O TEMIDO CHORUME

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Matéria mostrada no Jornal da Band no dia 12 de dezembro tem tudo a ver com o tema de hoje: o chorume. A reportagem mostrou a contaminação da Baia de Sepetiba, no Estado do Rio de Janeiro (mostrada na imagem deste post) por chorume, que é lançado intencionalmente em um rio pelo aterro sanitário da cidade de Seropédica. O aterro instalou uma tubulação com extensão total de 5 quilômetros, que lança os resíduos no Rio da Guarda e este deságua na Baia. Ambientalistas informaram que mais de cem pescadores já foram afetados e que até 100 mil litros de chorume podem ter infiltrado no solo e contaminado o aquífero Piranema, responsável pelo abastecimento de 600 mil pessoas. A operadora responsável pelo aterro informou que “recebeu autorização do IBAMA para fazer o descarte desse chorume no rio”. Desculpa difícil de engolir.

O chorume é um líquido poluente, de cheiro nauseante e de cor escura, resultante dos processos de decomposição biológicos, químicos e físicos dos resíduos orgânicos. Com a ação das águas das chuvas, esse líquido se mistura a todo o tipo de materiais e produtos químicos presentes nos resíduos de um aterro sanitário ou de um lixão, possuindo um alto poder de contaminação do meio ambiente. É preciso ressaltar que esse chorume tóxico é diferente do biochorume, que é o líquido resultante do processo de compostagem dos resíduos orgânicos puros e que pode ser usado como fertilizante líquido.

As águas superficiais e subterrâneas são as principais vítimas da contaminação por chorume, podendo acarretar em sérios riscos de intoxicação para as populações que consomem essas águas. Entre outros elementos químicos, metais pesados tóxicos são encontrados no chorume: cádmio, arsênico, cromo, cobalto, cobre, mercúrio e chumbo – esses metais pesados são acumulados pelo organismo e provocam diversas doenças nos seres humanos. Entre as enfermidades mais comuns associadas à contaminação por metais pesados destacam-se as diarreias, tumores no fígado e tireoide, dermatoses, problemas pulmonares, rinite alérgica, alterações gastrointestinais e neurológicas.

O descarte de resíduos sólidos urbanos em lixões tem como consequência a lixiviação de chorume sem nenhum tipo de contenção, podendo infiltrar no solo e contaminar as águas subterrâneas, como ocorre no aterro em Seropédica, ou escorrer sobre o solo e atingir as fontes superficiais de água, com destaque preocupante dos reservatórios de água para fins de abastecimento. Já na construção dos aterros sanitários existe todo um cuidado com a impermeabilização do solo com argila e manta plástica, além da criação de condutos que receberão e direcionarão os fluxos de chorume na direção de tanques de contenção, onde o líquido ficará armazenado.

O chorume precisa passar por um processo de tratamento similar ao usado para o tratamento dos esgotos, podendo ser transportado através de caminhão pipa até uma ETE – Estação de Tratamento de Esgotos, onde receberá o mesmo tratamento dado aos esgotos sanitários da cidade; em aterros sanitários onde existe uma produção muito grande de chorume é mais viável a construção de uma estação de tratamento dedicada, onde são utilizados tratamentos aeróbios e/ou anaeróbios em reator fechado.

A composição química do chorume nunca é fixa e varia ao longo do tempo. Conforme aumentam as quantidades de resíduos, de água que infiltra no aterro e também quando tipos de resíduos diferentes passam a ser depositados no aterro, novos elementos químicos entram na composição do chorume, sendo necessário um acompanhamento frequente através de testes em amostras coletadas nos tanques de contenção. Dependendo da composição química identificada, os processos de tratamento em uso podem se mostrar inadequados e poderá ser necessária a implantação de outras tecnologias para o tratamento do chorume como o uso de tecnologias bioquímicas, enzimas especiais e eletrólise assistida por fotocatálise.

Os problemas com os resíduos sólidos não terminam no momento em que você coloca os sacos de lixo na rua para a coleta – eles persistem ao longo do tempo e o cuidado com o chorume deve ser constante. Fique sempre de olho!

4 Comments

  1. […] – A vala deve possuir uma declividade que permita o escoamento de líquidos por força da gravidade. A parte mais baixa da vala deve possuir um sistema de drenagem que possibilite o escoamento dos líquidos percolados na direção de um tanque que será utilizado para o armazenamento do chorume; […]

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