UNESCO RECONHECE DOIS GEOPARQUES NO BRASIL 

No último dia 13 de abril, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura, reconheceu 8 novos geoparques em todo o mundo. A lista inclui os geoparques de Salpausselkä, na Finlândia; de Ries, na Alemanha; de Cefalônia-Ítaca, na Grécia; de Mëllerdall, em Luxemburgo; da Região de Buzău, na Romênia; e o de Platåbergens, na Suécia.  

Dois desses geoparques ficam aqui no Brasil: o da Região do Seridó, no Rio Grande do Norte, e o dos Cânions do Sul, região localizadas entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses dois novos geoparques reconhecidos pela UNESCO vêm se juntar ao da Chapada do Araripe, localizado na divisa ente os Estados do Ceará, Piauí e Pernambuco. Com esses novos reconhecimentos, a Rede Mundial de Geoparques da UNESCO reúne agora 177 áreas em 46 países 

Geoparques são áreas que reúnem importantes características ambientais, culturais, científicas, paisagísticas, geológicas, arqueológicas, paleontológicas e históricas. Esse selo de reconhecimento internacional vai contribuir para os esforços de conservação e de desenvolvimento sustentável dessas regiões, além de melhorar as condições econômicas das comunidades locais. 

A região do Seridó fica localizada na divisa dos Estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte dentro do bioma Caatinga Nordestina. De acordo com estudos do folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo, uma das prováveis origens do nome Seridó é a expressão dos antigos índios tapuias da região e que faziam referência a um lugar com “pouca folhagem e pouca sombra” – ceri-toh

O Seridó engloba um total de 54 municípios, sendo 28 em território potiguar e 26 em território paraibano. O Geoparque Global do Seridó fica totalmente dentro do território do Rio Grande do Norte, abrangendo áreas dos municípios de Parelhas, Cerro Corá, Carnaúba dos Dantas, Acari e Lagoa Nova. O Parque possui uma área total de 2.800 km². 

Essa região possui aproximadamente 120 mil habitantes, onde se incluem várias comunidades quilombolas. De acordo com a UNESCO, essas comunidades mantêm “viva a memória de seus ancestrais africanos escravizados para preservar sua cultura por meio de práticas tradicionais, museus e centros culturais”. 

A Caatinga é o único bioma ou sistema florestal totalmente brasileiro, com plantas e animais perfeitamente adaptados a um clima sujeito a longos períodos de estiagem. O bioma ocupa uma área com aproximadamente 1 milhão de km² dentro da região conhecida por Semiárido Brasileiro.  

Infelizmente, a Caatinga figura na primeira posição entre os nossos biomas mais ameaçadosmais de 50% de sua área original já foi perdida e a parte restante segue sob forte ameaça. Do ponto de vista ambiental, o reconhecimento internacional desse Geoparque será um estimulo a mais para a preservação desse importantíssimo bioma brasileiro. 

Uma outra faceta importante da região do Seridó são suas paisagens geológicas, que registram mais de 600 milhões de anos da história de nosso planeta. Um exemplo foram as intensas atividades vulcânicas durante as Eras Mesozóica e Cenozóica, que ficaram registradas em grandes derrames de rocha basáltica em toda a região. 

Também é importante citar os aspectos históricos da região, onde se encontram sítios arqueológicos que confirmam o povoamento por populações humanas há mais de 9 mil anos. Existem vários assentamentos onde os antigos habitantes deixaram pinturas rupestres de relevância ímpar para o entendimento da pré-história de nosso país. 

No outro extremo do Brasil, na divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, fica o Geoparque Global Caminhos dos Cânions do Sul. Essa região engloba áreas dos municípios de Cambará do Sul, Jacinto, Machado, Mampituba, Morro Grande, Praia Grande, Timbé do Sul e Torres, onde vive uma população de cerca de 74 mil habitantes. 

A região fica dentro dos domínios do bioma Mata Atlântica, com grandes fragmentos florestais preservados, além de inúmeros rios e quedas d`água. A formação dos cânions foi o resultado da intensa atividade vulcânica em toda a região Centro-Sul do território brasileiro após a fragmentação do Supercontinente de Gondwana e a separação da América do Sul do antigo bloco continental, processo que teve início há mais de 160 milhões de anos. 

As grandes massas de rochas vulcânicas passaram por um longo processo de erosão fluvial, o que resultou na formação de cânions fabulosos como o de Itaimbezinho, Malacara, Fortaleza, Índios, Coroados, Faxinalzinho, Churriado, Montenegro e Leão. 

O cânion mais conhecido e visitado da região é o Itaimbezinho (vide foto), que se estende por cerca de 5,8 km e chega a atingir uma largura de 2 km. As paredes íngremes desse cânion atingem uma altura de até 720 metros e de onde despencam as águas de duas gigantescas cascatas – a adas Andorinhas e a Véu de Noiva. 

O Geoparque Global Caminhos dos Cânions do Sul tem uma área total de 2.830 km². Uma das características das paisagens da região é a presença de elementos da Mata das Araucárias, um subsistema florestal da Mata Atlântica. Essa floresta abriga uma série de espécies ameaçadas do bioma como os papagaios-do-peito-roxo, guaxinim, leão-baio (conhecido como onça-parda em outras regiões do país) e jaguatiricas, além de aves como a gralha-azul. 

Um dos pontos altos da fauna local é a migração das andorinhas e andorinhões nos meses de primavera e verão. Essas aves migram para a região fugindo do inverno no Hemisfério Norte e buscam refúgio nas fendas dos paredões dos cânions da região. 

Outro destaque da região são as chamadas paleotocas, grandes buracos que foram escavados no solo por grandes animais extintos da megafauna sul-americana como tatus-gigantes e preguiças terrícolas. Essas tocas foram usadas por várias tribos indígenas da família Jê, que construíam ali suas casas semissubterrâneas tradicionais. 

O reconhecimento desses geoparques pela UNESCO só vem reforçar a importância dessas áreas para a humanidade e aumentar a responsabilidade de nós brasileiros pela sua conservação. 

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