OS RESÍDUOS PERFUROCORTANTES OU ESCARIFICANTES – GRUPO E

epidemia

A foto que ilustra esse post é da divulgação do filme EPIDEMIA, lançado em 1995 e que contou com um elenco de primeira linha: Dustin Hoffman, Rene Russo, Cuba Gooding Jr, Kevin Spacey, Morgan Freeman, Patrick Dempsey e Donald Sutherland, entre outros. Para quem ainda não viu, fica a dica.

O enredo do filme tem tudo a ver com o tema de hoje: um vírus desconhecido e mortal começa a assolar a população de uma pequena cidade nos Estados Unidos. Preocupado com a possível disseminação da doença, o exército americano isola a cidade, impedindo a saída de qualquer um dos moradores enquanto uma equipe de médicos e virologistas luta contra o tempo para descobrir a origem, o portador do vírus e a cura. Em uma das cenas, a personagem vivida pela atriz Rene Russo – uma médica, se fere acidentalmente com uma agulha com o sangue de um dos doentes e é contaminada com o vírus mortal, aumentando a emoção do filme.

Apesar de ser uma obra de ficção, o risco de contaminação com as agulhas, bisturis e outros objetos perfurocortantes ou escarificantes em áreas de isolamento em hospitais e centros de pesquisa é uma realidade – profissionais da área de saúde devem seguir rigorosos protocolos de segurança. Epidemias com cepas de vírus altamente perigosos também são uma ameaça real em nossos dias – entre 2013 e 2015, diversos países da África Ocidental enfrentaram uma epidemia devastadora causada pelo vírus Ebola, que deixou um rastro de destruição e de mortes: mais de 11.300 mortes oficiais em mais de 28.600 casos relatados – mais de 99% na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Graças aos esforços da OMS – Organização Mundial da Saúde, e de profissionais e de organizações de saúde de diversos países, a epidemia foi controlada e praticamente erradica da região – casos isolados continuam a ser notificados.

Os Resíduos dos Serviços de Saúde do Grupo E, os chamados materiais perfurocortantes ou escarificantes, incluem: objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontas ou protuberâncias rígidas e agudas, capazes de cortar ou perfurar. Os materiais mais comuns desse Grupo são lâminas de barbear, agulhas, escalpes, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, tubos capilares, lancetas, ampolas de vidro, micropipetas, lâminas e lamínulas, espátulas. Todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas, tubos, de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. Esses materiais podem ser infectados durante o uso com vírus, bactérias, substâncias químicas etc, podendo infectar profissionais de todas as áreas que, por alguma eventualidade, venham a se ferir com pontas e lâminas; se descartados de maneira irregular, esse risco passará aos profissionais de coleta de resíduos, catadores de materiais recicláveis, crianças brincando entre outros. Dependendo do tipo de contaminante e do nutriente em que ele está imerso (no caso de vírus, bactérias e outras células vivas), o risco de contaminação persistirá por várias horas ou até mesmo por vários dias.

Esses resíduos devem ser descartados separadamente em recipientes rígidos, resistentes à punctura, ruptura e vazamento, com tampa, devidamente identificados, sendo expressamente proibido o esvaziamento desses recipientes para o seu reaproveitamento. Devem ser encaminhados para uma unidade de esterilização ou incineração e os resíduos devem ser encaminhados para disposição em um aterro sanitário controlado. Existem em todo o Brasil empresas especializadas na coleta, transporte, esterilização e destinação final deste tipo de resíduo.

Uma das embalagens de coleta e armazenamento mais comuns são caixas de papelão especiais, utilizadas em hospitais, clínicas, consultórios, farmácias e centros de pesquisa, mais conhecidas como Caixa Coletora de Perfurocortante. Quando se atinge o limite de capacidade indicado (que nunca deve ser desrespeitado), a tampa da caixa deve ser fechada, não devendo ser aberta ou ter qualquer material removido posteriormente. Essas caixas possuem uma impressão com a indicação do conteúdo, o símbolo de material infectante e a capacidade. De acordo com as normas técnicas, o papelão utilizado na confecção dessas caixas coletoras deve resistir ao corte e a perfuração pelos objetos contidos em seu interior e também devem ser à prova de vazamentos.

Infelizmente, muitos destes resíduos perfurocortantes não são devidamente embalados e descartados conforme as normas técnicas. Eu mesmo já vi caixas de papelão com seringas e restos de frascos de vidro abandonadas em calçadas na região central da cidade de São Paulo – sabe-se Deus como elas foram parar por lá. Muitos destes resíduos acabam em lixões a céu aberto ou abandonados em terrenos baldios, expondo catadores de resíduos, moradores de rua, crianças e animais domésticos a ferimentos no caso de contato com esses materiais. Em muitos casos alguns desses resíduos podem acumular a água das chuvas e vir a abrigar criadouros do mosquito Aedes aegypti.

O cuidado com esses resíduos deve ser redobrado.

One Comment

  1. Eu quero ver este fime de novo. Eu gostei pelo personagem principal. Rene Russo é uma das atrizes que melhor se veste e a tem a carreira em crescimento, o vi faz pouco tempo em Apenas o Começo e é algo diferente ao que estamos acostumados com ela, se vê espetacular. É um dos filmes com Tommy Lee Jones mais interessantes. Se alguém ainda não viu, eu recomendo amplamente, vocês vão gostar com certeza. É uma historia que vale a pena ver.

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