RELATÓRIO AFIRMA QUE MEIO AMBIENTE DA AUSTRÁLIA É “POBRE E ESTÁ SE DETERIORANDO” 

No último dia 19 de julho, foi divulgado um relatório elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente da Austrália onde foi feito um “raio X” da situação ambiental do país. Segundo o estudo, que foi concluído em 2021, a situação ambiental da Austrália se deteriorou muito nos últimos cinco anos. 

Entre todos os 38 membros da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a Austrália foi o país que mais perdeu espécies de mamíferos. E isso não é tudo – atualmente existem mais espécies exóticas do que as nativas da fauna local. 

Segundo os estudos, o país perdeu mais de 77 mil km2 de habitats de espécies nativas nas duas últimas décadas. Essa área é equivalente a todo o território da Tasmânia, a grande ilha localizada ao Sul da Austrália, ou a quase duas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro

Além dessa grande perda de habitats naturais, é sempre importante lembrar que a Austrália sofreu muito com grandes incêndios florestais nos últimos anos, o que reduziu ainda mais os habitats de espécies nativas. Um exemplo desse drama são os coalas, uma das espécies mais carismáticas da fauna local – esses animais estão ameaçados de extinção em três estados australianos. 

Em 2020, conforme comentamos em postagem aqui do blog, mais de 4 milhões de hectares de matas nativas foram destruídos por incêndios florestais no Sul e no Sudeste da Austrália. Dados da época afirmam que quase meio bilhão de animais, entre animais domésticos e da fauna nativa, morreram em consequência desses incêndios. 

Além da destruição de matas nativas e dos incêndios florestais, a fauna australiana sofreu muito com a introdução de espécies exóticas destinadas à criação comercial como bois, carneiros e cavalos. A Austrália também sofreu uma verdadeira invasão de espécies animais silvestres da Europa. Um grande exemplo foi a introdução da raposa vermelha (Vulpes vulpes), espécie que foi introduzida na Austrália por saudosistas da tradicional caça à raposa das áreas rurais da Inglaterra. 

Outro caso desastroso foram os coelhos que foram soltos no meio ambiente australiano – muitos imigrantes vindos das Ilhas Britânicas apreciavam caçadas e esses animais eram uma de suas presas favoritas. Sem possuir grandes predadores naturais na Austrália, esses animais se reproduziram sem qualquer controle. 

O primeiro caso da importação de coelhos na Austrália que se conhece foi em 1859, quando um latifundiário de Winchelsea, no estado de Vitória, adquiriu 24 coelhos selvagens europeus (Oryctolagus cuniculus). Esses animais foram soltos numa mata em sua propriedade. É provável que muitos outros australianos tenham feito a mesma coisa. Cerca de 70 anos depois, a população de coelhos no país era estimada em 10 bilhões de animais

Os problemas ambientais da Austrália também não poupam os mares ao redor do continente. Um dos casos mais emblemáticos é o da Grande Barreira de Coral, uma formação com aproximadamente 2 mil km que se estende entre o Leste australiano e a ilha de Papua-Nova Guiné. Essa Barreira abriga a maior concentração de corais do mundo – são cerca de 400 espécies catalogadas. 

Esse grande bioma também abriga cerca de 1.500 espécies de peixes e 4 mil variedades de moluscos, entre inúmeras espécies marinhas. Devido ao aquecimento global, a acidificação das águas do oceano e também devido a poluição, todo esse patrimônio natural está ameaçado. 

De acordo com estudos realizados em 2016 pela Universidade James Cook da Austrália, cerca de um terço dos corais estavam mortos ou morrendo, colocando a Grande Barreira de Coral na lista dos ecossistemas em maior risco no mundo. 

Nas águas ao Norte da Austrália alguns dos mais graves problemas ambientais estão associados à pesca predatória comercial. Estudos indicam que cerca de 14 mil tartarugas marinhas morrem anualmente presas em redes de pesca lançadas ou perdidas nas águas.  

Durante muitos milhões de anos, a Austrália foi uma das porções de terra mais isoladas de todo o mundo. Esse grande território com aproximadamente 7,5 milhões de km2 surgiu a partir da fragmentação do Supercontinente de Gondwana, processo que teve início há cerca de 160 milhões de anos. 

Gondwana era formado pela junção das terras da América do Sul, Antártida, África, Madagascar, Índia, Austrália, Nova Zelândia, Nova Caledônia e outras ilhas menores. Devido à movimentação das Placas Tectônicas, todos esses grandes blocos de terra começaram a se movimentar em diferentes direções até formar a atual configuração dos continentes. 

Com o gradual isolamento, a Austrália desenvolveu uma flora e uma fauna muito particulares, com espécies bem diferentes de outras regiões do mundo. Entre os mais espetaculares grupos de animais locais destacam-se os marsupiais – entre os mais fascinantes podemos destacar os cangurus, os coalas e o diabo-da-Tasmânia (o famoso Taz dos desenhos animados). 

Uma das primeiras invasões de espécies exóticas no continente australiano se deu com a chegadas dos primeiros seres humanos há cerca de 65 mil anos. Muitos estudiosos acreditam que esses primeiros grupos de humanos “invasores” chegaram na Austrália acompanhados de cachorros, que com o tempo passaram a viver em estado selvagem e se transformariam nos ancestrais diretos dos dingos (Canis dingo), os cães selvagens australianos. Esses animais foram responsáveis pelo extermínio de dezenas de espécies nativas da Austrália desde então. 

Com início da colonização da Austrália a partir dos últimos anos do século XVIII, os novos imigrantes deram continuidade ao “trabalho” iniciado no passado pelos dingos e a devastação ambiental no continente nunca mais parou, chegando ao nível crítico que assistimos agora. 

Enquanto muitos líderes mundiais, artistas e celebridades gastam seu tempo se preocupando com a “destruição” da Floresta Amazônica, existem inúmeros outros ecossistemas em avançado processo de destruição sem chamar a atenção do mundo. A Austrália é um desses tristes casos. 

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