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Posts de ferdinandodesousa

Escritor, jornalista, gestor e educador ambiental. Especialista em projetos de comunicação social e de educação ambiental.

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA DAS AERONAVES AGRÍCOLAS MOVIDAS A ETANOL 

Quem acompanha com alguma atenção a política internacional, em especial as narrativas sobre a destruição acelerada do meio ambiente e dos recursos naturais, deve ter reparado que as coisas mudaram bruscamente nos últimos meses. 

O principal fator dessa mudança foi a eleição do novo presidente dos Estados Unidos – Donald Trump, mais conhecido entre as massas como o “laranjão”. Desde os tempos de sua campanha ao longo da corrida presidencial, Trump já “assustava” o mundo com muitas de suas propostas radicais – econômicas, políticas e ambientais. 

Eleito e empossado, Trump passou a colocar seu discurso em prática e uma das suas primeiras medidas na área ambiental foi retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, conjunto de acordos internacionais que tem como principal objetivo a redução das emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa, como forma de reduzir o aumento das temperaturas globais. 

A saída dos Estados Unidos da América, maior potência econômica, política e militar do mundo, enfraqueceu (para não falar que feriu de morte) o Acordo de Paris. Uma das ameaças mais iminentes dessa ruptura é representada pela COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, prevista para o início de novembro em Belém do Pará. 

Conhecida como o portal de entrada da Amazônia, Belém foi escolhida como sede da conferência com o claro objetivo de atrair os olhos da comunidade internacional para grande e ameaçada floresta equatorial. Entretanto, a cidade de mais de 1,3 milhão de habitantes é repleta de problemas sociais e ambientais. Citando um único exemplo – é considerada a capital estadual mais favelizada do Brasil, com cerca de 60% de sua população vivendo em habitações precárias. 

Além de problemas mais elementares de infraestrutura, Belém possui uma rede hoteleira que, nem de longe, tem capacidade para hospedar a quantidade de visitantes esperados para a COP30. A saída dos Estados Unidos e sua grande “carteira” recheada de dolares, complicará ainda mais e talvez até inviabilize a realização da conferência.

E sem os valorosos membros da “invencível armada ambiental de Brancaleone”, quem poderá defender as florestas contra os grandes latifundiários e os agricultores destruidores do mundo natural? 

Entre muitos outros, são os próprios agricultores “malvadões” que estão implementando uma série de medidas para a preservação do meio ambiente. Um exemplo são as áreas de reserva legal de matas em suas terras. Muito mais do que obedecer a legislação vigente, essas áreas são essenciais para a preservação de nascentes e cursos de água, um recurso essencial para a produção agropecuária. Logo, proteger florestas é advogar em causa própria.

Uma outra interessante iniciativa, quase nunca comentada pelos grandes veículos de comunicação, é o uso crescente de aeronaves de pulverização agrícola com motores alimentados a etanol, um combustível renovável produzido a partir da cana de açúcar. Esse é o mesmo combustível utilizado por milhões de automóveis que contam com motores do tipo flex

De acordo com informações do Sindag – Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, o Brasil possui atualmente 2.088 aviões agrícolas em operação. Desse total, 1/3 dos aviões utiliza motores alimentados com etanol, o que torna essa a maior frota aérea movida a biocombustível do mundo. 

A grande vedete do mercado é o Ipanema, um avião agrícola que vem sendo fabricado pela Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica, desde de 1973. O Ipanema tem capacidade de pulverizar uma área de 200 hectares por hora e vem sendo oferecido com motor a etanol desde 2004. A aeronave já está na sétima geração, com um total de mais de 1.600 unidades vendidas. 

O uso de combustíveis sustentáveis pela agricultura deverá crescer ainda mais nos próximos anos – a empresa alemã Bosch acaba de apresentar um novo motor flex que utiliza tanto o diesel quanto o etanol. Isso abrirá caminho para o uso crescente do etanol em máquinas agrícolas, geradores elétricos e caminhões, entre outras máquinas. 

Enquanto ambientalistas, políticos, artistas e outros famosos rosnam ferozmente em favor da defesa e proteção do meio ambiente, gente anônima e trabalhadora alia silenciosamente produção agrícola e proteção ambiental – uma doce e poética ironia. 

UM LUGAR CHAMADO JARDIM PANTANAL EM SÃO PAULO

Em hidrologia, pântano é uma região plana, onde o escoamento das águas fluviais e pluviais é muito lento, o que faz com que a área permaneça inundada por longos períodos. Essas regiões possuem uma fauna especializada numa vida aquática ou semiaquática, além de ter uma flora altamente adaptada. Consta que o nome vem da palavra em latim Pantanu, que era o nome de um antigo lago da região da Apulha na Itália. Atualmente, esse lago é conhecido como Lesina

O termo derivado pantanal normalmente é utilizado em referência ao bioma Pantanal Mato-grossense, a maior área alagada do mundo. Em sua extensão máxima, a área alagável pode ocupar até 250 mil km² em terras dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de trechos da Bolívia e do Paraguai. Essa área, para efeito de comparação, equivale a todo o Estado de São Paulo.

Por possuir características similares, ou seja, com alagamento frequentes e necessidade de longos períodos para drenar as águas das chuvas, um bairro pobre da Zona Leste da cidade de São Paulo foi batizado com o singelo nome de Jardim Pantanal. 

No início de 2003, eu recebi o convite para trabalhar em uma obra viária para extensão de uma grande avenida da cidade, que atravessaria a área onde fica o Jardim Pantanal, ligando a Avenida Jacu-Pêssego a Marginal Tietê e ao Aeroporto de Cumbica em Guarulhos. Fiquei cerca de uma ano no local e conheci muita gente, além de ouvir muitas histórias sobre a vida trágica nesse bairro.

O vasto terreno fazia parte da antiga grande várzea dos rios Tietê e Tamanduateí, os principais rios da cidade. Essas várzeas ficavam alagadas todos os anos durante o período das chuvas de verão. Já publicamos diversas postagens aqui no blog falando dessas várzeas. Para resumir a história, a maior parte dessas áreas foi aterrada e ocupada por avenidas e bairros inteiros a partir da segunda metade do século 19. 

As áreas de várzea oferecem um espaço alagável para os períodos de chuva dos verões, quando as calhas dos rios não conseguem comportar toda a água das chuvas. Segundo fontes históricas, as áreas de várzea dos rios paulistanos assumiam características semelhantes ao Pantanal Mato-grossense. Esses locais abrigavam jacarés-do-papo-amarelo, garças, cervos do pantanal, capivaras, macacos, onças e tamanduás, entre outros animais.   

A área onde fica o Jardim Pantanal, ao contrário das demais, conseguiu se manter praticamente intacta até o final da década de 1980, especialmente devido ao isolamento criado por uma linha férrea. Até a época em que trabalhei no bairro, o único acesso ao terreno era uma passagem em nível sob os trilhos da ferrovia. 

A ocupação e urbanização do Jardim Pantanal segue uma antiga receita de falta de planejamento urbano e total descaso dos governos no que se refere a construção de moradias populares. Famílias carentes começaram a demarcar pequenos lotes no local e a construir casas precárias em madeira, ou seja, a formar uma favela no local. 

Essa ocupação ganhou um forte impulso em meados da década de 1980, quando a Prefeitura da Cidade de São Paulo resolveu construir uma grande avenida as margens do Córrego das Águas Espraiadas, na Zona Sul da cidade. Os terrenos dessas margens eram ocupados por 68 núcleos de favelas, onde viviam aproximadamente 80 mil pessoas. 

O deslocamento forçado dessas populações, pagos pela própria Prefeitura, transportava as famílias e seus móveis para grandes terrenos localizados em regiões periféricas – o Jardim Pantanal foi um deles. As famías eram, literalmente, largadas a própria sorte. Primeiro surgiu no lugar um “mar” de casas precárias de madeira e folhas de zinco, casas essas que com o tempo foram substituídas por outras de alvenaria. Falando em termos técnicos – a área foi urbanizada na “marra”. Atualmente, o bairro tem 55 mil habitantes ou algo como 10 mil casas. 

Grandes áreas de bairros nobres da cidade de São Paulo como Alto de Pinheiros, Cidade Jardim, Butantã, Brooklin e Tatuapé, entre muitos outros, surgiram em antigas áreas de várzeas aterradas. Nesses locais, ao contrário do Jardim Pantanal, a urbanização foi planejada e foi criada toda uma infraestutura para a drenagem das águas pluviais. Enchentes ocorrem nesses bairros, mas elas causam problemas mínimos aos moradores.

A antiga área de várzea do Jardim Pantanal virou um grande bairro – as águas das chuvas, entretanto, não sabem disso e as enchentes continuaram a se suceder. Com as chuvas das últimas semanas aqui na cidade de São Paulo, os moradores do bairro mais uma vez estão convivendo com fortes e persistentes alagamentos. No momento em que escrevo essa postagem, a área está completamente alagada há 5 dias.

Feito todo esse estrago social e ambiental por conta do descaso das “otoridades”, como é que se resolve um problemas deste tamanho

O “ESTRANHO” PROTOCOLO DE INTENÇÕES ASSINADO ENTRE O MINISTÉRIO DOS POVOS INDÍGENAS E A AMBIPAR 

No último dia 24 de janeiro, começaram a circular notícias que tratavam da assinatura de um protocolo de intenções entre o Ministério dos Povos Indígenas e a empresa Ambipar. O documento foi assinado no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. 

De acordo com o noticiário, esse protocolo de intenções teria como principal objetivo o enfrentamento da emergência climática nas chamadas TIs – Terras Indígenas, de todo o Brasil. É importatnte citar que o Grupo Ambipar surgiu a partir de uma empresa de gestão ambiental criada em 1995 e hoje tem negócios em mais de 40 países. O grupo brasileiro é especializado na prestação de serviços e em produtos voltados para a gestão ambiental. 

Segundo o anúncio, essa iniciativa “bem intencionada” tem alguns pilares fundamentais. O primeiro deles seria a criação de estruturas para o combate de incêndios florestais nas áreas indígenas. Lembro que grande parte desses incêndios são causados pelos próprios indígenas devido a prática das coivaras, tradicional técnica agrícola onde o fogo é usado para limpar os campos agrícolas. 

Outro pilar seria a correta destinação dos resíduos sólidos gerados nas aldeias. Normalmente, esses resíduos são queimados pelas populações, o que também pode iniciar grandes incêndios florestais. 

Também entrariam na conta o monitoramento das terras indígenas por meio de imagens aéreas e/ou via satélite, e também a ampliação de parcerias já existentes entre o Ministério dos Povos Indígenas e a Ambipar. 

Finalizando, a parceria também incluiria o transporte de alimentos, remédios, materiais de construção, materiais pedagógicos e educacionais, entre muitos outros. Como se nota, intenções das mais nobres e necessárias para a devida valorização e proteção dos povos indígenas. Uma iniciativa de tamanha magnitude e importância, é claro, rapidamente passou a ganhar uma grande repercussão nos noticiários e nas redes sociais. 

Parlamentares e líderes dos mais diferentes quilates e espectros políticos rapidamente passaram a se mostrar perplexos com o anúncio desse protocolo de intenções, deixando muito claro que a medida não passou por debates políticos ou públicos antes de ser assinada e anunciada. Ninguém parecia saber do que se tratava.

Entendendo o tamanho do imbrólio: as Terras Indígenas correspondem a uma área com mais de 1 milhão de km² ou 14% do território do país*. Para efeito de comparação, isso corresponde a soma dos territórios da França e da Itália. Uma concessão ou qualquer tipo de acordo entre o Governo Federal e uma empresa privada sobre esses territórios teria, obrigatoriamente, de passar pelo crivo do Parlamento brasileiro e por um profundo debate com a sociedade. 

A forte repercussão negativa gerada por esse possível acordo acendeu uma luz vermelha de alerta entre autoridades do Governo Federal. Uma forte campanha de comunicação nas redes sociais e nos noticiários passou a insistir na tecla de que tudo não passava de “mais uma fake news” contra o Governo. 

Comunicados da SECOM – Secretaria de Comunicação da Presidência da República, passaram a reafirmar que as Terras Indígenas são “territórios inalienáveis e indisponíveis”. Também insistiam que o Protocolo de Intenções teria como objetivo “fortalecer a proteção dos direitos dos indígenas” de acordo com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no que diz respeito aos direitos desses povos. 

Trocando em miúdos – parece que estamos assistindo a mais uma gigantesca confusão criada pela necessidade de exposição de muitas “otoridades” e da falta de conversa entre os diferentes agentes envolvidos (o famoso “faltou combinar com os russos“). As intenções, como sempre, são as melhores, mas a coisa foi conduzida da pior maneira possível. 

Consertar um estrago desse tamanho não vai ser nada fácil. Como dizem os populares: depois que se vira um pinico na frente de um ventilador, a sujeira (falando aqui da forma mais educada possível) se espalha por todos os lados… 

*Considerando que o território brasileiro tem 8,5 milhões de km², 14% corresponderia a 1,19 milhão de km². Algumas fontes afirmam que a área em questão corresponde a 1,4 milhão de km²

RECORDE NA ÁREA QUEIMADA DA FLORESTA AMAZÔNICA EM 2024

As postagens deste blog começaram em 2016 – de lá para cá já somam 1.841 publicações. A inspiração para todo esse trabalho vem dos impactos da intensa crise hídrica vivida pouco tempo antes pela Região Metropolitana de São Paulo. Muitos dos leitores talvez se lembrem de reportagens falando do Sistema Cantareira no “volume morto” e de todos os problemas da população com as torneiras literalmente secas. 

A partir de então, os temas explorados por aqui se concentraram nos inúmeros problemas ambientais associados aos recursos hídricos. A Bacia Amazônica, que detém algo como 20% de todas as reservas superficiais de água doce do planeta Terra, virou tema frequente em nossas postagens. 

O evento da “chuva negra” na Região Metropolitana de São Paulo no final de 2019, o qual relembramos na postagem anterior, provocou uma mudança progressiva no tom das críticas aos problemas ambientais vividos pela região da Floresta Amazônica e de toda a sua população. 

Aqui é importante contextualizar a situação do Bioma Amazônico na época: de acordo com dados do Imazon – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, a área total desmatada em 2019 chegou à marca de 4.234 km² e vinha num ritmo crescente desde de 2012 (exceção a 2017, quando houve uma queda substancial). A área queimada foi de 18,1 milhões hectares. 

Uma das lembranças mais nítidas daqueles dias foi um discurso atravessado da garota sueca Greta Thunberg, que tinha algo como 17 anos na época. Uma das frases mais marcantes foi algo como “vocês destruíram o meu futuro”. Também não esqueço das falas de Emmanuel Macron, Presidente da França, que, entre outras coisas, afirmou que “a nossa Amazônia está sendo transformada em cinzas”. 

Eu imagino que ninguém em sã consciência não tenha suas próprias opiniões sobre a gravidade dos problemas ambientais que a região – principalmente a sua população pobre, vem vivendo há várias décadas. 

A primeira vez que fui até a região foi em abril de 2009, quanto previa ficar cerca de um mês a trabalho. Lembro que logo que a porta da aeronave foi aberta no aeroporto da cidade de Porto Velho, em Rondônia, um cheiro intenso de fumaça de mato queimado tomou conta do interior do avião. Acabei ficando quase dois anos trabalhando por lá, período que considero um verdadeiro mestrado em questões ambientais amazônicas. 

A comoção inicial criada na opinião pública mundial, que parecia ser um ponto de virada real na busca por soluções econômicas e sociais para os problemas da grande floresta equatorial, pouco a pouco se mostrou lacração pura – muita politicagem e solução prática nenhuma. 

Curiosamente, a situação mudou em janeiro de 2023, quando a liderança do Brasil passou para as mãos de um presidente esquerdista. Milagrosamente, notícias sobre as queimadas e a derrubada de árvores passaram a ter um tom mais “adocicado” e bem menos agressivo nos noticiários e nas redes sociais. 

Entretanto, os problemas ambientais não desapareceram nesse verdadeiro “passe de mágica”. Um exemplo é a área total de queimadas no Bioma Amazônico desde então. Foram 17,2 milhões hectares em 2023 (contra 16,3 milhões hectares em 2022) e, espantosos, 30,9 milhões de hectares em 2024. 

Fazendo uma conta rápida (que nós caipiras paulistanos chamamos de “conta de padaria”), a área total queimada na Floresta Amazônica cresceu 80% em 2024 quando comparada ao ano de 2019. A situação que já era grave em 2019 ficou, literalmente, caótica em 2024. 

A pergunta que não quer calar: cadê a galera da lacração?  

Macron, Greta, di Caprio, Rufalo, Cristiano Ronaldo … 

MEIA VOLTA, VOLVER!

No meio da tarde do dia 18 de setembro de 2019, a população da Região Metropolitana de São Paulo foi surpreendida por um “fenômeno” climático até então inédito. Por volta das 15h00, o céu da região passou a ser coberto por uma grossa camada de nuvens escuras. 

Diferentemente de eventos anteriores de fortes tempestades de final de tarde, essa cobertura de nuvens provocou um efeito de escurecimento tão intenso que as luzes do sistema de iluminação pública foram acionadas e os veículos em circulação foram forçados a ligar os faróis. 

A chuva que se seguiu não foi tão forte quanto se esperava, porém, a água tinha uma característica bastante peculiar – ao invés de gotas cristalinas, essa chuva era formada por uma água escura que lembrava chá mate ou um café fraco. 

O ineditismo da situação pouco a pouco passou a ser explicado por um sem número de reportagens nas TVs e portais de notícias. Meteorologistas e outros especialistas explicaram que essa chuva escura foi provocada pela contaminação da água por partículas de pó, cinza e fuligem vindas de grandes incêndios florestais que naquele momento ardiam em extensas áreas da Amazônia Ocidental. 

As grandes nuvens de fumaça liberadas por esses incêndios estavam sendo arrastadas na direção da Região Sudeste por fortes correntes de vento e assim contaminavam as nuvens de chuva. A precipitação da “chuva negra” foi o simples ápice de toda essa série de eventos. 

Notícias tratando dessa “chuva negra” paulistana rapidamente passaram a circular por todo o mundo, desencadeamento uma reação de indignação da opinião pública mundial nunca vista até então no que diz respeito a questões ambientais. Líderes políticos, artistas e celebridades dos mais diferentes quilates passaram a tratar da tragédia ambiental em suas redes sociais. 

O Presidente da França, Emmanuel Macron, foi um dos primeiros a explorar a tragédia. Publicou em suas páginas sociais fotos de grandes queimadas na Floresta Amazônica. Dias depois, todos ficamos sabendo que as fotos foram tiradas vários anos antes por um fotógrafo que, inclusive, já havia falecido. 

O futebolista português Cristiano Ronaldo foi ainda mais longe – publicou fotos de uma grande queimada em uma área dos Pampas Sulinos, um bioma que fica a mais de 4 mil quilômetros da Amazônia. Também não podemos deixar de citar os discursos desconexos da garota sueca Greta Thunberg e de celebridades hollywoodianas como Leonardo di Caprio e Mark Rufalo

A partir de então, as queimadas e a suposta “destruição” da Floresta Amazônica foram transformadas na principal causa da lacração internacional. Curiosamente, a espiral crescente que vinha marcando toda essa lacração parece ter atingido um ponto de deflexão. A causa mais provável – a eleição do novo presidente dos Estados Unidos: Donald Trump

Carinhosamente apelidado de “laranjão”, Donald Trump sempre foi um dos maiores críticos da onda lacradora ambiental e já deixou muito claro a que veio – uma de suas primeiras medidas anunciadas é a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, um esforço internacional para o controle das emissões dos GEEs – Gases de Efeito Estufa, os principais causadores do aquecimento global. 

Ainda tem mais – Trump mandou bloquear, incialmente por 90 dias, todos os repasses do Governo Norte-americano para organizações sociais de todo o mundo, incluindo-se na lista uma enormidade de ONGs – Organizações Não Governamentais, ambientalistas. O financiamento para todas essas organizações passará por um minucioso “pente-fino” nesse período. Em outras palavras – muita gente vai ficar sem dinheiro 

O Governo Trump mal completou uma semana e já conseguiu “ferir de morte” um sem número de lacradores em todo o mundo. Muita água ainda vai rolar daqui para a frente. 

A imagem que melhor ilustra o que está se desenrolando, na minha modesta opinião, é a de uma coluna de militares marchando numa determinada direção, até que o sargento no comando grita a ordem: meia volta, volver! 

Tudo indica que essa será uma das ordens mais repetidas pelo “sargento” Trump daqui para a frente… 

OS INCÊNDIOS “EXPONTÂNEOS” EM CARROS ELÉTRICOS 

No início desse mês de agosto, por volta das 6h15 da manhã, os moradores de um grande conjunto de apartamentos na cidade de Incheon, na Coréia do Sul, foram acordados com uma forte explosão seguida de um grande incêndio em uma garagem subterrânea de um dos prédios. 

Mais de 200 moradores tiveram de ser evacuados em meio a uma fumaça altamente tóxica – ao menos 20 pessoas, incluindo na conta 7 crianças, tiveram de ser encaminhadas para atendimento hospitalar. 

De acordo com imagens do circuito interno (vide foto acima), um automóvel Mercedes Bens elétrico que estava estacionado no local explodiu espontaneamente, destruindo ao menos 140 outros carros que estavam estacionados no local.  O forte incêndio que se seguiu durou cerca de oito horas e foram necessários 117 bombeiros para controlar as chamas. Além da destruição dos veículos, o incidente provocou danos na estrutura do edifício. 

Esse condomínio possui cerca de 1.500 apartamentos e esse incidente ajudou a acirrar as preocupações de muitos sul-coreanos sobre a insegurança criada por veículos elétricos estacionados nos subterrâneos dos edifícios. Existem, inclusive, propostas de lei no país para a proibição desses veículos nesses locais.

Um outro incidente grave do mesmo tipo aconteceu em julho de 2023, quando um navio transportando cerca de 3 mil veículos pegou fogo na costa da Holanda e causou um prejuízo estimado em R$ 1,6 bilhão. Os peritos suspeitam que o incêndio foi iniciado pela explosão da bateria de um dos carros elétricos que estavam sendo transportados na carga. 

Notícias desse tipo, desgraçadamente, estão se tornando cada vez mais comuns nas manchetes dos veículos de comunicação e tem causado enormes preocupações para os proprietários de veículos elétricos e populações de cidades em todo o mundo. Os fabricantes se defendem e afirmam que os veículos são extremamente seguros – apenas 25 a cada 100 mil veículos elétricos produzidos sofrem com esse tipo de problema. 

Normalmente, tais incidentes tem origem no sistema de baterias dos veículos e são provocados por falhas no sistema de recarga ou por problemas de controle de qualidade na fabricação das baterias. Produtos como telefones celulares e computadores portáteis, que também são alimentados por baterias, também estão sujeitos ao mesmo problema. 

De acordo com os especialistas, as baterias estão sujeitas a desgastes conforme o tempo de uso, o que pode resultar em curtos-circuitos, sobrecargas ou simplesmente a intensificação de problemas de fabricação. Esses problemas podem resultar na combustão de produtos químicos e metais usados na construção do dispositivo, o que por sua vez pode resultar em explosão e incêndio do veículo. 

As preocupações ambientais, especialmente em relação ao aumento das temperaturas globais e mudanças climáticas, colocaram os veículos elétricos em destaque nos últimos anos. Anunciados como uma “solução” para combater as emissões dos temidos GEE – Gases de Efeito Estufa, dos motores a combustão interna, esses novos veículos caíram no gosto popular. 

A Tesla, uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, é um dos melhores exemplos do sucesso desses produtos. A empresa norte-americana tem uma capacidade de produção anual estimada em 2,35 milhões de veículos em fábricas no Estados Unidos, Alemanha e China. 

Outro destaque da área é a chinesa BYD. Em 2023, a empresa vendeu 3,02 milhões de veículos. Os planos de expansão da empresa incluem a construção de duas novas fábricas – uma na Turquia e outra na Hungria. 

Os “milagrosos” carros elétricos, conforme já tratamos em diversas postagens aqui do blog, apesar de todas as suas credenciais de “amigos da sustentabilidade”, carregam sobre suas rodas uma série de problemas ambientais graves. 

Os problemas começam na fabricação das problemáticas baterias, que dependem da disponibilidade de elementos raros como o lítio, o metal mais leve que existe na natureza. Graças ao baixo peso e a sua boa condutividade elétrica, o lítio passou a ser uma excelente opção para a fabricação de baterias.    

A extração do lítio é extremamente problemática, gerando uma grande quantidade de rejeitos minerais tóxicos e elementos nocivos como o ácido clorídrico. Outro grave problema ambiental é o alto consumo de água – cerca de 2 milhões de litros para cada tonelada do metal. 

Outro problema ambiental grave é descarte das baterias velhas ou danificadas – já existem tecnologias que permitem a recuperação de até 98% do lítio, porém, o processo é caro e são poucas as empresas que realizam esse trabalho. A maioria das baterias descartadas acaba indo para aterros e depósitos sanitários. 

Também precisamos lembrar dos problemas criados para a geração da energia elétrica usada na recarga das baterias – cerca de metade das unidades geradoras de energia elétrica do mundo dependem da queima de combustíveis fósseis como o carvão e derivados de petróleo. Ou seja – grande parte dos veículos elétricos utiliza eletricidade de origem “suja” em sua recarga. 

O mais novo e complicado problema é a explosão de automóveis e ônibus elétricos em ruas e garagens de grandes cidades. As manchetes e as imagens desses incêndios estão, literalmente, “queimando o filme” de muitas marcas e modelos de veículos elétricos. 

Lembro aqui que carros elétricos chegaram a ser bastante populares no início do século XX. Cerca de 38% dos veículos fabricados em 1900 eram elétricos. Assim como está acontecendo agora, os antigos modelos tinham graves problemas em suas grandes baterias de chumbo-ácido – muitos carros, inclusive, explodiam. O melhor rendimento e maior segurança dos motores a combustão interna acabou por destruir a antiga indústria dos carros elétricos. 

 Torçamos para que a história não se repita nos dias de hoje. 

A CRISE HÍDRICA NO CANAL DO PANAMÁ QUE ASSUSTOU O MUNDO 

Problemas ambientais raramente respeitam as fronteiras entre países. Cito como exemplo a grande seca e as queimadas que estão assolando a Região Amazônica e o Pantanal Mato-grossense, tema que tratamos em nossa última postagem

Esses dois importantes biomas se estendem por áreas de países vizinhos – o Pantanal ocupa áreas no Paraguai e em parte da Bolívia; no caso da Amazônia, a grande floresta ocupa territórios em outros oito países. As queimadas que acompanhamos aqui em terras tupiniquins também podem ser vistas além das fronteiras internacionais. 

Conforme comentamos anteriormente, essa grande seca está sendo provocado por um forte El Niño, um fenômeno climático de escala mundial. Entre outros problemas, a incidência do El Niño provoca secas intensas nas regiões Centro-oeste e Norte do Brasil, além de um aumento das chuvas na região Sul. 

O Canal do Panamá, uma das mais importantes vias de tráfego marítimo do mundo, que fica localizado numa região muito próxima da Floresta Amazônica, também acabou sendo fortemente afetado por essa seca. Essa crise hídrica, que teve início em meados de 2023 e se estendeu até o início desse mês de agosto, colocou parte considerável do tráfego marítimo mundial em cheque. 

Uma forma bastante didática de mensurar o tamanho dessa crise é analisar o número de embarcações que cruzou o Canal do Panamá no período – a média caiu de 38 para apenas 22 embarcações por dia. A partir do último dia 5 de agosto, a Autoridade do Canal do Panamá passou autorizar o tráfego de até 35 navios por dia. Os países mais afetados pela crise foram os Estados Unidos, a China e o Japão. 

Diferente do Canal de Suez no Egito, onde a via de navegação foi simplesmente escavada no solo para permitir a passagem dos navios entre os mares Vermelho e Mediterrâneo, no Panamá existe uma cadeia de montanhas no meio do caminho, o que exige o uso de uma série de comportas, mais conhecidas como eclusas, para elevar ou abaixar os navios durante o trajeto. 

Essas eclusas funcionam como elevadores e nada mais são do que grandes portas metálicas, que são fechadas logo após a entrada da embarcação numa câmara. Essas portas são fechadas e a câmara é enchida com água, o que faz com que a embarcação seja elevada. Quando o nível desejado é atingido, um segundo grupo de portas é aberto e a embarcação volta a navegar pelo canal. Para descer, a operação é simplesmente invertida. 

Cada vez que uma dessas comportas é usada para subir ou descer uma embarcação, entre 300 mil e 500 mil metros cúbicos de água doce são utilizados. Todo esse volume de água acaba correndo na direção do oceano assim que as portas são abertas. Sem chuvas na região, os estoques de água doce que alimentam todo esse sistema passaram a rarear cada vez mais e forçaram um racionamento. 

A construção do Canal do Panamá foi uma das maiores obras da engenharia do século XX e, literalmente, mudou os rumos do mundo. Com cerca de 80 km de extensão, o Canal do Panamá criou um “atalho” para a navegação entre o Oceano Pacífico e o Mar do Caribe/Oceano Atlântico, reduzindo as rotas de navegação entre muitos portos em dezenas de milhares de quilômetros. Clique nesse link para ler uma postagem que conta em detalhes essa história fascinante. 

Essa grande crise hídrica, que felizmente já passou, acendeu uma luz amarela nos “painéis de controle” dos operadores do Canal do Panamá – o modelo de funcionamento do empreendimento, criado ainda no final do século XIX, não é mais adequado para o século XXI. 

O descarte de grandes volumes de água doce a cada passagem de um grande navio precisará ser revisto urgentemente e mecanismos que permitam o reaproveitamento dessa água precisão ser criados e implementados o mais rápido possível.  

Os prejuízos econômicos para um mundo cada vez mais integrado economicamente, onde o comércio marítimo é cada vez mais importante, justificam os grandes investimentos que serão necessários para modernizar essa importantíssima via de navegação. 

E mais – nesses novos tempos de mudanças climáticas, onde os padrões das chuva e das secas estão ficando cada vez mais irregulares em todo o mundo, essas medidas para economia de água devem ser estendidas para todas as atividades humanas. 

AS QUEIMADAS NA AMAZÔNIA E NO PANTANAL, OU FALANDO DA HIPOCRISIA DOS AMBIENTALISTAS 

No final da tarde do dia 19 de agosto de 2019, nós paulistanos fomos surpreendidos com o brusco escurecimento do céu e com uma chuva torrencial atípica para a época. Não tardaram a surgir relatos de moradores de diversas partes da cidade falando de uma “chuva negra”, onde a água tinha o aspecto parecido com chá mate ou café fraco. 

Nos telejornais da noite, meteorologistas passaram a informar que uma frente fria que chegou pelo Oceano Atlântico trouxe fortes ventos com umidade para a região do Planalto de Piratininga. Esses ventos úmidos se encontraram com fortes correntes de vento seco vindas do Sudoeste da Amazônia, da Bolívia e do Paraguai, regiões que estavam ardendo com grandes focos de queimadas. Foi a fuligem e as cinzas dessas queimadas que se precipitou junto com as águas das chuvas sobre a cidade de São Paulo, criando essa verdadeira “chuva negra” paulistana. 

Nos dias que se seguiram, políticos, ambientalistas, artistas e famosos do mundo inteiro passaram a alardear pelos quatro cantos que a Amazônia estava sendo transformada em cinzas pelo Governo brasileiro. De memória, posso citar Emmanuel Macron, Presidente da França, que fez postagens nas redes sociais onde foram usadas fotos de antigas queimadas na Amazônia (inclusive, o fotógrafo responsável já havia falecido há época). 

Outro que passou vexame foi o jogador de futebol Cristiano Ronaldo – suas postagens usaram fotos de queimadas na região dos Pampas Sulinos. Também preciso citar o ator Leonardo de Caprio e uma adolescente sueca, ainda pouco conhecida naquela época, Greta Thunberg

Da destruição iminente do “pulmão do mundo” aos riscos de extinção das “girafas da Amazônia”, todas essas vozes afirmavam que a culpa por toda essa destruição era única e exclusiva do Governo de “ultradireita” que estava no poder. Problemas climáticos sazonais como a seca e as altas temperaturas não eram sequer lembrados por esses críticos. 

Passados quase seis anos, as queimadas na Região Amazônica brasileira estão batendo recordes sucessivos em relação a anos anteriores. Notícias restritas a alguns poucos canais jornalísticos e redes sociais informam que a cidade de Manaus está coberta por nuvens de fumaças dessas queimadas há vários dias. 

Outro bioma que está ardendo de forma descontrolada é o Pantanal Mato-grossense. Relatos de algumas autoridades ambientais afirmam que uma área de tamanho equivalente ao Líbano ou a Irlanda do Norte já foi consumida pelas chamadas. Além da destruição da vegetação, as chamas estão matando milhares de animais. 

Diante dessa fabulosa tragédia ambiental “nunca vista na história deste país”, todos os antigos defensores do meio ambiente de outrora estão mais calados do que nunca. A grande mídia está num silêncio vergonhoso e o Governo atual se limita a falar, de forma bastante envergonhada, que a culpada pela situação atual é a grande seca que está sendo provocada pelo fenômeno climático global El Niño. 

Em espanhol. El Niño significa “o menino”. Esse fenômeno climático tem reflexos em todo o mundo e se caracteriza por um aquecimento anormal e persistente das águas superficiais do Oceano Pacífico ao longo da Linha do Equador. Em média, as águas nessa faixa do oceano ficam 0,5º C mais quentes por um período entre seis meses e dois anos durante a duração do fenômeno.    

Aqui na América do Sul, o surgimento do El Niño pode resultar em períodos de seca na região Centro-Norte – justamente onde encontramos o Pantanal e a Floresta Amazônica, além de maior umidade na região Sul. Na Argentina, o fenômeno tende a provocar chuvas mais intensas. As chuvas torrenciais que devastaram o Rio Grande do Sul recentemente podem ser colocadas na conta do El Niño

Só para lembrar – o El Niño tem uma “irmã” – La Niña, ou “a menina” em espanhol, um outro fenômeno climático global, porém, com consequências bem diferentes. 

Comparada à situação “apocalíptica” de 2019, as queimadas atuais na Amazônia e no Pantanal são muito maiores e mais devastadoras. Cadê a gritaria dos “defensores do meio ambiente”? 

A pergunta é sempre retórica e vamos continuar repetindo. 

SIBÉRIA 40 GRAUS, OU ERA UMA VEZ “SKAVURSKA” 

Quem é um pouco mais velho deve se lembrar de uma série comerciais de uma empresa de TV por assinatura onde o personagem principal era o fictício coronel russo Boris Tutchenko e sua impagável expressão skavurska. Esses comerciais foram veículados até 2008 e satirizavam o frio e o isolamento da Sibéria na Rússia. 

Nas peças publicitárias eram mostrados personagens russos tristes com roupas pesadas de inverno lutando contra nevascas dentro de suas próprias casas. Quando aparecia o coronel Tutchenko mostrando a programação disponibilizada pela TV a cabo, a vida dessas pessoas era totalmente transformada e surgia um “skavurska” de saudação. 

Bons tempos esses em que a Sibéria era sinônimo de lugar frio… 

Em uma postagem publicada aqui no blog no início de fevereiro de 2021, tratamos de um fato relativamente inédito – as temperaturas na cidade russa de Verkhoyansk, na Sibéria, atingiram a “inacreditável” marca de 38º C no verão local. 

Só para contextualizar – a Sibéria é uma vasta região da Rússia que se estende dos Montes Urais até a costa do Oceano Pacífico. Grande parte dessa região é coberta por tundra, vegetação típica do Ártico, além de florestas de coníferas e estepes. As temperaturas variam de –45º C (há registros de valores de até -67º C) no inverno até 15º C no verão. Daí a surpresa pela marca de uma temperatura próxima dos 40º C naquele verão. 

Desgraçadamente, altas temperaturas estão se tornando cada vez mais frequentes em toda a Sibéria e manchetes do tipo já nem chamam mais a atenção do público. Nas últimas semanas, a Rússia e, particularmente, a Sibéria vêm enfrentando uma fortíssima onda de calor e recordes de temperatura vem sendo batidos sucessivamente. 

No último dia 4 de julho, citando um exemplo, os termômetros da vila de Mamakan, no sudeste da Sibéria, registraram 38,7º C. Altas temperaturas como esta estão sendo registradas em cidades siberianas desde a costa do Oceano Pacífico até áreas dentro da faixa europeia da Rússia. Na mesma semana as temperaturas em Moscou, a capital do país, atingiram a marca de 32,7° C, as mais altas registradas desde 1917. 

De acordo com informações de órgãos de imprensa da Rússia, a forte onda de calor está provocando um grande aumento na venda de refrigerantes, bebidas geladas e sorvetes. Ventiladores e aparelhos de ar-condicionado estão “trabalhando” como nunca. 

A parte assustadora, se é que podemos usar essa palavra, é que o verão do Hemisfério Norte está apenas começando. A pergunta que não quer calar é: até onde essas temperaturas poderão chegar nos próximos meses? 

O aumento das temperaturas globais ou simplesmente o “aquecimento global” é uma realidade que já não pode mais ser negada. Pode até soar como brincadeira, mas, no Governo do Presidente George W. Bush, entre 2001 e 2008 (mesma época do comercial citado), especialistas foram convocados pelo governo norte-americano para negar que as temperaturas mundiais estivessem aumentando. 

Existem, é claro, dúvidas importantes sobre a origem do problema. Apesar de grande parte dos líderes globais e da imprensa jogarem toda a responsabilidade para as ações humanas na devastação do meio ambiente, fatores naturais e cíclicos podem também podem ter sua parcela de responsabilidade – o tamanho dessa responsabilidade ainda precisa ser mais bem estudado e compreendido. 

Ao longo de sua história de vários bilhões de anos, o nosso planeta passou por sucessivas mudanças climáticas, tanto a nível regional quanto global. A última dessas grandes mudanças foi um grande período glacial que durou entre 110 mil e 15 mil anos. 

Para que os leitores tenham uma pequena ideia do que essa “era do gelo” provocou em nosso planeta – o nível dos oceanos chegou a ficar 160 metros abaixo do nível atual e grande parte dos continentes ficou coberta por uma grossa camada de gelo, inclusive áreas aqui no Brasil. Não é difícil imaginar todas as mudanças que ocorreram no clima, na geografia, na fauna e na flora. 

Ainda existem inúmeras perguntas sem respostas sobre os caminhos que todas essas mudanças climáticas seguirão e onde nos levarão ao longo dos próximos anos. Dentro do que é possível especular, podemos imaginar que as praias da Sibéria se transformarão em um balado point de verão dentro de poucas décadas… 

Cidades praianas de regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo que se cuidem com a concorrência! 

DIA 5 DE JUNHO – DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE 

Como imagino ser do conhecimento de todos, o Rio Grande do Sul ainda continua sofrendo com os estragos causados por fortes chuvas que caíram sobre grande parte do Estado durante o mês de maio. Rio assoreados, falta de sistemas para contenção dos excessos de águas pluviais, descaso de Governos na realização de obras de infraestrutura, entre inúmeras outras razões, contribuíram, e muito, para o potencial catastrófico de chuvas acima da média no período. 

Apesar da chiadeira de muita gente que associou esses eventos às mudanças climáticas globais, uma catástrofe semelhante castigou o Estado em 1941, causando grandes estragos principalmente na cidade de Porto Alegre. Enchentes intensas também foram registradas no Estado em 1873, 1928 e em 1936. 

Falar sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente em meio a essa situação é um tanto complicado. Também não podemos nos esquecer do grande número de queimadas que estão “pipocando” em áreas da Amazônia e do Cerrado, enquanto equipes de fiscalização do IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, estão em greve parcial. 

Apesar de tudo isso, existem muitos motivos de orgulho para todos nós brasileiros, taxados que somos de grandes devastadores e queimadores de florestas. O trecho brasileiro da Floresta Amazônica, citando um exemplo, ainda apresenta 85% de sua área original perfeitamente preservada. 

Para efeito de comparação, 99,7% das florestas primárias da Europa Ocidental já foram destruídas. As áreas florestais que muitos países da região costumam apresentar com orgulho são fruto de programas de reflorestamento bem recentes. Na França, do “combativo” defensor do meio ambiente Emmanuel Macron, a cobertura florestal (considerando bosques, florestas nacionais, praças e pequenos fragmentos florestais) é de apenas 30%.   

Outro ponto a nosso favor são as áreas de preservação, onde se incluem as Terras Indígenas e áreas de conservação como Parques e Florestas Nacionais. Somando-se tudo, essas áreas correspondem a 24,2% do território brasileiro ou algo equivalente a 2 milhões de km². 

Também não posso deixar de falar da nossa agricultura que, apesar das caras feias de muitos países concorrentes, é uma das mais eficientes do mundo. Citando um exemplo: de acordo com dados da CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento, a área ocupada pela produção de grãos no país aumentou 110% entre 1978 e 2024; entretanto, a produção das culturas aumentou 5,8 vezes no mesmo período. 

Segundo estudos de 2016, da EMBRAPA Territorial, apenas 7,6% do território do país é ocupado por lavouras. Em grandes países como a China e os Estados Unidos, essas porcentagens são, respectivamente, 17,7% e 18,8%. Em países da Europa Ocidental os percentuais são bem maiores: na Alemanha – 56,9%, Reino Unido – 63,9%, Países Baixos – 74,7% e Irlanda – 76,8%. 

O Brasil também não faz feio quando se trata de produção de energia elétrica. Cerca de 90% de toda a produção brasileira vem de fontes renováveis como a hidrelétrica (que responde por cerca de 70% de toda a geração no país), eólica, solar e queima de bagaço da cana-de-açúcar.  

Falando em cana-de-açúcar, não podemos esquecer do nosso bom e velho etanol, também conhecido como álcool, um combustível renovável e bem menos poluente que os derivados de petróleo. Milhões de automóveis e veículos de todos os tipos rodam pelas ruas e estradas do país usando esse combustível sustentável. 

Apesar de existirem problemas ambientais de todos os tipos e em todos os cantos do país, os brasileiros podem se orgulhar do nosso “jeitinho” de fazer as coisas por aqui. E, mesmo com todas as críticas que recebemos diariamente das “grandes potencias ecológicas mundiais”, nós temos um bocado de coisas a ensinar para os gringos na área ambiental.