O PETRÓLEO E SUAS MIL E UMA UTILIDADES, OU AINDA FALANDO DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

O petróleo e seus derivados ocupam as primeiras posições entre os combustíveis fósseis mais utilizados do mundo. Essa popularidade está ligada diretamente ao uso de gasolina e óleo diesel em veículos automotores como carros, caminhões, motocicletas e locomotivas, de óleo combustível em navios, além do querosene usado em aviões. São esses veículos que movimentam, literalmente, o mundo. 

Além do uso como matéria prima para combustíveis, o petróleo também produz uma infinidade de derivados usados na produção de plásticos, produtos de limpeza, lubrificantes, pneus e borrachas, tintas, fios sintéticos para tecelagem, fertilizantes, produtos químicos, produtos para a construção civil, entre inúmeros outros produtos e aplicações. Também é preciso falar do importante GLP – Gás Liquefeito de Petróleo. 

O petróleo se formou a partir do acúmulo de restos de matéria orgânica em bacias sedimentares. Esse material sofreu soterramento por diferentes processos geológicos e, ao longo de dezenas de milhões de anos, se transformou em um óleo denso e rico em hidrocarbonetos, um composto rico em carbono e hidrogênio, além de pequenas quantidades de oxigênio, nitrogênio, sais e metais. 

Há quem afirme que o petróleo tem mil e uma utilidades – é bem provável que essas utilidades sejam bem maiores que isso atualmente. Como todo combustível fóssil, o petróleo e todos os seus derivados são altamente poluentes para o meio ambiente – destaque especial para a poluição atmosférica. Também é um recurso natural finito. 

Há registros do uso de petróleo desde a mais remota antiguidade. Um dos usos mais comuns era o do betume, um impermeabilizante usado em cesto, embarcações e telhados de residências. O óleo também era usado como combustível em lamparinas e tochas. Em muitas campanhas militares, grandes tochas incandescentes a base de petróleo eram lançadas por catapultas contra as tropas inimigas. 

A grande explosão no consumo de derivados de petróleo ocorreu em meados do século XIX, quando foram desenvolvidos os primeiros processos para o fracionamento do petróleo. Um dos primeiros derivados de petróleo a entrar no mercado foi o querosene, produto que começou a ser produzido em escala industrial nos Estados Unidos em 1859. 

Essa produção pioneira foi uma consequência direta da descoberta de petróleo em Tutsville, no Estado da Pensilvânia por Edwin Drake. Após a descoberta, Drake construiu uma pequena refinaria onde passou a produzir querosene. O produto era usado para iluminação de residências, comércios e vias públicas e conquistou rapidamente o gosto popular. 

O segundo grande salto no uso de derivados ocorreu no início do século XX com a popularização cada vez maior dos automóveis e outros veículos que utilizavam motores a combustão interna. Outros derivados de petróleo como o óleo diesel e o óleo combustível passaram a substituir o uso de carvão mineral em locomotivas e navios. 

A indústria automobilística também acabou criando uma forte demanda por produtos de borracha sintética, especialmente na forma de pneus e mangueiras. Até o início da Primeira Guerra Mundial, esses produtos eram produzidos a partir do látex extraído das seringueiras, primeiro na Floresta Amazônica e depois em plantios comerciais no Sudeste Asiático

O fim monopólio do látex para a produção da borracha começou em 1909, quando o químico alemão Fritz Hofmann criou uma borracha sintética formada a partir de derivados de petróleo que imitava o produto natural. Esse processo de produção foi grandemente aperfeiçoado ao longo da década de 1920. 

Outra grande demanda para o uso dos derivados de petróleo surgiu com a produção dos diferentes tipos de plásticos. Os primeiros experimentos datam da década de 1860, quando o inventor inglês Alexander Parkes iniciou seus estudos com o nitrato de celulosa, um material sólido bastante flexível, resistente a água, de cor opaca e com boa aderência para a pintura com tinta – esse material ganhou o nome de parquesine e é considerada a primeira matéria plástica a ser criada. 

Na década de 1870, após sucessivos aperfeiçoamentos, surgiu a celuloide, a primeira versão comercial do plástico, utilizado inicialmente pelos dentistas na fabricação de próteses dentárias e pelos fabricantes de bolas de bilhar, que buscavam uma alternativa ao caro marfim animal. O celuloide ganhou fama mundial com o surgimento do cinema, quando os rolos dos filmes eram fabricados com esse material. 

Em 1909 surgiu a baquelite, o primeiro polímero sintético com alto grau de dureza, resistência ao calor e ótimo isolamento elétrico, com larga aplicação na confecção de produtos elétricos e de telefonia, discos, e mais tarde na fabricação das caixas dos rádios, popularizados a partir da década de 1920. 

Na década de 1930 surgiu a poliamida, conhecida comercialmente como nylon, usada intensamente durante a II Guerra Mundial (1939-1945) na fabricação de paraquedas, equipamento novo e decisivo em muitas batalhas. O esforço industrial mundial durante esse conflito levou à criação de toda uma gama de polímeros como o drácon, o isopor, o vinil, o polietileno e o poliestireno.  

Após o término da Guerra em 1945, os diferentes tipos de plásticos passaram a fazer parte do cotidiano do homem moderno, utilizado na fabricação de todos os tipos de produtos, utensílios e embalagens. Foi a partir desse momento que plásticos ganharam os mercados e os aterros sanitários de todo o mundo. 

Como fica bastante fácil de observar no texto, o petróleo e toda a sua grande gama de derivados foi ganhando um espaço cada vez maior no nosso cotidiano, chegando a um ponto em que é difícil pensar como seriam as nossas vidas sem os combustíveis e os demais produtos fabricados a partir do petróleo. 

Apesar de sua inquestionável importância, a imensa maioria dos produtos derivados de petróleo são problemáticos para o meio – mais dia, menos dia, precisaremos encontrar outras fontes de matérias primas que permitam o abandono gradual desse combustível fóssil. 

Biocombustíveis como o nosso bom e velho etanol são um ótimo exemplo de como substituir de forma sustentável alguns dos combustíveis derivados de petróleo. Será um caminho bastante longo e árduo até que se consiga eliminar totalmente a nossa dependência do petróleo. 

Essa busca por alternativas tem duas razões básicas – em poucas décadas as reservas de petróleo do mundo vão estar esgotadas e também precisamos acabar com a poluição criada pela queima dos combustíveis fósseis derivados do petróleo. 

2 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s