AS FONTES DE ABASTECIMENTO E ARMAZENAMENTO DE ÁGUA

Reservatório

Para atender as necessidades de abastecimento contínuo de água de uma cidade, é necessário que haja reservatórios ou fontes permanentes para a captação.

A construção de reservatórios para o abastecimento de água encarece muito os projetos de abastecimento das cidades, porém são a garantia do fornecimento contínuo mesmo em períodos de seca. Reservatórios exigem gastos com desapropriação de grandes áreas e a remoção dos moradores, gera perdas econômicas pela interrupção das atividades produtivas, além de exigir todo um processo de licenciamento ambiental. A captação de água diretamente dos mananciais é muito mais barata porém o sistema fica vulnerável à disponibilidade natural da água. Citando dois exemplos bem atuais: a cidade de Rio Branco, no Acre, está enfrentando uma gravíssima crise de abastecimento pois o Rio Acre, manancial que abastece a cidade, está no nível mais baixo da história; outro exemplo trágico foi o acidente recente no Rio Doce, que nasce em Minas Gerais e desagua no Espírito Santo – a contaminação das águas com resíduos de mineração inviabilizou a captação da água para o abastecimento de inúmeras cidades mineiras e capixabas.

Um outro fator importante a ser observado em sistemas de abastecimento de água é a segurança dos reservatórios – uma seca severa ou um acidente similar ao que se abateu sobre o Rio Doce num reservatório pode inviabilizar o abastecimento de uma cidade inteira por um longo período. O ideal é se distribuir as águas em diversos reservatórios interligados, criando diferentes sistemas produtores – na recente crise hídrica que se abateu sobre a Região Metropolitana de São Paulo, as consequências não foram piores porque, além dos combalidos Sistemas Cantareira e Alto Tietê, existiam outros sistemas produtores em condição de compensar grande parte da redução da produção de água. Por outro lado, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é perigosamente dependente do sistema de abastecimento do Rio Guandu, que fornece mais de 80% da água usada pela população; imagine-se as consequências de um acidente similar àquele do Rio Doce atingindo o Rio Guandu?

A água dos reservatórios e mananciais, por melhor que seja a sua qualidade, contêm resíduos orgânicos (a contaminação por esgoto doméstico é cada vez mais comum), sais dissolvidos, metais pesados, partículas em suspensão e micro-organismos. A água captada/armazenada passa inicialmente por um processo de gradeamento, onde sólidos grosseiros como folhas, galhos e, infelizmente, lixo são retidos, sendo encaminhada a seguir para a Estação de Tratamento de Água.

Quando a água chega finalmente na ETA, o processo de tratamento pode ser dividido em duas partes: Tratamento Inicial ou Primário, onde processos físicos são utilizados no tratamento (basicamente filtragem e decantação de material particulado) e Tratamento Final ou Secundário, onde os processos de tratamento da água são químicos. Somente depois deste longo caminho é que a água pode ser encaminhada para os consumidores finais.

No próximo post detalharemos todo o processo de tratamento da água.

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