CHEGOU O VERÃO: UMA ESTAÇÃO DE ALTOS E BAIXOS

represa-jaguari

Fim de ano chegando. Vamos deixar de lado por enquanto a questão dos resíduos sólidos e falar novamente de um tema fundamental: a água.

Às 8h44 da manhã deste dia 21 de dezembro começa oficialmente o Verão aqui na minha região – onde não existe horário de Verão ou o fuso horário não é o de Brasília, deve-se fazer a respectiva correção do horário. Época de férias para muita gente e estação ansiosamente esperada pelos amantes do calor, das praias, dos banhos de rio e de muita bebida gelada.

Para quem vive na Região Metropolitana de São Paulo o Verão chega com, pelo menos, uma boa notícia: o Sistema Cantareira, nosso principal manancial de abastecimento de água, está próximo do nível de 46% – há exatamente um ano atrás este índice era de – 2,7%, ou seja, estávamos começando o Verão com o Sistema no volume morto e com as autoridades e população fazendo todo o tipo de esforço para economizar água. Felizmente, este período de calor se inicia com um volume de água bem mais confortável, porém com a recomendação de muita cautela e moderação no consumo.

Enquanto alguns respiram aliviados, muitos vivem dias angustiantes – a Região Nordeste passa pelo pior período de estiagem em muitas décadas. Iniciada em 2012, a seca já dura quase cinco anos, afetando 34 milhões de pessoas, tendo causado prejuízos econômicos de mais de R$ 100 bilhões.

No Estado do Ceará, os dados oficiais (20/12/2016) indicam que o volume total de água armazenada nos 153 reservatórios está com um índice de 6,9%; no Alto Sertão Pernambucano, os reservatórios de Entremontes, Saco II e Boa Vista possuem, respectivamente, os volumes armazenados de 1,4%, 4,4% e 0,9% (20/12/2016). O maior reservatório de água da Região Nordeste, a represa de Sobradinho na Bahia, poderá chegar ao final deste ano em um nível próximo de 0% caso as chuvas na bacia hidrográfica do Rio São Francisco não se intensifiquem.

Nosso país, com dimensões continentais, tem uma distribuição de água bastante irregular de uma região para outra: na Amazônia, onde vive 10% da população brasileira, encontramos 70% das reservas superficiais de água do país; já na Região Nordeste e no Estado de São Paulo, onde vivem mais de 1/3 da população brasileira, as reservas de água superficiais correspondem, respectivamente, a 3% e 1,6% do total – mesmo em condições climáticas normais, o abastecimento da população já é crítico: em períodos de estiagem a situação fica caótica. Com as mudanças climáticas que são já perceptíveis em todo o planeta e com a tendência do consumo de água apontar para uma alta contínua, a situação tende a piorar ainda mais.

Como sempre, continuaremos a esperar que o bom senso e a competência técnica prevaleçam e deixemos de depender única e exclusivamente da vontade dos céus (em todos os sentidos) para nos fornecer a tão preciosa água.

Um país minimamente sério não poderá prosperar em meio a tantos altos e baixos.

barragem-do-jua

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