O CRESCIMENTO DOS CASOS DE DENGUE NO BRASIL EM 2019

Aedes Aegypti

O ano de 2019 começou com uma enxurrada de más notícias: foram enchentes catastróficas em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho, o ataque a tiros na escola Raul Brasil em Suzano, a prisão do ex-presidente Michel Temer, entre outras. A divulgação e os desdobramentos dessas notícias nos meios de comunicação ocuparam muito tempo e monopolizaram a atenção do grande público. Outras notícias importantes, mas não tão impactantes, acabaram esquecidas. 

A Dengue, com suas causas e consequências, foi uma dessas pautas deixadas em segundo plano pela grande imprensa. Como o mosquito transmissor da doença, o Aedes Aegypti, parece não ligar para o que é transmitido pelos telejornais, os casos de Dengue apresentaram um crescimento de 149% no mês de janeiro de 2019 quando comparado com os casos de janeiro de 2018. De acordo com o Ministério da Saúde, até o último dia 2 de fevereiro, foram reportados 54.777 casos prováveis de dengue em 2019 – uma incidência de 26,3 casos por 100 mil habitantes. Em janeiro de 2018, o número de casos prováveis foi de 21.992

De acordo com o relatório divulgado pelas autoridades, foram registradas 5 mortes provocadas pela doença em todo o país apenas em janeiro de 2019. Uma das mortes ocorreu em Tocantins, uma em São Paulo, duas em Goiás e uma no Distrito Federal. Em todo o ano de 2018, foram registradas 23 mortes associados a casos de Dengue. 

A Região Sudeste lidera em número de casos, concentrando 60% das notificações – foram 32.821 casos registrados. Na sequência aparecem as Regiões Centro-Oeste, com 10.827, a Região Norte, com 5.224 casos, o Nordeste, com 4.105 casos e, por fim, a Região Sul, com 1.800 casos de Dengue. Quando se considera a incidência da doença pela população de cada Região, o Centro-Oeste e o Sudeste se destacam, com 67,3 e 37,4 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. 

Outro dado preocupante desse relatório são as taxas de crescimento dos casos de Dengue por Região entre 2018 e 2019. O destaque é a Região Sul, que apresentou um crescimento de 597,7%, passando de 258 para 1.800 casos. No Sudeste, houve um aumento de 472,6%, passando de 5.732 para 32.821 casos. Na Região, o crescimento foi de 233%, saindo de 1.569 para 5.224 casos. No Nordeste, esse crescimento foi bem menor: 37,6%, passando de 2.983 para 4.105 casos. A única Região brasileira que apresentou uma redução no número de casos de Dengue foi o Centro-Oeste – de 11.450 casos em 2018 para 10.827 casos prováveis em 2019, uma redução de 5,4%. 

Em dois Estados, Tocantins e São Paulo, as taxas de crescimento do número de casos de Dengue podem ser consideradas como “explosivas”. No Tocantins houve um aumento de 1.369%, com as notificações saltando de 210 para 3.085 casos prováveis. Em São Paulo, o Estado mais rico e populoso do país, o crescimento foi de 1.072%, passando de 1.450 para 17.004 casos prováveis. Aqui precisamos destacar a grande incidência de casos de Dengue na região de Bauru, uma importante cidade do interior de São Paulo, onde a Dengue praticamente virou uma epidemia

O levantamento do Ministério da Saúde também chama atenção para dois Estados da Região Sul, onde o crescimento do número de casos da doença foi muito grande – Paraná e Santa Catarina. No caso do Paraná, o aumento do número de casos sofreu um incremento de 648,6%, passando de 214 para 1.602 casos. Em Santa Catarina, o salto foi de 644%, saindo de 18 para 134 casos. Apesar de, em números absolutos, não serem tantos casos notificados, a alta taxa de crescimento é muito preocupante. 

Além da Dengue, o mosquito Aedes Aegypti também transmite outras doenças graves como a Zika e a Chikungunya. De acordo com os dados divulgados, foram notificados 630 casos de infecção pelo vírus da Zika em todo o país até o dia 2 de janeiro. Em relação aos casos ocorridos no mesmo período em 2018, 776 notificações, houve uma redução de 18%. Em termos regionais, a Região Norte liderou em número de casos, com 410 notificações. Na sequência aparecem a Região Sudeste, com 119 casos, o Nordeste, com 49 casos, o Centro-Oeste com 43 casos e o Sul, com apenas 9 notificações. 

No caso da Chikungunya, houve uma redução de 51%. Foram notificados 4.149 casos prováveis da doença até o dia 2 de fevereiro. No mesmo período de 2018, foram notificados 8.508 casos. A liderança em número de casos de Chikungunya também está na Região Norte, com 2.730 notificações. Na sequência aparece a Região Sudeste, com 789 casos, o Nordeste, com 446 casos, o Sul, com 94 casos, e a região Centro-Oeste, com 90 casos. 

Como já tratamos em inúmeras postagens aqui do blog, os casos de Dengue sempre estão associados aos criadouros de mosquitos que surgem ao redor de nossas casas e cidades. A fêmea do mosquito Aedes Aegypti busca locais com água limpa para depositar seus ovos. Entulhos da construção civil, restos de embalagens e recipientes plásticos, pneus velhos, entre outros resíduos, são descartados inadequadamente pelas populações em terrenos baldios, calçadas e ruas das nossas cidades. Com a chegada do verão e de suas abençoadas chuvas, esses resíduos passam a acumular água e se tornam locais ideais para a procriação dos mosquitos transmissores da doença. 

Além dos resíduos domésticos e da construção civil, vasos de plantas, calhas, caixas d’água e outros recipientes utilizados para o armazenamento de água nas residências, também tem grande potencial para serem transformados em “maternidade” para os mosquitos. A fêmea do Aedes Aegypti faz a postura dos ovos nas paredes do recipiente, exatamente na linha da água. Em cerca de 2 dois, esses ovos eclodem e as larvas do mosquito passam a viver na água. Em poucos dias, a pupa (forma larval do inseto) sofre uma metamorfose e surge o mosquito em sua forma adulta. Os ovos do mosquito são extremamente resistentes e podem sobreviver até dois anos longe da presença da água – basta chegar o período das chuvas para o ciclo ser reiniciado. 

Como ainda não existe uma vacina contra a Dengue, medidas preventivas de saneamento básico são fundamentais para o controle da doença. A correta coleta e destinação dos resíduos domésticos e da construção civil são a base do controle dos focos de reprodução dos mosquitos. A educação da população no sentido de dar uma destinação correta de seus resíduos domésticos e também em ações de limpeza e manutenção do espaço das suas casas também são fundamentais. Sem esses esforços de todos, basta chegar o período das chuvas para assistirmos essas explosões nos casos de Dengue.  

A Dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti somente serão erradicadas de nosso país com o esforço de todo. Faça a sua parte! 

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