UMA DAS NOSSAS MAIS RECENTES CRIAÇÕES: O LIXO ELETRÔNICO

lixo-eletronico

O século XIX foi um dos períodos mais empolgantes da história da humanidade: foi uma fase marcada pelo avanço da ciência. Em épocas anteriores, esses avanços se deviam aos esforços individuais de uns poucos cientistas, que trabalhavam sob intenso controle de religiosos armados com os cânones da Igreja e do misticismo milenar, sempre enxergando a ciência como uma “coisa do demônio”. O crescimento na produção conquistado a partir do final do século VXIII na chamada Revolução Industrial acabou por forçar a ciência a buscar soluções para uma série de problemas técnicos elementares que atravancavam o aumento da produção e dos lucros.

Alguns exemplos: a produção de comida enlatada de qualidade para o exército do Imperador Napoleão dependeu de uma série de descobertas na área da biologia sobre os microrganismos que estragavam os alimentos; a indústria têxtil precisava de corantes modernos para substituir os produtos naturais usados até então, como o  pau-brasil – surgiram as anilinas químicas. Avanços fundamentais também surgiram na Geologia, Metalurgia, Medicina, Física, Engenharia entre outras áreas.

Um avanço dos mais fabulosos foi no campo da eletricidade, que em poucas décadas passou dos estudos teóricos dos fenômenos elétricos às aplicações práticas do uso da eletricidade no dia a dia de milhares de pessoas. Um marco histórico importante foi o início do fornecimento de energia elétrica para 59 residências da cidade de Nova York em 1882 pela empresa fundada por Thomas Edison. A eficiência e a praticidade da energia elétrica caíram no gosto popular e a área não parou mais de crescer. A eletricidade e a eletrônica, uma de suas crias mais proeminentes, não saíram mais da moda desde então.

Iluminação, aquecimento, conservação e preparação de alimentos, entretenimento, defesa e segurança, transportes, medicina, administração pública, educação – da primeira lâmpada elétrica funcional de Thomas Edison à ultra eficiente e econômica lâmpada de LED; do primeiro automóvel elétrico construído na França em 1881 à atual corrida tecnológica entre os fabricantes de carros elétricos no Vale do Silício; dos pioneiros experimentos na transmissão de ondas de rádio pelo padre brasileiro Landell de Moura em 1894 às mais modernas tecnologias digitais de transmissão de voz e dados dos nossos computadores, tablets e telefones celulares – nossa vida moderna seria impensável sem o conforto e a praticidade da eletricidade e de uma gama incontável de produtos eletroeletrônicos.

Qualquer avanço ou conquista humana tem sempre seus custos: no caso da eletricidade e da eletrônica, um desses custos pode ser traduzido no chamado lixo eletrônico. Há uma série de outros custos ambientais que vão desde a extração de minerais e matérias primas usados na fabricação dos produtos até a geração da eletricidade, que não vamos considerar por hora.

Lixo eletrônico pode ser definido com um resíduo sólido complexo, formado por uma enorme variedade de metais e materiais, grande parte de difícil separação para fins de reciclagem.  A recuperação de metais presentes em componentes como transistores, circuitos integrados e microprocessadores, por exemplo, exigem tecnologias complexas e de custo elevado, nem sempre viáveis economicamente. Alguns dos metais encontrados nos resíduos eletrônicos são altamente valiosos – cobre, estanho, prata e ouro; outros, como o níquel, cromo, mercúrio e o cádmio, são tóxicos.

Para um catador de recicláveis comum, as quantidades destes metais valiosos existentes em um computador, televisor ou telefone celular descartados são tão pequenas e de separação tão difícil que não vale a pena encher um carrinho com esses resíduos e tentar vendê-los; os donos de ferro velho têm dificuldades semelhantes – resíduos metálicos de ferro, alumínio e cobre (nesse caso muitas vezes de origem ilícita) são mais fáceis de vender e bem mais lucrativos. O resultado são milhões de resíduos e produtos eletroeletrônicos obsoletos descartados a cada ano sem maiores cuidados, com um detalhe preocupante: a produção não para de crescer e a vida útil dos produtos é cada vez menor.

Além de latas, embalagens plásticas, garrafas, lixo orgânico e todos os demais resíduos tradicionais de nossa sociedade, os lixões e aterros passaram a receber televisores de tela plana, impressoras a laser, computadores, smartphones e tablets – os produtos de alta tecnologia iniciaram a sua luta por um espaço para chamar de seu.

Os arqueólogos de um futuro distante vão se divertir muito – já nós e nossos descentes diretos vamos sofrer muito até lá, convivendo com tantos resíduos tecnológicos…

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