RESÍDUOS SÓLIDOS DO COMÉRCIO, OU A LOGÍSTICA REVERSA COLOCADA EM PRÁTICA

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Existe uma região de comércio popular da cidade de São Paulo que, nessa semana que antecede o período das festas de fim de ano, chega a receber mais de 1 milhão de visitantes a cada dia: a Rua 25 de Março. Considerada o maior centro comercial da América Latina, a região concentra uma infinidade de empresas varejistas e atacadistas, especialmente dos ramos de tecidos, confecções e acessórios, papelaria e armarinhos; em ruas próximas existem pólos especializados em plásticos, equipamentos para cozinha, metal-mecânica, confecções para noivas, sem contar com o Famoso Mercado Municipal da Cantareira – o Mercadão.

Além de um comércio regular altamente organizado, a região atrai uma multidão de comerciantes irregulares, os conhecidos camelôs ou, no dito popular, marreteiros, que comercializam de tudo, desde alimentos até os produtos “genéricos” importados via Paraguai.

A maior parte dos resíduos sólidos do comércio é formada por embalagens: caixas de papelão, plásticos e isopor, espumas (usadas na proteção de produtos frágeis), sacarias, paletes e caixas de madeira; em menor escala, são descartados produtos defeituosos ou quebrados e resíduos de escritório como papeis, plásticos e itens descartáveis em geral. Centros comerciais como a Rua 25 de Março normalmente são muito organizados, com empresas e comerciantes participando de associações comerciais próprias, com boas estruturas de coleta e destinação dos resíduos gerados diariamente – ruas limpas e acessíveis são fundamentais para o acesso da clientela e bom funcionamento das atividades das lojas.

Na Rua 25 de Março e em outros centros comerciais da cidade de São Paulo os maiores problemas são os resíduos gerados pelo comércio irregular, que abandona montanhas de lixo nas ruas e calçadas dia após dia. Com alguma frequência, batalhas campais entre camelôs e autoridades do poder público, incluindo-se fiscais, Policiais Militares e Guardas Civis Metropolitanos da cidade de São Paulo, se desenrolam nessas ruas para coibir esse comércio irregular – bastam poucos dias para as ruas e calçadas voltarem a ser tomadas por vendedores ambulantes.

Além dos resíduos sólidos tradicionais, as empresas comerciais terão, mais cedo ou mais tarde, de se preocupar com um novo problema: a logística reversa que obriga os estabelecimentos comerciais a receberem de volta produtos em ciclo final de vida e embalagens, procedimento já comum em países desenvolvidos. Um exemplo são os pneus usados, que já são recolhidos pelos revendedores e encaminhados para os fabricantes, responsáveis pela destinação final dos resíduos – fragmentos de pneus são adicionados na massa asfáltica usada na pavimentação de ruas, avenidas e rodovias; outra parte dos fragmentos são queimados para geração de energia em fábricas de cimento.

Um dos grandes problemas a ser enfrentado pelo comércio, que é também um dos maiores desafios da atualidade, são os resíduos tecnológicos – computadores, celulares, monitores, televisores, pilhas e baterias, lâmpadas eletrônicas entre outros, que crescem exponencialmente e, de acordo com a legislação vigente, devem ser entregues aos revendedores, que são obrigados a dar uma destinação ambiental correta. A maioria das empresas comerciais não está estruturada para atender essa demanda e a maioria dos consumidores não sabe dessa obrigatoriedade – no vácuo existente, milhões de aparelhos eletro-eletrônicos são descartados junto com o lixo comum e encaminhados para os lixões e aterros sanitários – só para lembrar, esses resíduos possuem grandes quantidades de produtos tóxicos e metais pesados como o mercúrio das baterias, elemento altamente nocivo. Outro problema: quem vai pagar esta conta? Acreditar que o comércio vai arcar sozinho com este custo é ingenuidade.

Enquanto isso, alguns fatos curiosos acontecem: um incidente ocorrido na região da Rua 25 de Março resume bem o clima de animosidade que deverá tomar conta do comércio dentro em breve: um caminhão com 15.000 lâmpadas fluorescentes queimadas estacionou na frente de uma loja de 100 metros quadrados, pronto para realizar a logística reversa – a loja não tinha a menor condição de receber os resíduos e foi necessária muita conversa para chegar-se a um acordo entre as partes.

Imaginem a confusão que acontecerá no comércio no momento em que todos os consumidores passarem a fazer a logística reversa e abarrotarem as lojas com celulares, computadores, monitores, televisores, pilhas, baterias e tudo mais?

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