O VOLUME DO LIXO ELETRÔNICO

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Numa contagem rápida dos resíduos eletrônicos existentes aqui em casa, encontrei sete telefones celulares, uma CPU de microcomputador antigo, um laptop, um aparelho telefônico de mesa, uma TV de tela plana e duas antigas TV’s analógicas, além de dezenas de pilhas que estão sendo guardadas em uma gaveta. Essa lista não é maior porque alguns telefones celulares e um microcomputador de modelos antigos foram doados para familiares. Acredito que todos os leitores têm sua própria lista destes resíduos, que mais cedo ou mais tarde terão de ser descartados de alguma forma.

O volume de resíduos eletroeletrônicos ou o lixo eletrônico, como muitos preferem chamar, cresce exponencialmente em todo o mundo, principalmente por causa da “obsolescência programada” – o modelo do produto que você tem e está usando ficou ultrapassado pois alguma empresa acabou de lançar um modelo novo, com mais recursos tecnológicos, maior velocidade, menor tamanho etc. O destino do produto obsoleto é um fundo de gaveta ou um canto abandonado em um armário ou estante a espera de uma destinação final.

A previsão do volume total de lixo eletrônico no mundo para o ano de 2017 é calculado em 65,4 milhões de toneladas métricas – se fosse possível organizar e montar estes resíduos como os cubos da Lego, seria possível construir 200 edifícios do tamanho do Empire State, prédio que é um dos símbolos da cidade de Nova York, ou suficientes para a montagem de 11 pirâmides de Gizé, o grande monumento egípcio. A produção per capita será equivalente a 7 kg de resíduos eletroeletrônicos para cada habitante do planeta.

Essa projeção foi feita em um estudo do ano de 2013, conhecido como Iniciativa Step, um trabalho conjunto entre a ONU – Organização das Nações Unidas, empresas, governos e organizações não-governamentais (ONGs). Foi o primeiro mapeamento global do chamado lixo eletrônico a mostrar o volume de resíduos eletroeletrônicos gerado em cada país. Como eu sempre costumo afirmar, conforme a fonte consultada há alguma variação nos números, mas essas estimativas dão uma ideia clara do tamanho do problema. Pode acontecer do volume de lixo eletroeletrônico mal conseguir formar 8 pirâmides ou, pior, ser suficiente para construir 15 ou 20 pirâmides de Gizé – a intenção é mostrar que se trata de um problema gigantesco (daí a ideia de usar monumentos mundialmente reconhecidos) e que não vai parar de crescer nos próximos anos.

De acordo com dados deste estudo, o Brasil teria colocado 2 milhões de toneladas métricas de produtos e equipamentos eletroeletrônicos no mercado em 2012 e gerado, naquele mesmo ano, 1,4 milhão de toneladas métricas de lixo eletrônico ou 7 kg de resíduos por habitante. Analisando esse ultimo número isoladamente, você diria que nosso país está dentro da média mundial – o problema é que em países desenvolvidos, esse volume per capita é bem maior que o nosso: nos Estados Unidos, para citar um bom exemplo, a produção de resíduos eletroeletrônicos por habitante foi de 29,8 kg em 2012, quatro vezes maior que a produção brasileira, o que mostra o potencial de crescimento do problema aqui em terras tupiniquins. E como comentei em meu último post, nós brasileiros mal começamos a perceber o tamanho do problema do lixo eletrônico, quiçá lidarmos com o problema caso ele quadruplique nos próximos anos, na suposição que nossos padrões de consumo, eventualmente, se aproximem dos padrões americanos.

É frequente em minhas postagens comentários sobre os problemas mais corriqueiros na coleta e destinação dos resíduos sólidos, lixo jogado em ruas e terrenos baldios, enchentes localizadas provocadas por lixo e entulho arrastado por enxurradas em dias de chuvas fortes – nossa sociedade ainda não está preparada para lidar com os resíduos sólidos do nosso dia a dia. Imaginem o crescimento dos problemas a partir da “invenção” dessa nova categoria de resíduos sólidos – o lixo eletrônico?

Essa é para você pensar na sua cama hoje usando o seu smartphone

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