AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O AUMENTO NO NÚMERO DE RAIOS EM TODO O MUNDO 

Na última quinta-feira, dia 4 de agosto, um raio atingiu o Lafayette Park, uma famosa área verde em frente à Casa Branca, residência oficial do Presidente dos Estados Unidos. A forte descarga elétrica atingiu um grupo de pessoas que buscava abrigo sob a copa de árvores devido a uma forte chuva que começou a cair.  

Sete pessoas foram atingidas pela descarga elétrica – quatro sofreram ferimentos graves e outras três acabaram morrendo. A imagem que ilustra esta postagem foi feita por uma câmera fotográfica meteorológica do canal Fox 5 no exato momento da queda do raio no local. 

No dia seguinte, 5 de agosto, um outro raio atingiu tanques de depósito de petróleo em Matanzas, cidade localizada no Nordeste da ilha de Cuba. De acordo com as últimas informações, ao menos uma pessoa morreu e 117 ficaram feridas – 17 bombeiros que lutavam contra as fortes chamas foram declarados como desaparecidos. 

Um outro dado – cerca de 93 pessoas e outras 20 ficaram feridas em apenas dois dias no final de junho no Norte da Índia por causa de raios. A maioria das vítimas eram trabalhadores rurais dos Estados indianos de Bihar, Jharkhaland, Uttar Pradesh e Madhya Pradesh. Essas regiões foram atingidas por fortíssimas chuvas na ocasião. 

Esse apanhado rápido de notícias bem recentes nos alerta para um fato inquestionável – a incidência ou queda de raios (como se diz “no popular”) de raios está aumentando em todo o mundo e as mudanças climáticas podem ser uma das principais responsáveis. Aqui é importante afirmar que ainda não um consenso sobre isso entre os cientistas. 

Análises estatísticas sobre a incidência de raios nos Estados Unidos sugerem que as mudanças climáticas podem estar causando um aumento na ocorrência desses fenômenos atmosféricos. No dia do acidente em Washington, por exemplo, a temperatura na cidade atingiu a marca de 34° C, de acordo com o serviço nacional de meteorologia dos Estados Unidos. De acordo com o órgão, essa temperatura é 3° C acima da média histórica. 

A experiência mostra que, quanto mais alta é a temperatura, maior é a retenção de umidade na atmosfera. Essa condição favorece a formação de correntes ascendentes de ar, o que leva a formação dos fortes temporais de verão com fortes raios. Foi essa mistura que levou a todas as tragédias citadas. 

O Brasil, para quem não sabe, é o país campeão absoluto em raios do mundo com uma média anual de 70 milhões de raios. De acordo com estudos de cientistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE – Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais, a média anual de descargas elétricas no país deverá atingir a cifra de 100 milhões até o final desse século. 

Para efeito de comparação, o segundo colocado é o Congo, com média anual de 43,2 milhões de raios. Na sequência vem os Estados Unidos, com 35 milhões de raios por ano, a Austrália com 31,2 milhões, a China com 28 milhões e a Índia com 26,9 milhões de raios.  

As projeções dos cientistas indicam que a Amazônia será a região brasileira com o maior aumento da incidência de raios, aumento que deverá atingir a marca dos 50%. A Amazônia já é líder nacional em descargas atmosféricas devido à grande incidência de tempestades em toda a região.  

Um exemplo da grande incidência de raios na região é uma área da Floresta Amazônica localizada às margens do rio Negro e a cerca de 100 km da cidade de Manaus. De acordo com a análise de imagens de satélite, essa área de 25 km2 é atingida por raios ao longo de 250 dias a cada ano. Para as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as projeções indicam um aumento da incidência de raios entre 20% e 40%. Já para a Região Nordeste, que é a mais seca do país e a menos sujeita 

A queda de raios é responsável por cerca de 70% dos desligamentos das linhas de transmissão de energia elétrica e por aproximadamente 40% dos desligamentos nas redes de distribuição de energia elétrica nas cidades brasileiras. Além disso, as descargas elétricas provocam danos em um grande número de aparelhos eletroeletrônicos e em eletrodomésticos.  

Os raios se formam quando a potência do campo elétrico de uma nuvem excede a capacidade de isolamento do ar em relação à terra. A descarga elétrica que se forma – o raio, pode percorrer uma distância de 5 km. O raio é denominado descendente quando a corrente elétrica flui da nuvem para o solo e ascendente quando o fluxo vai do solo em direção à nuvem. A intensidade típica de um raio é de 20 mil ampères, valor equivalente a mil vezes o consumo de um chuveiro elétrico. 

Acidentes com raios também produzem um grande número de vítimas a cada ano. Segundo dados do INPE, o Brasil ocupa a sétima posição mundial em mortes por raios: foram registradas 2.194 vítimas fatais desde o ano 2000, o que dá uma média de 110 casos por ano.  

Cerca de 300 pessoas atingidas por raios conseguem sobreviver a cada ano no país, porém com graves sequelas. Além de queimaduras, as vítimas podem apresentar traumas físicos e neurológicos. De acordo com os especialistas, entre 80% e 90% dos acidentes com raios poderiam ser evitados com simples medidas de segurança

Além do Brasil, Estados Unidos e Índia também estão sujeitos a um aumento no número de raios. De acordo com um estudo publicado em 2014, pela prestigiada Revista Science, os Estados Unidos poderão ter um aumento de 50% no número de raios até o final desse século. Com o aquecimento global, para cada 1° C de aumento de temperatura no país poderá ocorrer um aumento de 12% na incidência de raios. 

No Alasca, maior Estado norte-americano, os dados mostram que houve um aumento de 17% nas descargas elétricas desde a década de 1980. Outro exemplo é a Califórnia – no mês de agosto do ano 2000, foram registrados cerca de 14 mil raios. Muitos dos grandes incêndios florestais registrados no Estado nos últimos anos foram provocados por raios. 

Pois é: além de todos os outros problemas criados pelas mudanças climáticas que já estamos enfrentando, vamos precisar ficar cada vez mais atentos aos sinais de chuva e de raios no horizonte… 

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