RESÍDUOS HOSPITALARES COM SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS E MATERIAIS RADIOATIVOS – GRUPO B E GRUPO C

bioquimica

No início do século XX, quando os nossos avós e bisavós nasceram, a expectativa de vida dos brasileiros era de 33,7 anos –  atualmente, essa expectativa já é superior a 75 anos e continua aumentando ano a ano. Os principais responsáveis por esse espantoso aumento em pouco mais de um século foram as melhorias na alimentação, na habitação, na educação, no saneamento básico e na saúde, incluindo-se nesse item as campanhas de vacinação, a evolução tecnológica no desenvolvimento e produção de medicamentos, equipamentos para o diagnóstico e tratamento de doenças, técnicas cirúrgicas, terapias com células troncos, transplantes de órgãos entre outras maravilhas da medicina moderna. Vamos nos ater à duas áreas específicas: a bioquímica e a medicina nuclear.

A bioquímica é a ciência que está por trás do desenvolvimento e produção dos medicamentos através do estudo e aplicação da química da vida e dos processos químicos que ocorrem nos organismos vivos. De uma maneira geral, a bioquímica consiste no estudo da estrutura molecular e das funções metabólicas de biomoléculas, biopolímeros e componentes celulares e virais, como as proteínas, as enzimas, os carboidratos, os lipídios, os ácidos nucleicos entre outros.

Tanto nos estudos e desenvolvimento de novos medicamentos nos laboratórios e centros de pesquisa, quanto na aplicação desses medicamentos nos diversos serviços de saúde em hospitais, clínicas e universidades, existe a geração de resíduos contaminados por substâncias químicas que, se descartados de maneira incorreta, têm potencial para apresentar riscos à saúde pública e ao meio ambiente – como diz um antigo ditado: a diferença entre remédio e veneno está na dosagem.

Entre esses resíduos perigosos da Casse B destacam-se: antimicrobianos, hormônios sintéticos, quimioterápicos e materiais descartáveis por eles contaminados. Medicamentos vencidos, contaminados, interditados, parcialmente utilizados e demais medicamentos impróprios para consumo. Objetos perfurocortantes contaminados com quimioterápicos ou outros produtos químicos perigosos.

Também se incluem mercúrio e outros resíduos de metais pesados. Saneantes e domissanitários. Líquidos reveladores e fixadores de filmes (centro de imagem). Efluentes de equipamentos automatizados utilizados em análises clínicas. Quaisquer resíduos do Grupo D (Resíduos que não apresentem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente), comuns, com risco de estarem contaminados por agentes químicos.

Os Resíduos do Grupo B devem ser acondicionados em embalagens rígidas, com tampa rosqueada ou na própria embalagem de origem, devidamente identificadas com o símbolo de substância química e a identificação da substância nelas contidas. Produtos e substâncias químicas com identificação da origem devem ser encaminhadas ao fabricante para providências. Os demais resíduos devem incinerados ou esterilizados e encaminhados para descarte em aterros sanitários autorizados. A colocação destes resíduos em valas assépticas é considerada uma opção igualmente válida.

Já os Resíduos da Classe C incluem os materiais e substâncias que contenham elementos radioativos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear, e, normalmente, estão ligados aos estudos e tratamentos das áreas médicas conhecidas como medicina nuclear e radioterapia. A medicina nuclear permite observar o estado fisiológico dos tecidos de forma não invasiva, através da marcação de moléculas participantes nesses processos fisiológicos com isótopos radioativos. Através da emissão de partículas beta ou alfa em equipamentos de radioterapia, que possuem alta energia, possibilitam a destruição de células ou estruturas indesejáveis, como por exemplo as células cancerígenas de tumores.

Os Resíduos da Classe C incluem todos os resíduos dos grupos A, B e D contaminados com radionuclídeos, provenientes de laboratório de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia. Estes resíduos quando gerados, devem ser identificados com o símbolo internacional de substância radioativa, separados de acordo com a natureza física do material, do elemento radioativo presente e o tempo de decaimento necessário para atingir o limite de eliminação, de acordo com a Resolução NE 605 da CNEN. Devido às características de periculosidade dos materiais radioativos, é aconselhável que os resíduos sejam manejados somente por pessoal especializado nesta área.

Para lembrar do perigo dos materiais radioativos, vou citar um exemplo drástico: o vazamento de Césio-137 em Goiânia em 1987, quando catadores de materiais encontraram um equipamento de radioterapia abandonado em uma clínica. Esses catadores abriram a cápsula onde estava o Césio-137 e mais de 1.600 pessoas foram contaminas pelo elemento radioativo – estima-se que o acidente resultou em 104 mortes ao longo de 25 anos. Todo o cuidado com esse tipo de resíduo é pouco.

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