A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA

Falta de água

A água é a substância mais elementar para a existência da vida – você já deve ter ouvido essa frase inúmeras vezes desde os tempos dos bancos da escola. Como o elemento mais fundamental do saneamento básico também é a água, é necessário repassar algumas informações elementares.

Mais de 70% da superfície de nosso planeta é coberta por água, porém 97,5% dessa água é salgada e imprópria para o consumo humano, das plantas e dos animais terrestres. A água doce, que corresponde a 2,5% do total, encontra-se em sua maior parte sob a forma de gelo nas regiões polares e nas geleiras, como vapor na atmosfera e infiltrada no solo em lençóis e aquíferos. Estima-se que menos de 1% da água doce do planeta encontra-se em rios, lagos e aquíferos de fácil acesso para uso e abastecimento dos 7 bilhões de habitantes do planeta, além da flora e fauna terrestre.

Além de rara, a água doce é extremamente mal distribuída ao redor do planeta. Tomemos o caso do Brasil como exemplo: mais de 70% das reservas de água doce do país concentra-se na região amazônica onde vive menos de 10 % da população brasileira; a região Nordeste e o estado de São Paulo, que juntos abrigam mais de 35% da população do país, dispõem respectivamente de 3% e 1,6% das reservas de água do Brasil.

Em grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, as empresas de saneamento tem de fazer verdadeiros “malabarismos” para o abastecimento da população: o famoso Sistema Cantareira, maior manancial da região metropolitana de São Paulo, tem algumas nascentes dos seus rios formadores localizadas no sul do estado de Minas Gerais a até 160 km da capital paulista; no Rio de Janeiro, 85% da água utilizada vem do Rio Guandu, que tem como principal tributário o Rio Paraíba do Sul, cujas águas são transpostas para a sua bacia hidrográfica através de um complexo sistema de represas e estações de bombeamento, num percurso total de mais de 80 km até chegar nas torneiras dos cariocas.

De acordo com preceito defendido pela ONU – Organização das Nações Unidas, todo ser humano tem o direito de acesso à água potável e limpa na quantidade de 110 litros/dia. Esse volume diário de água é considerado o ideal, pois atende as necessidades de consumo, alimentação e de limpeza e higiene. Em algumas das regiões mais pobres do mundo, como o Chifre da África, em países como Somália, Djibouti, Etiópia e Eritreia, parte das populações sobrevive com 5 litros de água por dia – um canadense terá à sua disposição até 600 litros/dia para gastar. Aqui no Brasil há muita variação no consumo da água: um paulistano gasta em média 170 litros/dia; um carioca chega a gastar 300 litros/dia; já na região conhecida como Polígono das Secas, que abrange grande parte da região Nordeste e o norte do estado de Minas Gerais, podemos ter situações de extrema escassez em períodos de seca generalizada, com um consumo per capita em padrões próximos daquele do Chifre da África.

Como vemos, o primeiro desafio a ser vencido é a disponibilização e armazenamento da água em volumes adequados, o que é dramático pois as reservas podem estar distantes dos centros consumidores. Resolvida a primeira parte do problema, é preciso tratar a água e fazê-la chegar até as casas dos consumidores/moradores – falaremos disto no próximo post.

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