PINUS: A ESPÉCIE DE PLANTA MAIS AGRESSIVA DO MUNDO

pinus

Nos meus últimos posts falei bastante dos problemas associados à produção do papel e da celulose, especialmente a partir do eucalipto, cultura que responde por 85% da matéria prima usada pela indústria. A matéria prima restante é fornecida pelas plantações de pinus, fortemente concentradas na região sul do Brasil.

Árvores conhecidas como folhosas ou hardwood como o eucalipto produzem a chamada celulose de fibra curta; as coníferas ou softwood como o pinus produzem a celulose de fibra longa. Cada tipo de celulose tem características diferentes, adequadas para a produção de tipos diferentes de papel: a fibra curta é ideal para a produção de papéis macios, de alta absorção e opacidade; a celulose de fibra longa produz papéis de maior resistência mecânica.

O pinus, como qualquer outra planta exótica introduzida em um outro ecossistema, sofre um processo de adaptação ou naturalização e, não encontrando predadores naturais como aqueles existentes em seus ambientes originais, começa a ocupar o espaço das espécies nativas e produz mudanças nos ecossistemas. Essas plantas recebem o título nada honroso de “invasoras biológicas” – o pinus é considerado a espécie de planta mais agressiva do mundo. A espécie de origem norte americana não tem inimigos naturais, predadores ou herbívoros que se alimentem de suas sementes aqui no Brasil. Também não depende de animais ou insetos para sua polinização, cresce em solos pobres e tem alta capacidade de regeneração.

Espécies de árvores como o pinus são grandes dispersoras de sementes, podendo lançar até 3 milhões de sementes por hectare, com um índice de germinação de 90%. As sementes possuem duas abas semelhantes a asas e são facilmente carregadas pelos ventos, invadindo áreas de mata nativa que, vítimas do rápido crescimento das árvores invasoras, acabam sendo sufocadas e mortas em poucos anos. Em Santa Catarina, por exemplo, as áreas de restinga estão sendo invadidas sistematicamente por pinus, que cobre a vegetação – sem a luz solar a vegetação não frutifica e, sem frutas, os animais da fauna silvestre se afastam.

A invasão de espécies exóticas ou contaminação biológica é considerada a segunda maior causa de extinção de espécies no mundo. Grande parte das plantas exóticas introduzidas são de espécies ornamentais, que acabam se tornando invasoras e interferem nos processos ecológicos das áreas invadidas, comprometendo os mecanismos de reciclagem de nutrientes, decomposição, processos evolutivos e polinização. Essas interferências levam à extinção sistemática das espécies nativas, ao empobrecimento dos ecossistemas e  também à perda da variabilidade genética.

As culturas de pinus e eucaliptos são importantes fornecedores de matérias prima para a produção de celulose e papel, grandes fontes de receitas para o nosso país – na pauta de exportações de produtos de origem agrícola, a celulose e o papel ocupam o segundo lugar em importância. Porém, é fundamental que hajam cuidados adequados para minimizar os impactos nas florestas e matas nativas, especialmente com a invasão por sementes.

Em muitos países, especialmente do hemisfério norte, grande parte da produção de celulose e papel é feita a partir da derrubada de árvores das florestas nativas de coníferas. Aqui no Brasil temos a vantagem de utilizar árvores de florestas plantadas e renováveis, o que do ponto de vista ambiental é importante; porém é inadmissível que a implantação dessas florestas artificiais leve à invasão de florestas e matas nativas por sementes de espécies exóticas, levando à redução e destruição gradativa destas áreas.

Desde o descobrimento do Brasil, a introdução de espécies de plantas exóticas tem sido uma constante: começamos com a cana-de-açúcar (Sudeste e Sul Asiático), depois vieram o café (Etiópia), o algodão (Egito – as espécies nativas tem pouca produtividade), tabaco (Andes), cacau (México), coco (Índia), laranja (Oriente Médio), banana (Sudeste Asiático), manga (Sudeste Asiático), batata (Andes), arroz (Extremo Oriente) e o feijão (Andes), entre muitas outras – em épocas mais recentes a soja (Extremo Oriente), o pinus (América do Norte) e o eucalipto (Austrália). Essas plantas exóticas ocuparam mais de 90% da área original da Mata Atlântica, 50% do Cerrado e dos Pampas, grandes extensões da Caatinga – o Pantanal e Amazônia vêem suas bordas sendo atacadas sistematicamente.

É preciso muita atenção para não perdermos o pouco que restou de nossas matas nativas para o pinus e o eucalipto.

5 Comments

  1. […] Quando se analisam o conjunto dos principais problemas ambientais da Malásia, se percebe que essa é uma lógica que domina a maior parte da economia do país. Conforme já comentamos em postagens anteriores, o país é um dos líderes mundiais em desmatamento de florestas tropicais e destruição de turfeiras, onde o principal objetivo é a expansão de campos agrícolas, principalmente para a produção de óleo de dendê e também de papel e celulose.  […]

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  2. […] A Floresta Ombrófila Mista também abrigava outras espécies de árvores com madeiras nobres e de grande valor comercial como as perobas, imbuias, marfins, cedros e canelas. Toda essa riqueza em madeiras de qualidade acabou levando à instalação de um sem número de serrarias e empresas especializadas na fabricação de móveis, portas e janelas, além da produção de pranchas e chapas de madeiras para os mais diversos usos. Os férteis solos das áreas desmatadas passaram a ser usados na produção das mais diferentes culturas, e criação de animais, além de abrigar florestas comerciais de eucalipto e de pinus.  […]

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