OS POTENCIAIS RISCOS DO LIXO ELETRÔNICO À SUA SAÚDE

pilha

Parte significativa dos metais utilizados pelas indústrias eletroeletrônicas na fabricação dos seus produtos são tóxicos e podem causar uma série de problemas de saúde para os seres humanos em caso de contato, ingestão ou inalação. É a presença destes metais tóxicos no lixo eletrônico que torna a gestão e o cuidado com esses resíduos uma preocupação crescente na área ambiental.

De forma bem simplificada, o funcionamento de qualquer circuito elétrico é baseado na capacidade de condução de corrente elétrica de alguns materiais, especialmente metais como o cobre, estanho, prata e alumínio, além de diversos tipos de cristais semicondutores, especialmente o silício. Outros metais como o chumbo, o mercúrio e o cádmio, altamente tóxicos, têm larga utilização nos equipamentos e produtos eletroeletrônicos pela sua capacidade de armazenar energia na forma de pilhas e baterias.

Vamos analisar alguns riscos associados à contaminação de seres humanos com alguns desses metais, o que pode ocorrer pela ingestão de água e alimentos contaminados, inalação de vapores ou absorção pela pele:

Alumínio: é o segundo metal mais utilizado no mundo depois do aço. Por ser muito leve e flexível é largamente utilizado na fabricação de produtos eletroeletrônicos, especialmente os chamados portáteis como smartphones, tablets e laptops. A intoxicação por alumínio está associada à constipação intestinal, cólicas abdominais, anorexia, náuseas, fadiga, alterações do metabolismo do cálcio (raquitismo), alterações neurológicas com graves danos ao tecido cerebral. Em crianças pode causar hiperatividade e distúrbios do aprendizado. Estudos têm associado o alumínio ao agravamento do mal de Alzheimer e da doença de Parkinson. O excesso de alumínio no organismo humano interfere na absorção do selênio e do fósforo;

Cádmio: Os compostos de cádmio são largamente utilizados na fabricação de baterias e pilhas recarregáveis, utilizados em todos os tipos de aparelhos eletroeletrônicos. O acúmulo excessivo de cádmio no organismo humano pode induzir disfunções renais, doenças ósseas e deficiências nos órgãos e funções reprodutoras. É uma substância que pode atuar como um agente cancerígeno em seres humanos e que também pode provocar a perda de peso, hemorragias, rinofaringite, fibrose dos brônquios, enfisema pulmonar e danos ao fígado e rins;

Chumbo: metal muito utilizado na fabricação de alguns tipos de baterias. O acúmulo de chumbo no organismo humano causa irritabilidade, distúrbios visuais, anemias, infertilidade, hipertensão arterial, má formação fetal e nascimento de crianças com autismo, hiperatividade, infecções respiratórias, déficit de memória, apatia e diminuição da resistência óssea. Também pode provocar danos no sistema nervoso, medula óssea e rins;

Cobre: pelas suas excelentes propriedades de condução de eletricidade, o cobre é o metal mais utilizado na fabricação de fios, condutores e componentes elétricos e eletrônicos. Altos níveis de cobre no organismo humano, especialmente acumulado no sangue, pode levar ao esgotamento das reservas de zinco no cérebro, causar a oxidação da vitamina A e diminuir a quantidade de vitamina C, provocando dores musculares e nas juntas, distúrbios de aprendizado, depressão e fadiga. Também pode estar associado a disfunções comportamentais como irritação, anemias aplásticas e megaloblásticas, talassemia, nefrite, doença de Wilson, doenças hepáticas, esquizofrenia, eczemas, anemia drepanocítica, doença de Hodgkin e leucemia;

Estanho: é um metal largamente utilizado na soldagem dos componentes eletrônicos (associado ao chumbo numa liga metálica), que, se ingerido ou inalado na forma de vapor, pode provocar dores no estômago, anemia, danos no fígado e nos rins;

Mercúrio: é um metal pesado bastante tóxico, com larga aplicação em pilhas e baterias na forma de óxido de mercúrio. Um dos problemas mais frequentes se dá pelo envenenamento crônico, que acontece quando uma pessoa absorve pequenas quantidades de mercúrio ou seus derivados, que vai se acumulando no organismo. As principais consequências são tremores musculares, coceira persistente, sensação de queimadura na pele e distúrbios de personalidade. Em casos de envenenamento agudo, a vítima pode morrer em cerca de uma semana caso não receba o tratamento médico adequado;

Prata: é um metal utilizado na fabricação de baterias e de alguns componentes eletrônicos. A exposição do organismo humano a alguns compostos de prata pode provocar uma doença conhecida como argíria, onde a pele fica com um tom azulado, podendo afetar partes ou todo o corpo do doente.

São esses metais tóxicos presentes no lixo eletrônico que motivam toda a nossa preocupação com o descarte e a manipulação inadequada desses resíduos. A foto que ilustra este post é um pequeno exemplo do descarte irregular – uma pilha com a sua carcaça corroída pela ferrugem começando a liberar os metais tóxicos, que pela ação da chuva, infiltram e contaminam o solo e a água: imagine milhões de pilhas e outros resíduos eletroeletrônicos nessa mesma situação…

Todos nós devemos ter todo o cuidado e responsabilidade no descarte dos resíduos eletroeletrônicos.

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