas, com toda a certeza, não será dos menores do mercado internacional. Entre outros apelos de venda, o Governo local está prometendo visto de residência para os estrangeiros que comprarem casas na cidade flutuante. 

Como sempre comentamos aqui nas postagens do blog, todos nós precisaremos nos adaptar às mudanças climáticas. O que os maldives estão fazendo é justamente isso – se não dá para conter o aumento do nível do mar, o jeito é flutuar sobre ele. 

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