MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE ATUALIZA LISTA DE ESPÉCIES AMEAÇADAS NO BRASIL 

O Ministério do Meio Ambiente publicou uma portaria no último dia 7 de junho, onde atualizou a lista oficial de espécies da flora e da fauna brasileira em ameaça de extinção. Essa lista atualizou a publicação feita em 2014 e, segundo as informações divulgadas, será atualizada anualmente daqui para a frente. 

De acordo com a nova lista, 3.209 espécies da flora e 1.249 espécies e subespécies da fauna brasileira estão ameaçadas. As espécies da fauna incluem 257 aves, 59 anfíbios, 71 répteis, 102 mamíferos, 97 peixes marinhos, 291 peixes continentais, 97 invertebrados aquáticos e 275 invertebrados terrestres. 

Desse total de espécies ameaçadas, 669 representam resultados atualizados, 581 são táxons (uma unidade em qualquer nível de um sistema de classificação: um reino, género e uma espécie de um sistema de classificação dos seres vivos) que não tiveram seus resultados atualizados, 144 são espécies e subespécies que saíram de uma categoria de ameaça e 219 são novos táxons incluídos na lista. 

O Ministério do Meio Ambiente informa que existem 7.841 táxons que foram categorizados como não ameaçados. Esses táxons incluem 138 na categoria Quase Ameaçados, 7.054 como Menos Preocupante, 482 como Dados Insuficientes e 167 como Não Aplicável, onde se incluem espécies com ocorrência marginal no país. O Ministério também informou que, até o final de 2022, será publicada uma nova lista com o ciclo de avaliação e reavaliação de outras 15 mil espécies. 

Essa nova lista também inclui nove espécies da fauna consideradas extintas na natureza, uma a mais que a última lista apresentada em 2014. Essa espécie que foi incluída é um sapo endêmico da Mata Atlântica – Boana cymbalum, que era encontrado apenas num trecho da Serra de Paranapiacaba, em São Paulo. 

Também existem boas notícias – duas espécies de tubarão que eram consideradas regionalmente extintas, saíram da lista. Falamos do cação-dente-de-agulha (Carcharhinus isodon) e o tubarão-gato-de-boca-estreita (Schroederichthys bivius). 

Outras sete espécies de peixes marinhos saíram da lista de espécies ameaçadas. São elas a raia-manta (Mobula hypostoma), manta-anã (Mobula rochebrunei), peixe-bruxa (Myxine sotoi), raia-viola (Pseudobatos lentiginosus), a raia-elétrica (Tetronarce puelcha), o peixe-cachimbo (Micrognathus erugatus) e o cação-bagre (Squalus acanthias). Essas duas últimas espécies passaram a ser classificadas como Criticamente Em Perigo. 

Outros exemplos de espécies ameaçadas que aparecem na lista são os morcegos, animais que costumam causar arrepios na maioria das pessoas, mas que são fundamentais nos processos de polinização das plantas. Na última lista publicada haviam 6 espécies de morcegos que foram classificadas como Vulneráveis à Extinção. Uma espécie, o morceguinho-do-cerrado (Lonchophylla dekeyseri) havia sido considerada Em Perigo e outras duas, Furipterus horrens e Natalus macrourus, foram classificadas como Vulneráveis. 

Quatro dessas espécies saíram da lista de espécies ameaçadas, sendo que duas – Glyphonycteris behnii e Xeronycteris vieirai foram retiradas da lista devido à insuficiência de dados. Uma terceira espécie – Eptesicus taddei, deixou de ser considerada ameaçada devido a ampliação do seu território de ocorrência. A outra espécie – Lonchorhina aurita, foi reclassificada como Quase Ameaçada. 

A liusta mostra claramente que as espécies em situação mais crítica são justamente aquelas nativas dos biomas mais ameaçados do país – a Mata Atlântica, o Cerrado e o Pampas. Em biomas menos impactados como é o caso da Amazônia, as espécies ameaçadas ocorrem pontualmente em regiões fortemente impactadas pelo agronegócio ou garimpo. 

Esse é o caso de um pequeno sapo endêmico da Serra do Tepequém, em Roraima – Anomaloglossus tepequem (vide foto). Essa espécie foi descrita pela ciência em 2015, sendo considerada há época como Criticamente em Perigo de Extinção, uma vez que sua área de ocorrência sofreu fortes impactos por causa dos garimpos. 

Entre as espécies ameaçadas da flora, podemos destacar árvores como o pau rosa (Aniba rosaeodora) e a araucária (Araucaria angustifolia), mais conhecida como pinheiro-do-Paraná. O pau rosa é uma espécie da Amazônia que ganhou fama mundial por causa do óleo essencial que produz que, entre outros produtos, entra na formulação do mundialmente famoso perfume Chanel número 5. 

O primeiro registro de extração do óleo essencial do pau rosa no Brasil data de 1967. Estimativas indicam que mais de 2 milhões dessas árvores foram cortadas irregularmente para extração do óleo (que é retirado da madeira), sem que tenha ocorrido o replantio.  

A araucária é uma espécie de árvore tipicamente sul-americana. No Brasil, a espécie Araucaria angustifolia é encontrada em toda a Região Sul e em trechos serranos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de uma faixa de terras no Sul do Mato Grosso do Sul. 

A madeira dessa árvore – o pinho, é de ótima qualidade e vem sendo explorado desde o início da colonização do país. Somente entre as décadas de 1930 e 1990, perto de 100 milhões de araucárias foram derrubadas para aproveitamento da sua madeira, principalmente nos Estados da Região Sul do Brasil. Entre as décadas de 1930 e 1960, a madeira de pinho das araucárias esteve no topo da lista das madeiras exportadas pelo Brasil. 

Um outro exemplo de espécie vegetal ameaçada que está ligada a todos nós é a Euterpe edulis, mais conhecida como palmeira-jussara, fonte de uma deliciosa iguaria – o palmito. Típica da Mata Atlântica e do Cerrado, essa palmeira vem sendo explorada até a exaustão sem que hajam maiores esforços para o replantio. 

Qualquer espécie animal ou vegetal, por menor ou mais insignificante que possa parecer, é um triunfo da vida e o resultado de um longo processo evolutivo. A perda de qualquer uma dessas espécies é uma perda irreparável para toda a humanidade e também para muitas outras espécies associadas ou interdependentes. 

Um exemplo é a gralha-azul, uma espécie de ave que depende diretamente da araucária. Essas aves comem a semente das árvores – o pinhão, que antes de ser consumido é enterrado no solo a fim de perder a sua acidez. Muitos pinhões são esquecidos pelas aves e acabam se transformando em novas árvores. 

Ou seja, uma espécie depende da outra…

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