FALANDO DAS OBRAS DO PROJETO DE TRANSPOSIÇÃO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO

Estação de Bombeamento

De acordo com dados do Ministério da Integração Nacional, o Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco compreende a construção de um complexo conjunto de obras civis onde se incluem: 14 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, 9 subestações elétricas com potência de 230 kW, 270 quilômetros de linhas de transmissão em alta tensão e 4 túneis – um destes túneis, o Cuncas I, com 15 quilômetros de extensão, é o maior já construído na América Latina para o transporte de água. Essas obras integrarão dois grandes Eixos de canais: O Eixo Norte, com aproximadamente 400 km de extensão, e o Eixo Leste, com aproximadamente 220 km de extensão.

Antes de passarmos à descrição destas obras, é importante entendermos a história do relevo local e os problemas que os desníveis dos terrenos criam para a transposição das águas:

O vale do Rio São Francisco é o que se chama em geologia estrutural de Graben ou fossa tectônicaum vale alongado com um fundo plano, resultado do afundamento de um grande bloco do território devido aos movimentos combinados de falhas geológicas paralelas ou quase paralelas. Sem entrar em maiores detalhes, esse tipo de afundamento se deve à movimentação das Placas Tectônicas, também conhecido como Tectônica Global – pesquise sobre isto.

A palavra Graben é de origem alemã e significa escavação ou vala. Os paredões que cercam a área afundada são chamados de Horst. Essa fossa tectônica original, num primeiro momento, formou um grande lago alongado, orientado no sentido Norte-Sul; com o tempo, a água deste lago encontrou uma falha no paredão (Horst) na direção Leste, através da qual começou a fluir em direção ao Oceano Atlântico – ao longo de um processo erosivo de milhões de anos, a água escavou as rochas nesta falha no paredão, formando o que conhecemos hoje como o Canyon (a palavra em português é canhão) do Rio São Francisco. Os processos geológicos que se seguiram, especialmente a erosão e a sedimentação, formaram a paisagem que conhecemos hoje como a bacia hidrográfica do Rio São Francisco.

Para que se consiga levar a água desde a depressão onde se encontra o vale do Rio São Francisco até os sertões de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, é necessário que se vença a altitude do relevo do antigo paredão que surgiu ao Norte do Rio São Francisco. No caso do Eixo Norte, a altura a ser vencida será de 160 metros acima do nível do Rio São Francisco na área de captação, próxima da cidade de Cabrobó em Pernambuco; no Eixo Leste as altitudes são bem maiores: para atender áreas do Semiárido Pernambucano, a água precisará ser elevada a uma altura de 500 metros acima do nível do Rio na área de captação na barragem de Itaparica, no município de Floresta em Pernambuco; no ramal que segue na direção do Semiárido Paraibano, a altitude chega aos 300 metros. Para vencer esses grandes desníveis, o Sistema contará com 9 estações de bombeamento (3 no Eixo Norte e 6 no Eixo Leste), onde poderosas bombas hidráulicas alimentadas por energia elétrica captam a água nos canais e reservatórios, bombeando “morro acima”.  Para facilitar o entendimento, imagine um imóvel com três andares: uma primeira bomba capta a água ao nível do solo e eleva até uma caixa d’água no primeiro andar; uma segunda bomba repete o processo elevando a água até o segundo andar e uma terceira bomba completa o processo, elevando a água até uma caixa d’água no terceiro andar; a partir deste ponto mais alto a água será distribuída por tubulações para todos os cômodos da construção usando a força da gravidade. O conceito do Sistema de Transposição do Rio São Francisco é exatamente este – eleva-se a água até reservatórios em pontos altos da região e se distribui para as regiões mais baixas pela ação da força da gravidade através de canais, aquedutos e túneis, numa declividade média de até 3% (isso significa que a cada 1 km percorrido, a água desce uma altura equivalente a 30 metros).

Através do Eixo Norte do Projeto, ainda em construção, a água será distribuída entre os sertões de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, seguindo através de 400 km de canais, alimentando quatro rios, três sub-bacias do São Francisco (Brígida, Terra Nova e Pajeú) e mais dois açudes: Entre Montes e Chapéu.

No Eixo Leste, que já possui um ramal em operação chegando até o município de Monteiro na Paraíba, serão 220 km de canais, parte levando água até o Rio Paraíba, depois de passar nas bacias dos Rios Pajeú e Moxotó, e outra parte atendendo regiões do Semiárido de Pernambuco.

As capacidades máximas de vazão de água nos Eixos Norte e Eixo Leste serão, respectivamente, de 99 m³/s e 28 m³/s; as vazões médias, porém, serão mais baixas: 16,4 m³/s no Eixo Norte e 10 m³/s no Eixo Leste. De acordo com estimativas do Governo Federal, quando todo o Sistema de Transposição estiver em plena operação, uma população total de 12 milhões de pessoas será beneficiada com as águas do Rio São Francisco.

Esses números grandiosos e mágicos escondem alguns problemas, que trataremos no nosso próximo post.

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