
Quem acompanha com alguma atenção a política internacional, em especial as narrativas sobre a destruição acelerada do meio ambiente e dos recursos naturais, deve ter reparado que as coisas mudaram bruscamente nos últimos meses.
O principal fator dessa mudança foi a eleição do novo presidente dos Estados Unidos – Donald Trump, mais conhecido entre as massas como o “laranjão”. Desde os tempos de sua campanha ao longo da corrida presidencial, Trump já “assustava” o mundo com muitas de suas propostas radicais – econômicas, políticas e ambientais.
Eleito e empossado, Trump passou a colocar seu discurso em prática e uma das suas primeiras medidas na área ambiental foi retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, conjunto de acordos internacionais que tem como principal objetivo a redução das emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa, como forma de reduzir o aumento das temperaturas globais.
A saída dos Estados Unidos da América, maior potência econômica, política e militar do mundo, enfraqueceu (para não falar que feriu de morte) o Acordo de Paris. Uma das ameaças mais iminentes dessa ruptura é representada pela COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, prevista para o início de novembro em Belém do Pará.
Conhecida como o portal de entrada da Amazônia, Belém foi escolhida como sede da conferência com o claro objetivo de atrair os olhos da comunidade internacional para grande e ameaçada floresta equatorial. Entretanto, a cidade de mais de 1,3 milhão de habitantes é repleta de problemas sociais e ambientais. Citando um único exemplo – é considerada a capital estadual mais favelizada do Brasil, com cerca de 60% de sua população vivendo em habitações precárias.
Além de problemas mais elementares de infraestrutura, Belém possui uma rede hoteleira que, nem de longe, tem capacidade para hospedar a quantidade de visitantes esperados para a COP30. A saída dos Estados Unidos e sua grande “carteira” recheada de dolares, complicará ainda mais e talvez até inviabilize a realização da conferência.
E sem os valorosos membros da “invencível armada ambiental de Brancaleone”, quem poderá defender as florestas contra os grandes latifundiários e os agricultores destruidores do mundo natural?
Entre muitos outros, são os próprios agricultores “malvadões” que estão implementando uma série de medidas para a preservação do meio ambiente. Um exemplo são as áreas de reserva legal de matas em suas terras. Muito mais do que obedecer a legislação vigente, essas áreas são essenciais para a preservação de nascentes e cursos de água, um recurso essencial para a produção agropecuária. Logo, proteger florestas é advogar em causa própria.
Uma outra interessante iniciativa, quase nunca comentada pelos grandes veículos de comunicação, é o uso crescente de aeronaves de pulverização agrícola com motores alimentados a etanol, um combustível renovável produzido a partir da cana de açúcar. Esse é o mesmo combustível utilizado por milhões de automóveis que contam com motores do tipo flex.
De acordo com informações do Sindag – Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, o Brasil possui atualmente 2.088 aviões agrícolas em operação. Desse total, 1/3 dos aviões utiliza motores alimentados com etanol, o que torna essa a maior frota aérea movida a biocombustível do mundo.
A grande vedete do mercado é o Ipanema, um avião agrícola que vem sendo fabricado pela Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica, desde de 1973. O Ipanema tem capacidade de pulverizar uma área de 200 hectares por hora e vem sendo oferecido com motor a etanol desde 2004. A aeronave já está na sétima geração, com um total de mais de 1.600 unidades vendidas.
O uso de combustíveis sustentáveis pela agricultura deverá crescer ainda mais nos próximos anos – a empresa alemã Bosch acaba de apresentar um novo motor flex que utiliza tanto o diesel quanto o etanol. Isso abrirá caminho para o uso crescente do etanol em máquinas agrícolas, geradores elétricos e caminhões, entre outras máquinas.
Enquanto ambientalistas, políticos, artistas e outros famosos rosnam ferozmente em favor da defesa e proteção do meio ambiente, gente anônima e trabalhadora alia silenciosamente produção agrícola e proteção ambiental – uma doce e poética ironia.









