OS AGROTÓXICOS QUE VOCÊ PÕE NA SUA MESA

Salada

Você que tem acompanhado as postagens sobre os diversos problemas que são causados pelo uso excessivo de agrotóxicos em nosso país, já deve ter se perguntado sobre os riscos que esses produtos podem trazer aos alimentos que consumimos em nosso dia a dia. Vamos explorar esse tema na postagem de hoje. 

A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, através do seu Programa de Análise dos Resíduos Tóxicos de Alimentos, realiza sistematicamente exames laboratoriais em amostras de alimentos, onde são feitos testes e medições em busca de resíduos de agrotóxicos. Os testes também procuram detectar a presença de agrotóxicos não autorizados – como se já não bastassem os problemas relativos ao uso de produtos químicos de fabricação nacional e autorizados pelos órgãos de fiscalização do Brasil, existem grandes problemas com o uso de produtos proibidos e que são contrabandeados desde países vizinhos. 

Num dos mais recentes levantamentos da ANVISA, aproximadamente 2.500 amostras de 18 tipos de alimentos foram analisadas. Veja a lista dos 10 alimentos que apresentaram os maiores níveis de contaminação – os valores percentuais indicam o total de alimentos com níveis de resíduos de agrotóxicos acima dos valores permitidos dentro de cada lote analisado: 

  1. Pimentão: 91,8%
  2. Morangos: 63,4% 
  3. Pepino: 57,4% 
  4. Alface: 54,2% 
  5. Cenoura: 49,6% 
  6. Abacaxi: 32,8% 
  7. Beterraba: 32,6% 
  8. Couve: 31,9% 
  9. Mamão: 30,4% 
  10. Tomate: 16,3% 

Um dos vegetais analisados, as batatas, produto que figura na lista dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, felizmente, ficou na última posição na lista pesquisada – nenhum dos lotes examinados apresentou vestígios de agrotóxicos. 

Os níveis de contaminantes encontrados nessa pequena amostra de alimentos consumidos diariamente pela população assustam, ao mesmo tempo que não causam surpresa a ninguém. Conforme já comentamos anteriormente, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, mesmo não sendo o maior produtor agrícola do planeta. Cerca de 1 milhão de toneladas de agrotóxicos são aplicados anualmente em plantações de Norte a Sul do país – fazendo uma divisão simples desse volume total de produtos químicos pela nossa população, que hoje está na casa dos 208 milhões de habitantes, chegaremos ao uso de quase 5 litros de agrotóxicos para cada um dos brasileiros: é justamente uma parte desse volume de químicos tóxicos que está chegando na sua mesa, através dos alimentos que você consome com a sua família

O desenvolvimento e a utilização dos diversos tipos de agrotóxicos, especialmente ao longo do século XX, foi fundamental para o controle de diversas pragas agrícolas, que destruíam uma parte considerável das colheitas de frutas, verduras, legumes e grãos. Todo esse esforço foi fundamental para o aumento da disponibilidade de alimentos a preços cada vez menores, o que ajudou a reduzir a fome e a desnutrição em todo o mundo. O problema que vem sendo observado nas últimas décadas é que o consumo de agrotóxicos, especialmente aqui no Brasil, vem crescendo a taxas muito maiores que os volumes de alimentos produzidos.  

Para que vocês tenham uma ideia desse crescimento: desde 2008, a importação de produtos químicos usados na produção de agrotóxicos no país teve um aumento de 400%; já o volume de agrotóxicos importados, prontos para o consumo, teve um aumento de 700% no mesmo período. E olhem que esses números não incluem os agrotóxicos contrabandeados de países vizinhos, de forma a burlar os controles da fiscalização (a compra e a aplicação de agrotóxicos depende da apresentação de uma “receita”, emitida por um profissional licenciado em agronomia/agricultura). 

Uma das razões desse uso abusivo de agrotóxicos aqui no Brasil está na nossa legislação: um estudo recente demonstrou que as nossas leis permitem um nível de contaminação dos corpos d’água com níveis de agrotóxicos num nível 5 mil vezes superior ao que é permitido em países da Europa. No caso de grãos como o feijão e a soja, os limites de contaminantes tolerados pela legislação brasileira são, respectivamente, 400 e 200 vezes superior ao permitido na Europa. Não é à toa que todos nós, brasileiros, estamos sendo envenenados um pouco a cada dia com alguns dos produtos químicos mais venenosos já criados ao longo da história. 

Uma das formas de se reduzir os níveis dos resíduos de agrotóxicos presentes nesses alimentos é submetê-los a uma ótima higienização, lavando-os com muita água corrente. Estudos indicam que folhagens como alface, rúcula e agrião, devidamente lavados e deixados em repouso numa solução de hipoclorito de sódio, podem ter os resíduos tóxicos reduzidos em até 90%. Muitas frutas e legumes, sem qualquer exagero, podem ter suas cascas lavadas com detergente e uma esponja de espuma antes de serem cortados e preparados, uma providência que ajudará muito na redução dos resíduos tóxicos. Muitos consumidores têm assumido posições mais radicais e só se alimentam com produtos orgânicos, que apesar de mais caros, apresentam riscos de contaminação muito menores (há sempre o risco da presença de resíduos tóxicos carregados pelos ventos ou pela água usada na irrigação – risco zero é muito difícil de se atingir).

A se persistir a atual situação, não tardará muito a termos de escolher entre morrer de fome ou sermos envenenados lentamente pelos agrotóxicos. 

One Comment

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s