LODO SANITÁRIO: DE SOLUÇÃO A GRANDE PROBLEMA

limpa-fossa

Qualquer que seja a tecnologia utilizada para o tratamento dos esgotos sanitários, sempre haverá a produção de resíduos sólidos como um subproduto do tratamento – esse resíduo, chamado de lodo sanitário, é formado por partículas sedimentares de areia e argila, rico em nutrientes de origem orgânica, sais minerais e metais pesados, alguns deles como o cádmio, o cromo e o mercúrio são altamente tóxicos à saúde humana a depender da concentração. Dependendo do processo de tratamento dos esgotos utilizado, esse lodo pode possuir grandes concentrações de bactérias, protozoários e outros microrganismos ainda vivos, que serão eliminados durante as etapas de desidratação e secagem.

Devido à presença de metais pesados em sua composição, o processo de transporte e descarte do lodo sanitário deve ser controlado e feito por pessoal especializado. A disposição final deve ser feita em aterro sanitário controlado e homologado pelo órgão ambiental competente. Lodo resultante do tratamento de esgotos industriais, conforme o tipo de substâncias ou produtos contaminantes presentes em sua composição, pedem cuidados específicos, podendo, inclusive, necessitar do transporte para incineração em fornos especiais.

O lodo recolhido do Reator Anaeróbio, de fossas sépticas, tanques facultativos ou qualquer outra instalação que realize o tratamento primário na planta da Estação de Tratamento, possui um grande volume de efluentes. Numa primeira etapa de secagem, esse lodo passa por um processo de centrifugação, onde há uma grande redução no volume de líquidos. O efluente resultante desse processo é encaminhado de volta à entrada da Estação de Tratamento de Esgotos para reprocessamento.

Após a centrifugação, o lodo sanitário perde a maior parte dos líquidos e do volume. Para reduzir ainda mais o volume de líquidos, o lodo é encaminhado para uma secadora especial onde a aplicação de calor reduz a umidade através de evaporação e também elimina os patogênicos ainda presentes no substrato. O lodo sanitário é encaminhado a seguir para armazenamento. Alguns anos atrás, visitando uma ETE – Estação de Tratamento de Esgotos, em Itu, cidade de 140 mil habitantes a 100 km de São Paulo, fiquei impressionado com a quantidade diária de lodo sanitário produzida – uma caçamba com 3 toneladas a cada dia ou, 1.095 toneladas por ano somente em uma unidade de tratamento – esse é o peso combinado de 1.150 carros populares.

Os resíduos sólidos resultantes do tratamento, depois de secos e livres de agentes patológicos, devem ser depositados em um aterro sanitário. Esse tipo de aterro possui uma camada de material impermeável no fundo, que tem como objetivo evitar que as águas da chuva que infiltram no solo carreguem poluentes e contaminantes do lodo na direção de lençol freático – as águas subterrâneas podem difundir esses contaminantes por uma extensa região geográfica, colocando em risco populações que consomem água retirada de poços. Aterros sanitários são equipados com dispositivos de drenagem dos líquidos percolados ou lixiviados, mais conhecidos como chorume, que são direcionados para um tanque de armazenamento e depois encaminhados por caminhões tanque para tratamento numa ETE.

Estudos realizados por especialistas em agricultura demonstraram que o lodo sanitário pode ser utilizado como fertilizante em áreas de reflorestamento de eucalipto e pinus, árvores destinadas à produção de madeira e celulose. Outros estudos comprovaram a sua viabilidade como matéria prima para a produção de alguns tipos de produtos em indústrias cerâmicas, especialmente telhas e manilhas; nesses experimentos foi ressaltado que há necessidade de um controle rigoroso do nível de contaminantes presentes no lodo sanitário como forma de resguardar a saúde dos trabalhadores envolvidos nos processos de manuseio do material. Considerando-se que há uma produção diária de milhares de toneladas de lodo sanitário em todo o Brasil, é fundamental que se encontrem alternativas ecologicamente corretas para o uso desta matéria-prima, evitando-se ao máximo o uso de aterros sanitários.

Agora um alerta: residências que utilizam fossas sépticas para o despejo de esgotos, frequentemente necessitarão de um serviço de limpa fossas para remover o lodo sanitário acumulado – esse lodo deve ser descarregado numa Estação de Tratamento de Esgotos, onde receberá o devido tratamento; infelizmente, muitas empresas optam pelo despejo clandestino desse lodo em terrenos baldios ou, pior, realizam o descarte em rios e córregos (vide a foto deste post), provocando uma maré negra de poluição e destruição das águas.

Se identificar algo assim, anote o número da placa do caminhão e faça uma denúncia na Polícia Ambiental.

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