FORTES CHUVAS EM ALAGOAS COLOCAM MAIS DE 30 CIDADES EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA 

O Governador de Alagoas, Paulo Dantas, assinou um decreto na tarde dessa quinta-feira, dia 26 de maio, colocando 33 municípios do Estado em Situação de emergência por causa das fortes chuvas. Esse decreto permite uma agilização na liberação de verbas para o atendimento das vítimas, contratação de serviços e compra de materiais. 

O Estado de Alagoas vem enfrentando fortes chuvas desde a última terça-feira, dia 24. Em algumas regiões o volume acumulado de chuvas nesse período já ultrapassou 250 milímetros, um valor bem acima da média histórica para essa época do ano. 

Chuva demais e em pouco tempo numa região que já sofreu um forte desmatamento ao longo da história e com cidades sem uma infraestrutura de drenagem de águas pluviais minimamente adequada é um sinal de tragédia anunciada. Riachos, rios e lagoas transbordaram e mais de 3 mil pessoas tiveram de abandonar suas casas. 

O excesso de chuvas também provocou deslizamentos de encostas de morros e o desabamento de casas. Os incidentes foram registrados em Maceió, a capital do Estado, e em cidades do interior. Entre as cidades afetadas estão Barra de São Miguel, Coruripe, Maragogi, Marechal Deodoro, Paripueira, Penedo e Teotônio Vilela. 

De acordo com informações do CEMADEN – Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais, as chuvas devem continuar com intensidade moderada em toda a faixa Leste do Estado. O órgão alerta que há riscos de alagamentos e deslizamentos de terra por causa dos grandes volumes de chuva acumulados nas últimas horas. 

Segundo o INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, essas fortes chuvas estão sendo provocados pelo Distúrbio Ondulatório de Leste em associação com resquícios da frente fria que derrubou as temperaturas em grande parte do país há poucos dias atrás. 

O Distúrbio Ondulatório de Leste, também conhecido como Ondas de Leste, é uma perturbação dos ventos e da pressão que atuam na faixa tropical do globo terrestre que fica entre a África e o litoral do Brasil. Essa perturbação interfere no regime dos ventos alísios. 

Os ventos alísios sopram no sentido Leste-Oeste, formando nuvens de chuvas que atravessam o Oceano Atlântico e chegam ao litoral Leste do Brasil. O distúrbio está provocando chuvas em 5 Estados do Nordeste: Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. As chuvas se concentram na faixa Leste destes Estados. 

Os meses de junho, julho e agosto marcam o pico das chuvas na faixa Leste da Região Nordeste e já foi emitido um alerta pelo INMET sobre chuvas acima da média neste ano. Ou seja, tragédias como esta que está assolando dezenas de cidades em Alagoas no momento vão se repetir em outros Estados da Região nos próximos meses. 

Países como o Brasil, onde são predominantes os climas Equatorial e Tropical, estão sujeitos a fortes períodos de chuvas todos os anos. Isso pressupõe que cidades e Estados deveriam concentrar esforços para construir as infraestruturas para o controle e escoamento dessas águas pluviais, na remoção de famílias que vivem em áreas de risco e em encostas de morros, entre outras providencias. 

Infelizmente, como é do conhecimento de todos, nossos governantes fazem planos mirabolantes, porém, executam muito pouco do que foi planejado. Reportagens sobre desvios de verbas e superfaturamento de obras são constantes em todo o país. Chegam as chuvas e, no seu encalço, as enchentes e os desmoronamentos de encostas. Desgraçadamente, centenas de pessoas morrem todos os anos nessas tragédias. 

Um detalhe que sempre costumo lembras nas postagens são os decretos de situação de emergência. Em qualquer órgão público, a compra de materiais e a contratação de serviços só podem ser feitas mediante concorrência pública. Em situações de emergência, espertamente, essa exigência deixa de valer e as compras e contratações de serviços podem ser feitas livremente. 

Isto é uma espécie de “liberou geral” para prefeituras e Governos, onde autoridades e funcionários públicos sempre conseguem dar um jeitinho para ganhar “uns trocos” por fora dos fornecedores de materiais ou contrataram empresas de amigos para a realização de obras, onde certamente serão comtemplados com generosas gratificações. 

Um caso vergonhoso é a Região Serrana do Rio de Janeiro onde, frequentemente, as cidades são assoladas por fortes tempestades e decretos de situação de emergência são decretados. Entra ano e sai ano sem que os problemas mais elementares sejam resolvidos. A ALERJ – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, inclusive, já criou uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito. Essa comissão investigou muito e não puniu ninguém. 

É lamentável saber que tem muita gente se aproveitando dessas situações de catástrofe para ganhar dinheiro, mas isso acontece com muita frequência. Alagoas é um desses casos, onde hora falta água, hora se tem excesso de chuva. Muito triste, mas isso é uma realidade por lá. 

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