AS MEDALHAS DE TÓQUIO 2020, OU O LIXO ELETRÔNICO OLÍMPICO

tokyo-2020

Acredito que as imagens dos Jogos Olímpicos disputados no Rio de Janeiro no ano passado ainda estejam bem frescas na mente de todos vocês – entre obras atrasadas e superfaturadas, piscinas olímpicas com a água verde, sujeira e esgotos nas águas da Baia da Guanabara, nosso país até que acabou se saindo muito bem na fita e fizemos história. Infelizmente, muito do chamado Legado Olímpico foi abandonado logo após o evento – exemplos são a Vila Olímpica e o Estádio do Maracanã, que estão se deteriorando a olhos vistos. Lamentável!

Entre todos os momentos vividos numa Olimpíada, a conquista de uma medalha por um atleta é, de longe, um dos mais significativos – é o coroamento de toda uma trajetória com muito treinamento, esforço e dedicação a uma modalidade esportiva – essa medalha (ou medalhas como no caso de alguns atletas excepcionais) será um tesouro a ser guardado e cultuado por toda a vida.

Uma notícia que vem sendo divulgada há algum tempo nos dá conta da intenção do Comitê Olímpico da Cidade de Tóquio, no Japão, de utilizar metais recuperados a partir da reciclagem de resíduos eletroeletrônicos, mais conhecido como lixo eletrônico, como matéria prima para a confecção das medalhas olímpicas para os jogos de 2020. A recuperação de metais valiosos a partir da reciclagem das sucatas eletroeletrônicas é um tema que tenho discutido muito nos meus últimos posts e que no Japão é uma questão levada muito a sério – segundo levantamento da Nikkei Asian Review, os números da “mineração urbana” no Japão em 2014 resultaram em 143 kg de ouro, 1.566 kg de prata e 1.112 toneladas de cobre, entre outros metais nobres, alguns com valor muito superior ao cobiçado ouro. A publicação informa ainda que “apesar do arquipélago ser pobre em minas naturais, o ouro e a prata contidos em eletrônicos no país corresponde a 16% e 22% das reservas globais respectivamente, ultrapassando as reservas naturais de qualquer outro país”.

A intenção do Comitê Olímpico da Cidade de Tóquio é o de se criar uma rede de postos de coleta de resíduos eletroeletrônicos em todo o Japão dedicada aos Jogos Olímpicos, onde os metais nobres como o ouro, prata e cobre entre outros, recuperados através da reciclagem dos resíduos, sejam utilizados na fabricação das medalhas (lembrando que o bronze é uma liga metálica de cobre, zinco e outros metais). Apesar do alto índice de reciclagem de resíduos eletroeletrônicos no Japão, ainda existe um enorme espaço para o aperfeiçoamento – de um volume total de 650 mil toneladas de resíduos elétricos e eletrônicos descartados anualmente no país, menos de 100 mil toneladas de resíduos são descartados corretamente, com produtos usados e/ou danificados entregues nos pontos de coleta de lixo eletrônico.

Para os Jogos Olímpicos da Cidade do Rio de Janeiro em 2016 foi encomendada a fabricação à Casa da Moeda do Brasil de 5.130 medalhas, sendo 2.488 medalhas Olímpicas e 2.642 medalhas Paralímpicas. A estimativa do consumo de metais nobres para a fabricação dessas medalhas foi de 10 kg de ouro, 1.700 kg de prata, 900 kg de cobre e 50 kg de zinco. Nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, foram usados na confecção das medalhas 9,6 kg de ouro, 1.210 kg de prata e 700 kg de cobre. Esses números dão uma boa ideia do volume de metais nobres que deverá ser recuperado das sucatas eletroeletrônicas arrecadadas para a posterior utilização na fabricação das medalhas para a Olimpíada de Tóquio em 2020.

Muito mais importante que o valor material das medalhas, a campanha em prol da arrecadação de resíduos eletroeletrônicos que vem sendo desenvolvida pelos japoneses tem claros objetivos educacionais voltados à sustentabilidade ambiental, que é uma das principais bandeiras do Comitê Olímpico Internacional.

Considerando que em nosso país, hoje, grande parte dos municípios mal tem estrutura para a coleta e a destinação adequada dos resíduos sólidos, é bem difícil imaginar o dia em que vamos conseguir garimpar um volume tão expressivo de metais valiosos dos nos nossos resíduos eletroeletrônicos. Mas não custa nada sonhar…

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