CHUVAS EM MINAS GERAIS DIMINUEM, MAS OS PROBLEMAS PROSSEGUEM 

Uma imagem marcante desta quinta-feira, dia 13 de janeiro, foi o deslizamento de uma das encostas do Morro do Enforcado em Ouro Preto, uma das mais famosas cidades históricas de Minas Gerais. Saturados de água, os solos se desprenderam e correram na direção de dois casarões centenários, que foram completamente destruídos. Felizmente, as perdas foram apenas materiais. 

Depois de cair de forma intermitente entre os dias 5 e 12 de janeiro, as chuvas começam a diminuir em grande parte de Minas Gerais e em outros Estados. Entretanto, rios continuam com altos níveis, solos estão encharcados e muitas estruturas como rodovias, pontes e barragens ainda apresentam riscos de colapso. Centenas de milhares de pessoas continuam com suas casas inundadas, sendo que parte desse grupo simplesmente não tem mais uma casa para chamar de sua. 

Governos de todos os níveis não tem poupado esforços em seus trabalhos de atendimentos aos desalojados e nas obras emergenciais para a recuperação de trechos de estradas, encabeçamento de pontes e até mesmo recuperação completa de obras de arte (nome dados a pontes, viadutos e outras estruturas do tipo). Serão muitos meses – em alguns casos anos, para recuperar tudo o que foi destruído por essa intensa temporada de chuvas. 

Entre as muitas preocupações dessa fase de “rescaldo” da tragédia, existem algumas barragens que, mesmo seriamente danificadas pelos grandes volumes de água, ainda estão resistindo. Um exemplo é a Barragem do Carioca, no rio Pará. 

Localizada entre as cidades de Pará de Minas e Conceição do Pará, essa barragem reúne as águas dos rios Pará e São João, dois dos corpos d`água mais importantes da região e que receberam imensos volumes de água nos últimos dias.  

Diante do risco iminente de rompimento – existem diversos vídeos nas redes sociais mostrando grandes volumes de água escapando por cima da barragem (vide foto), as autoridades ordenaram a evacuação de mais de 2.600 pessoas que viviam em áreas próximas das margens nos municípios de Pará de Minas, Pitangui, Onça de Pitangui e Conceição do Pará. 

Com a redução do nível das águas, as autoridades estão considerando que a situação está sob controle, apesar de ainda existirem riscos. O transbordamento da represa provocou uma grande erosão num dos aterros laterais, além de uma fratura no duto principal da estrutura. Serão necessárias obras para a recuperação desses danos assim que as condições meteorológicas permitirem. 

Segundo um boletim divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais no dia 13 de janeiro, o saldo desse período de fortes chuvas no Estado até o momento é de 3.992 desabrigados, 24.610 desalojados e 24 vítimas fatais. São 341 municípios em situação de emergência

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o município de Nova Lima foi um dos mais afetados. O município fica na área da bacia hidrográfica do rio das Velhas, cujo nível chegou a subir 7 metros no pico das chuvas na região. Cerca de 600 casas foram atingidas pelas enchentes e mais de 4 mil moradores foram desalojados. 

Outro município da Região Metropolitana seriamente impactado pelas chuvas foi Betim, onde mais de 36 mil moradores foram impactados. As áreas mais afetadas ficam próximas ao Córrego Bandeirinhas, que transbordou devido ao excesso de águas. As informações da Defesa Civil mostram que a cidade possui 279 desabrigados e 9.251 desalojados. 

O aumento expressivo do nível do rio Betim também resultou em transbordamentos, que atingiram principalmente as regiões Central e Norte da cidade, em especial os bairros Vila das Flores e Nossa Senhora de Fátima. A Represa de Vargem das Flores também transbordou devido ao alto volume de chuvas, afetando bairro localizados a jusante da barragem. 

Outra região que foi fortemente castigada pelas chuvas foi vale do rio Paraopeba, onde a cidade de Brumadinho foi uma das mais impactadas. Grande parte da cidade foi afetada pela forte elevação do nível do rio. Encostas de morros de morros deslizaram, estradas de acesso foram inundadas e ou danificadas pelas águas. A Defesa Civil municipal informou em seu último boletim que existem 887 pessoas desalojadas e 305 desabrigadas na cidade. 

Outra fonte de grandes preocupações são as barragens de rejeitos de mineração, estruturas que existem em grande quantidade em todo o todo o Estado de Minas Gerais. O Governo do Estado e o Ministério Público Estadual notificaram as empresas responsáveis pela operação de 31 barragens de rejeitos de mineração a prestarem informações sobre as condições de segurança dessas estruturas

Como todos devem se lembrar, ocorreram dois grandes acidentes com estruturas desse tipo nos últimos anos – em 2015, ocorreu o rompimento de uma barragem em Mariana, o que causou um enorme estrago em praticamente toda a calha do rio Doce. Em 2019 foi a vez da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, causando a destruição de uma extensa área da cidade de Brumadinho e do rio Paraopeba. 

Barragens de contenção de rejeitos minerais exigem um acompanhamento constante das suas condições de segurança. Um dos itens mais preocupante é o excesso de água – o colapso da barragem do Córrego do Feijão, segundo alguns estudos bem recentes, entrou em colapso devido ao excesso de água e à liquefação dos rejeitos minerais. 

Ainda serão necessárias várias semanas até que se consiga reorganizar razoavelmente a vida da maioria dessas cidades e localidades atingidas pelas fortes chuvas. Vamos torcer para que as condições climáticas deem uma trégua nesses próximos dias, permitindo que as águas dos rios baixem e que os solos consigam secar.  

Enquanto isso, as autoridades e populações precisam ficar atentas – o pior já pode ter passado, mas ainda existem muitos riscos sérios: o desmoronamento do morro em Ouro Preto é um exemplo disso

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