MINERAÇÃO: A MAIOR RESPONSÁVEL POR MORTES DE TRABALHADORES NO MUNDO

Diamantes em Serra Leoa

De acordo com dados da OIT – Organização Internacional do Trabalho, as atividades ligadas à mineração são as mais perigosas para os trabalhadores em todo o mundo. Os trabalhos nessas atividades são os que oferecem os maiores riscos aos trabalhadores, tanto pela falta de estrutura de segurança das minas quanto pelo total desrespeito às normas e convenções trabalhistas. São frequentes as contratações de mineiros com salários abaixo do piso, jornadas de trabalho abusivas – algumas vezes com turnos de até 24 horas seguidas, abusos físicos por parte dos empregadores e não fornecimento de EPIs – Equipamentos de Proteção Individual. Doenças ocupacionais como a silicose, doença pulmonar provocada pelo exposição contínua dos trabalhadores ao pó das rochas, completam esse quadro dramático.

Todos os anos, milhares de mineiros morrem ou ficam soterrados por vários dias em minas, muitas vezes sem que a notícia chegue aos meios de comunicação. Muitas vezes, são as próprias companhias mineradoras que escondem esses acidentes temendo represálias dos governos locais; em várias situações, essas informações até chegam aos ouvidos das autoridades, que optam por medidas administrativas brandas contra a empresas de mineração como forma de não prejudicar o atingimento das metas de produção. São muitos os países pobres e em desenvolvimento que tem nas atividades mineradoras importantes fontes de recursos externos. 

A mineração do carvão é, de longe, a atividade mineradora que mais mata trabalhadores no mundo. O carvão é uma importante fonte energética, indispensável em usinas siderúrgicas e em usinas termelétricas geradoras de energia elétrica. Ao longo de todo o século XX, com o crescimento do uso de combustíveis fósseis derivados do petróleo, o consumo e a importância do carvão diminuiu bastante no mundo. Entretanto, com o forte aumento nos preços do petróleo verificado nas últimas décadas, a produção e o consumo de carvão voltaram a crescer. Projeções econômicas indicam que em cerca de dez anos, o consumo de carvão mineral vai superar o de derivados de petróleo, o que é uma péssima notícia do ponto de vista ambiental

As minas de carvão da China são consideradas as mais inseguras do mundo. Com o forte crescimento econômico do país nas últimas décadas, a mineração do combustível sofreu um forte crescimento, crescimento esse que não foi acompanhado de melhorias nos níveis de segurança. De acordo com os dados disponíveis (muitas informações não são divulgadas), cerca de 13 mineiros morrem a cada dia nas minas chinesas. Esses números colocam a China na trágica primeira posição em número de fatalidades na mineração do carvão, sendo responsável por 80% das mortes nessas atividades; o país responde hoje por cerca de 48% da produção mundial de carvão. 

Se nos grandes complexos de mineração espalhados pelo mundo a segurança dos trabalhadores é frequentemente negligenciada, a situação nas pequenas minas é muito pior. A exploração de ouro, diamantes, prata e outros minerais raros é, muitas vezes, feita em lavras ilegais, onde as condições de segurança são as piores possíveis e onde os trabalhadores não contam com nenhuma rede de proteção social e médica em casos de acidentes. Exemplos são as minas de ouro na Tanzânia, de diamantes em Serra Leoa (vide foto) e a exploração da prata nas minas de Potosí, na Bolívia, sobre a qual comentamos em postagem recente. Muitos desses trabalhadores vivem sob um regime de escravidão, crianças pequenas exercem atividades de alto risco, sem contar a exposição de muitos trabalhadores ao mercúrio, uma substância perigosa usada na separação do ouro e da prata. 

Entre os grandes riscos da mineração, as explosões provocadas por gases acumulados nas galerias merecem destaque. O metano é um desses gases, que se forma dentro das camadas de carvão. Conforme é feita a remoção do carvão, pequenos volumes de gás metano vão sendo liberados e, caso a mina não possua sistemas de ventilação e de exaustão forçada, esse gás começa a se acumular nas galerias, podendo atingir níveis altamente perigosos – basta uma pequena centelha criada pela quebra de uma lâmpada para que haja uma grande explosão. Os riscos do gás metano são amplificados pela presença de grandes quantidades de pó de carvão na atmosfera das galerias. 

A explosão combinada de gás metano e pó de carvão foram as responsáveis pelos dois piores acidentes da mineração na história. Em 1906, na cidade de Courrières, no Norte da França uma gigantesca explosão nas galerias de uma mina de carvão matou 1.099 mineiros. Um outro acidente com as mesmas causas ocorreu em Colliery Benxu, na China, em 1942. Esse acidente matou 1.549 mineiros, sendo considerado o pior desastre da mineração até hoje

Outra fonte potencial de riscos aos trabalhadores são as explosões realizadas para a quebra e o desmonte das rochas. Estudos indicam que a maior causa de lesões graves e mortes de mineiros em minas a céu aberto são as chamadas “rochas voadoras”, pedras arremessadas pelas explosões. Esses acidentes ocorrem porque os trabalhadores não foram colocados a uma distância segura do ponto da explosão ou porque as pedras foram lançadas a uma distância muito maior do que a que foi calculada pelos engenheiros. No caso das minas subterrâneas, as explosões podem liberar vapores venenosos devido a falhas de ignição ou por explosões prematuras

Uma outra fonte de risco para os trabalhadores são os abalos sísmicos, que podem provocar o desabamento de galerias e soterrar os mineiros. Aqui na América Latina, por exemplo, algumas das mais importantes províncias minerais se encontram na faixa Oeste do continente, acompanhando a Cordilheira dos Andes. Nesta região destacam-se importantes minas no Chile, Argentina, Bolívia, Peru e Equador. Nessa região se encontra o ponto de encontro entre duas importantes placas tectônicas – a Placa Sul Americana e a Placa de Nazca, o que torna a região propensa a fortes terremotos. Em 2010, um terremoto atingiu o norte do Chile e provocou o soterramento de 33 mineiros na mina San José. Os mineiros ficaram presos por mais de dois meses até que as equipes de socorro conseguissem abrir um poço para o resgate – todos os mineiros foram salvos. 

Infelizmente, nem sempre o socorro chega a tempo nesse tipo de acidente e centenas de trabalhadores acabam morrendo à centenas de metros de profundidade.. 

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