A RECICLAGEM DO PAPEL

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Quem acompanhou a sequência de posts em que tratei dos problemas ambientais ligados à produção do papel deve ter percebido que existe um custo ambiental que nem sempre é divulgado pelas empresas fabricantes. A implantação de grandes plantações de pinus e eucalipto causa impactos ao meio ambiente e problemas sociais nas comunidades vizinhas; os vazamentos de caulim, matéria prima usada na fabricação do papel, poluem os igarapés e afetam o abastecimento de água das populações ribeirinhas; os processos de fabricação da celulose e do papel geram rejeitos com alto potencial de contaminação do meio ambiente – mostramos o rompimento de uma barragem de rejeitos na cidade de Cataguases em Minas Gerais. Também mostramos que a produção do papel consome muitos recursos: cada tonelada de papel gasta 100 mil litros de água, 5 mil KW/h de energia e gera 800 kg de resíduos.

Falar em reciclagem do papel é, portanto, um caminho natural com perspectivas de grande economia de recursos naturais, redução dos impactos ambientais e minimização dos impactos sociais.

Segundo dados do Green Peace, conceituada organização internacional de proteção ao meio ambiente, a reciclagem de papel é altamente positiva, com ótimos resultados na redução da poluição gerada pelas indústrias de papel e celulose, resultando também em maior lucratividade no processo produtivo:  redução de 74% da poluição do ar e de 35% da poluição da água, além de uma redução dos gastos operacionais em 64%

Dados do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, demonstram que a reciclagem do papel possibilita uma redução de 50% no consumo de energia do processo. A reciclagem de 500 mil toneladas de papel, por exemplo, proporciona uma economia de 40 mil toneladas de petróleo. No Brasil, o índice de reciclagem do papel corresponde a 30,3% do total produzido, sendo 80% da produção destinada aos papéis de embalagem, 18% para a produção de papel sanitário (papel higiênico, guardanapos e papel toalha absorvente) e 2% para papéis de impressão.

Os índices de reciclagem do papel no Brasil são bem inferiores quando comparados aos índices de outros países, mais preocupados com a questão do meio ambiente, como por exemplo Canadá, Alemanha, Reino Unido e também de países com fontes limitadas de recursos naturais como Japão, Taiwan e Coréia do Sul. Observe alguns dados comparativos da reciclagem de papel entre alguns países.

País / Índice de Reciclagem (Volume em milhares de toneladas e percentual)

Japão: 29 mil tons – 52,6%

Canadá: 16 mil tons – 52,6%

China: 14,8 mil tons – 32,4%

Alemanha: 12,7 mil tons – 50,3%

França: 7,3 mil tons – 45,9%

Reino Unido: 4,9 mil tons – 59,6%

Coréia do Sul: 4,9 mil tons – 73,3%

Brasil: 4,8 mil tons – 30,3%

Taiwan: 3,7 mil tons – 95,6%

Observem o índice de reciclagem de papel de Taiwan, uma ilha na costa da China com área pouco superior a uma vez e meia a área do Estado de Sergipe, que consegue reciclar mais de 95% dos papéis utilizados pela população, índice três vezes maior que no Brasil.

A reciclagem do papel começa com a separação nas residências, escolas, comércios e indústrias, quando os resíduos são segregados de outros materiais contaminantes como os resíduos orgânicos.  Em cooperativas de reciclagem, os resíduos passam por um processo de triagem, onde são separados em diferentes categorias e encaminhados para reprocessamento e uso como matéria prima nas indústrias. O papel de jornais, por exemplo, pode ter até 80% das suas fibras recuperadas e reutilizadas na produção de papel novo.

A reciclagem do papel e dos demais resíduos gerados por nossa sociedade esbarram em problemas de toda ordem, a começar pela falta de compromisso dos cidadãos com a separação dos resíduos e com a falta e/ou pequena escala de coleta seletiva nos serviços públicos das nossas cidades. Porém, como demonstrado no exemplo do papel, os impactos dos resíduos sólidos começam bem antes de sua produção, quando as empresas retiram ou processam as matérias primas a partir do meio natural – cada tonelada de resíduos reciclados corresponde a uma economia de várias toneladas de matérias primas, com ganhos econômicos, ambientais e sociais para todos envolvidos.

Continuamos no próximo post.

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