CICLONE EXTRATROPICAL PROVOCA FORTES CHUVAS NO SUL DA BAHIA E NO NORTE DE MINAS GERAIS 

Fortes chuvas estão castigando o Sul da Bahia e o Norte de Minas Gerais nesses últimos dias. Segundo o último balanço divulgado pela Defesa Civil da Bahia nesta segunda-feira, dia 13 de dezembro, já são mais de 220 mil pessoas afetadas, sendo mais de 15 mil desalojados e mais de 6 mil desalojados. Ao menos 10 pessoas morreram no Estado por causa das fortes chuvas. 

Os municípios mais fortemente atingidos pelas chuvas ficam no extremo Sul da Bahia. A lista inclui Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Itanhém, Mucuri, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Teixeira de Freitas, Vereda, Jucuruçú, Medeiros Neto, Prado e Itamaraju. Com menores estragos estão as cidades de Mascote, Itacaré, Itabuna, Ilhéus, Canavieiras, Camacan e Belmonte. O Governo da Bahia já declarou situação de emergência em, pelo menos, 51 municípios e o Governo Federal já reconheceu a mesma situação em 24 municípios baianos. 

No Norte de Minas Gerais os municípios em situação mais complicada ficam nas regiões dos vales dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce. De acordo com meteorologistas, essa região não registrava um volume de chuvas tão grande há mais de quarenta anos. O índice pluviométrico registrado neste último domingo, dia 12 de dezembro, atingiu a marca de 186 milímetros, um volume 47% superior à média histórica

O último balanço da Defesa Civil de Minas Gerais indica que mais de 11.500 pessoas já foram atingidas, sendo mais de 9.500 desalojados e quase 2 mil desabrigados. Ao menos 5 pessoas morreram em consequência dos fortes temporais em território mineiro. O Governo de Minas Gerais já reconheceu a situação de emergência em 31 municípios. 

As cidades mineiras mais fortemente atingidas pelas chuvas são Monte Azul, Serranópolis de Minas, Salinas e Fruta de Leite. Além de impactar o nível dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce, as águas das chuvas provocaram uma forte elevação no nível do rio São Francisco, porém, sem maiores consequências. Na região de Pedras de Maria Cruz, o nível do rio subiu mais de 4 metros

Fortes chuvas de verão, conforme já comentamos em inúmeras postagens aqui no blog, não deveriam representar nenhuma novidade para um país de clima essencialmente tropical e equatorial. Ano após ano, grande parte do território do país entra na temporada das chuvas e, pressupõe-se, que as nossas cidades apresentassem as mínimas infraestruturas para o escoamento das águas pluviais. 

Infelizmente, não é isso o que acontece: entra ano e sai ano com suas fortes e previsíveis chuvas, com Prefeitos e Governadores apelando por ajuda do Governo Federal para o socorro às vítimas das enchentes e dos desmoronamentos de casas e encostas de morros, além de recursos para a reconstrução de infraestruturas danificadas como ruas, avenidas e pontes. 

Aqui existe um mecanismo que não sei se a maioria dos leitores conhecem: sempre que se declara situação de emergência e/ou de calamidade pública, os Governos locais ficam liberados para usar as verbas públicas emergenciais sem a necessidade de processos com concorrência pública para a prestação de serviços e realização de obras. É uma verdadeira festa com dinheiro público… 

O responsável por essas fortes chuvas está bem distante do Sul da Bahia e do Norte de Minas Gerais – trata-se de um ciclone extratropical que está estacionado no litoral de Santa Catarina. Esse ciclone começou a formar no início da última semana ao longo da costa do Estado do Rio de Janeiro, onde surgiu uma área de baixa pressão. 

Conforme esse ciclone foi se deslocando para o Sul, ele foi se aprofundando em mar aberto e começou a organizar as típicas nuvens de formação ciclônica em espiral. O fenômeno trouxe ar mais frio do mar para o Sul do Brasil, provocando geadas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, além de provocar um clima típico de inverno na cidade de São Paulo. 

O Norte do Espírito Santo e de Minas Gerais, além do Sul da Bahia, foram atingidos por um sistema frontal induzido por um centro de baixa pressão no Oceano Atlântico, o que vem provocando volumes de chuva “absurdamente altos” nessas regiões. De acordo com medições pluviométricas feitas pelo CEMADEN – Centro Nacional de Prevenção de Desastres, o volume das chuvas atingiu a marca de 450 mm em Itamaraju e 171 mm em Porto Seguro. Ambos os municípios ficam na Bahia

Apesar da forte polarização política entre as autoridades do Governo estadual da Bahia e do Governo Federal, o que já rendeu uma longa lista de acusações e divulgação de informações conflitantes, as populações estão recebendo ajuda. Cestas básicas, roupas e itens de uso pessoal, muitos deles doados por organizações sociais civis, já foram distribuídos. 

O Ministério do Desenvolvimento Regional já anunciou a liberação de R$ 5,8 milhões para os municípios de Eunápolis, Itamaraju, Jucuruçu, Ibicuí, Ruy Barbosa, Maragogipe e Itaberaba. Uma portaria desse Ministério liberou outros R$ 1,2 milhão para ações de emergência em Eunápolis. O Governo Federal também anunciou a liberação de recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, para as vítimas dos municípios com decretação de situação de emergência.  

Nas regiões afetadas no Norte de Minas Gerais, onde a polarização política é bem menor do que na Bahia, a população também está recebendo ajuda dos Governos Estadual e Federal. Tropas das Forças Armadas também foram autorizadas a atuar no resgate e na realocação de pessoas desabrigadas pelas fortes chuvas. 

Também é fundamental destacar o incansável trabalho das Polícias Militares e Corpo de Bombeiros desses Estados, da Polícia Rodoviária Federal, das equipes da Defesa Civil, além de voluntários e de organizações da sociedade civil. 

De acordo com os meteorologistas, esse ciclone deverá se afastar cada vez mais do litoral e se dissipar em alto mar. Esse afastamento gradual do ciclone deverá resultar em problemas cada vez menores com fortes chuvas na Bahia e em Minas Gerais. 

O verão, época das fortes chuvas nas regiões Centro-Sul e Leste do Brasil, só vai começar oficialmente no dia 22 de dezembro. Isso é sinal que ainda enfrentaremos muitos problemas com fortes chuvas ao longo dos próximos meses. Infelizmente, muitas das tragédias humanas que vimos até agora são apenas referentes ao começo dessa temporada de chuvas. 

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