OS EXTREMOS CLIMÁTICOS DO BRASIL

Chuva em São Paulo.

Na última semana, acompanhamos fortes tempestades na região Sul do Brasil, inclusive com quedas de granizo em algumas localidades. Em algumas cidades do Rio Grande do Sul, os volumes de chuva registrados, como em Alegrete e Santiago, atingiram altos volumes, com as marcas de 75 e 64 mm, respectivamente. Fortes vendavais, com velocidades superiores aos 85 km/h, causaram prejuízos em várias cidades. Enquanto isso, somente no Estado de Minas Gerais, mais de 100 municípios estão em estado de emergência por causa da seca e da estiagem

De acordo com o último relatório do Ministério da Integração Nacional, publicado em 1° de novembro de 2018, 982 municípios brasileiros contam com o reconhecimento federal de situação de emergência. A maior parte destes municípios está enfrentando problemas relacionados à seca e a estiagem, especialmente na região Nordeste; 50 municípios de 14 Estados estão em situação de emergência por conta de chuvas, inundações, alagamentos, tornados, granizo e vendavais. Esse quadro mostra a diversidade climática de nosso país. 

Com mais de 8,5 milhões de km² de território, o Brasil é um dos maiores países do mundo quando se fala em extensão territorial – não é incomum se ouvir referências como “país de dimensões continentais”. O território brasileiro tem quase o mesmo tamanho do Continente Australiano, formado por Austrália e ilha da Tasmânia, Nova Guiné e outras ilhas menores que ocupam a mesma plataforma continental. Em relação à Europa, o Brasil tem uma área equivalente a 85% daquele território. Vivemos em um país muito grande, onde coexistem diferentes padrões climáticos. 

Se traçarmos uma linha reta entre o Monte Caburaí, ponto extremo ao Norte (que substituiu o Oiapoque), e o Arroio Chuí, extremo Sul do Brasil, encontraremos uma distância de 4.394 km. Se repetirmos a medição entre os extremos Leste-Oeste, considerando o Pontal do Seixas na Paraíba à Leste e as nascentes do rio Moa, na Serra da Contamana no Acre, no Oeste, teremos uma medida bastante próxima – 4.319 km.  

Uma das razões que nos dão a falsa impressão do Brasil não ser um país tão grande é o sistema de registro cartográfico utilizado na confecção dos mapas mundiais mais conhecidos – a chamada Projeção de Mercator. Esse processo de desenho produz uma forte distorção nos territórios localizados mais ao Norte e mais ao Sul do globo terrestre, aumentando consideravelmente suas proporções. Territórios localizados mais próximos da Linha do Equador, como é o caso do Brasil, aparecerão com proporções relativamente menores. Um exemplo é a Groenlândia, ilha localizada no Norte do Oceano Atlântico, que tem uma superfície total de 2,16 milhões de km², mas que nos mapas sempre aparece com um tamanho maior que o Brasil, país que tem uma superfície quatro vezes maior

Todo esse tamanho do território brasileiro produz, às vezes, algumas notícias interessantes em relação ao clima. Cerca de três meses atrás, no auge do inverno na Região Centro-Sul do país, não foram poucas as vezes em que notícias sobre a queda de neve e as temperaturas negativas nas regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, contrastavam com temperaturas próximas aos 40° C em capitais das regiões Norte e Nordeste. 

O território brasileiro possui cinco zonas climáticas diferentes, que podem, para fins didáticos, ser divididas em duas macrorregiões: na primeira, que engloba os Estados mais ao Sul do país, as estações do ano são claramente divididas em primavera, verão, outono e inverno. Todo o restante do país, ao Norte dessa macrorregião, onde encontramos os biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia, as estações do ano se resumem basicamente ao verão, o período da seca, e ao inverno, período das chuvas. Considerando somente essa divisão, já teremos situações climáticas bastante diferentes ao longo do território brasileiro.

Mas o mosaico de climas do Brasil é bem mais diverso: nos estados da região Sul e em parte do Estado de São Paulo, o clima é Subtropical. Nas regiões serranas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o padrão climático é o chamado Tropical de Altitude. Na extensa região que ocupa a maior parte das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste o clima é Tropical. Na região Norte o clima predominante é Equatorial. Na faixa Leste do litoral do país encontramos ainda o clima Tropical Atlântico. Além desses padrões climáticos bem definidos, o país possui diversas áreas com climas intermediários, como Tropical Úmido e Tropical Semi-Úmido.

Além de toda essa grande diversidade climática, que estamos apresentando de forma bastante simplificada e pela qual pedimos desculpas antecipadas aos geógrafos e climatologistas, o clima de nosso país ainda sofre interferências de grandes fenômenos globais – El Niño e La Niña. Após observações sistemáticas que se estenderam por várias décadas, os cientistas perceberam mudanças periódicas na temperatura das águas de uma extensa região do Oceano Pacífico, com reflexos no clima mundial. Em alguns anos, as águas apresentam uma temperatura acima do normal – El Niño; em outros, as águas ficam mais frias – La Niña. No Brasil, os anos de El Niño apresentam chuvas mais intensas na região Centro-Sul e secas mais fortes em algumas regiões; nos anos de La Niña, as chuvas caem com maior intensidade na região do Semiárido Nordestino e rareiam em outras regiões.

Com toda essa diversidade climática, sempre teremos notícias das mais diversas sobre chuvas, secas, calor e frio nas diferentes regiões do Brasil. Quando o assunto for clima, sempre haverá alguma novidade em algum lugar do nosso país. 

 

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