ACONTECEU MAIS UMA VEZ: UMA BARRAGEM SE ROMPEU NO NORTE DO ESTADO DA BAHIA

Rompimento de Barragem na Bahia

No início da tarde de hoje (11/07/2019), como parece estar se tornando rotina em nosso país, começaram a ser divulgadas notícias sobre o rompimento de uma barragem no rio do Peixe, localizado na região Nordeste do Estado da Bahia, próximo da divisa com Sergipe. De acordo com as informações divulgadas, a Barragem do Quati apresenta duas rachaduras e a forte inundação atingiu o povoado de Pedro Alexandre (vide foto), localizado a cerca de 430 km de Salvador, e também bairros do município vizinho, Coronel João de Sá, localizado a 30 km a jusante da barragem. Até o momento não há notícias de vítimas. 

De acordo com informações do superintendente da Defesa Civil da Bahia, Pedro Luz, publicada em reportagem da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, “de ontem para hoje a região foi afetada por chuva de mais de 100 mililitros. Isso causou rompimentos de pequenas barragens que acabaram por afetar a Barragem do Quati”. Segundo o que já foi possível se apurar sobre o acidente, o grande volume de água no reservatório provocou uma rachadura no sangradouro e uma outra na extremidade da barragem. A Defesa Civil está trabalhando na remoção das famílias das áreas mais próximas da barragem, uma vez que existe o risco da ruptura total da estrutura. 

As Autoridades do Estado da Bahia estão preocupadas com o risco de rompimento da Barragem do Gasparino, localizada a jusante no mesmo rio do Peixe. O reservatório de água, que já está no seu nível máximo e com todas as comportas abertas, poderá apresentar riscos de colapso com a chegada do grande volume de água que está vazando da Barragem do Quati. Populações que vivem nas proximidades da calha do rio do Peixe nesse trecho estão sendo alertadas e removidas para abrigos em terrenos mais altos. 

Em meio aos esforços da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Prefeituras locais no atendimento da população atingida pelo rompimento da estrutura, a ANA – Agência Nacional de Águas, não perdeu tempo e emitiu uma nota, onde informa que a “barragem é de usos múltiplos de água, e que o açude e a represa estão sob responsabilidade de fiscalização do INEMA – Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Governo da Bahia.” Ou seja, a tragédia ainda está em andamento (a ruptura da barragem é parcial até o momento) e o tão conhecido jogo de empurra-empurra entre os órgãos que, legalmente, teriam a responsabilidade pela fiscalização já começou. 

Como é do conhecimento de todos e já tratamos do assunto em diversas postagens aqui no blog, os acidentes e/ou quase acidentes com barragens estão se tornando perigosamente frequentes aqui no Brasil. Há pouco mais de 5 meses, uma barragem de rejeitos de mineração se rompeu em Brumadinho, no Estado de Minas Gerais. Até o momento, já foram confirmadas 247 vítimas fatais e ainda existem 23 desaparecidos. A empresa responsável pela barragem, a Vale do Rio Doce, que já recebeu uma primeira condenação por causa dessa tragédia, ainda não apresentou uma resposta convincente sobre o que causou o colapso da barragem.  

Uma das linhas de investigação das autoridades é o relato de alguns prestadores de serviço da empresa, que estavam próximos da barragem, e afirmam que houve uma explosão momentos antes do colapso. Funcionários da Vale do Rio Doce confirmam que houve uma detonação de explosivos em um paredão rochoso, porém, cerca de 1 hora e meia após o rompimento da barragem. 

Um outro caso que vem ocupando as manchetes dos telejornais e que tem tirado o sono de muita gente é de uma outra barragem de rejeitos de mineração, também de propriedade da Vale do Rio Doce, na cidade de Barão de Cocais, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde o mês de fevereiro, um talude rochoso da mina vem se movimentando e há riscos de um grande desmoronamento. A eventual onda de choque provocada pela queda desse paredão rochoso poderá levar a barragem de rejeitos ao colapso. Inclusive, um pequeno pedaço do talude já caiu, sem provocar maiores problemas. 

As autoridades locais – Prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, em parceria com a Vale do Rio Doce, já removeram e realocaram milhares de pessoas que viviam em áreas próximas e que poderiam ser atingidas por uma eventual onda de lama e de rejeitos minerais. A espera por essa tragédia iminente, que já dura meses, paralisou toda a economia da cidade de Barão de Cocais e vem causando inúmeros problemas de saúde na população. Os atendimentos médicos com casos de ansiedade, hipertensão e problemas com o sono, aumentaram muito no hospital municipal e nos diversos postos médicos da cidade. 

Um outro caso que não pode faltar nesse texto é o do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, também no Estado de Minas Gerais, ocorrido em 2015. Nesse acidente, cerca de 62 milhões de m³ de lama e rejeitos minerais foram liberados, comprometendo praticamente toda a extensa calha do Rio Doce. Morreram, entre funcionários da mina e moradores, 19 pessoas. Por uma “estranha coincidência”, os proprietários dessa mina são a Vale do Rio Doce e a empresa australiana BHP Billiton Brasil LTDA. 

De acordo com dados da ANA – Agência Nacional de Águas, existem aproximadamente 24 mil barragens em todo o Brasil. Desse total, cerca de 10 mil são barragens para uso em irrigação, 780 são barragens de rejeitos de mineração e as demais se distribuem em represas para o abastecimento de água, controle de cheias, geração de energia elétrica, entre outros usos. Para fiscalizar todo esse universo de estruturas, existem 43 órgãos de fiscalização, sendo 4 federais e 39 estaduais. E a grande preocupação que fica é – esse pessoal todo está fazendo um bom trabalho de fiscalização? 

No final da tarde, surpreendentemente, informações divulgadas pelo Governo do Estado da Bahia passaram a negar o rompimento da barragem e informavam que as enchentes  nas cidades e povoados estavam sendo provocadas pelo excesso de água no reservatório, que está escapando por cima da barragem. Essa nova versão deixa a situação mais preocupante ainda, uma vez que mostra nitidamente que as “otoridades” locais não sabem exatamente o que está acontecendo.

Esse novo “acidente” de hoje, com todos esses desdobramentos e versões, deixa todos nós com uma enorme pulga atrás da orelha. 

 

PS: Na manhã do dia 12/07/2019, técnicos da Defesa Civil do Estado da Bahia sobrevoaram a Barragem do Quati e confirmaram a ruptura da barragem.

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