AINDA FALANDO DA DEVASTAÇÃO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA COLÔMBIA

Na postagem anterior falamos rapidamente dos enormes problemas ambientais enfrentados pelo trecho colombiano da Floresta Amazônica. Cerca de 9% da maior floresta equatorial do mundo fica dentro do território do país vizinho e, guardadas as devidas proporções, os problemas por lá são até maiores do que os que temos por aqui. 

Um problema grave enfrentado pelo Governo central da Colômbia são os grupos revolucionários armados. Ao longo de mais cinquenta anos, esses grupos dominaram grandes áreas do país, especialmente dentro dos limites da Amazônia, e acabaram se valendo do plantio da coca e do refino e processamento da cocaína como fonte de financiamento para as suas operações. 

Há cinco anos atrás, o Governo e vários desses grupos paramilitares assinaram um acordo de paz, a partir do qual se esperava que a vida no país voltasse à normalidade. Infelizmente, muitos guerrilheiros “desempregados” acabaram juntando forças e criando seus próprios territórios, trocando a luta política pelo lucrativo comércio de entorpecentes. 

modus operandi usado para o cultivo da coca dentro do território da Floresta Amazônica lembra muito os tempos do plantio dos grandes cafezais nos domínios da Mata Atlântica no século XIX. Grandes extensões da mata eram derrubadas e queimadas, liberando os solos virgens e extremamente férteis para a formação dos cafezais. 

Sem a proteção da floresta e expostos às intempéries, esses solos perdiam a fertilidade dentro de poucos anos. Como haviam grandes extensões de matas virgens, novas áreas eram derrubadas e transformadas em novos cafezais. As antigas áreas com solos esgotados eram simplesmente abandonadas à sua própria sorte. É exatamente o mesmo modelo adotado para as plantações de coca na Colômbia. 

As terras usadas para essa produção normalmente ficam localizadas dentro de áreas públicas ou, em alguns casos, são propriedades particulares que foram tomadas pelos traficantes. Dados da Polícia Nacional da Colômbia de 2018, informam que aproximadamente 47% das plantações de drogas no país se encontravam dentro de Parques Nacionais Naturais, reservas indígenas ou em comunidades quilombolas. A área total ocupada por essas plantações superava a marca dos 225 mil hectares.   

Em áreas controladas por grupos guerrilheiros ou, mais precisamente, por narcotraficantes, como vem ocorrendo na Colômbia, ou em regiões isoladas onde a presença do Estado é insignificante, as populações locais são simplesmente forçadas, mediante os tipos mais cruéis de ameaças, a dedicar parte ou todo o seu tempo trabalhando no plantio e processamento dessas drogas.   

Produtores de drogas não tem qualquer compromisso com o meio ambiente – eles querem as melhores terras para conseguir uma alta produtividade em suas “culturas”. E não existem terras melhores do que os solos virgens de uma mata nativa. Em associação com contrabandistas de madeiras nobres, grandes extensões dessas matas são derrubadas a golpes de machado ou com motosserras (as queimadas são sempre evitadas para não chamar a atenção das autoridades), onde são formadas grandes áreas de cultivo.  

Como toda a região é minuciosamente monitorada por satélites de vigilância, os produtores costumam se valer do plantio “consorciado” com outras espécies agrícolas comuns como uma forma de disfarçar suas plantações de drogas. Nas Serras da Cordilheira dos Andes na Colômbia é mais comum o cultivo da batata e do milho junto com a coca e a papoula (essa última é matéria prima da heroína). Em regiões de planícies é mais comum o uso da mandioca e do milho. 

Conforme as necessidades de cada cultivo, serão usadas grandes quantidades de fertilizantes, além de muitos produtos químicos para o controle de insetos e ervas daninhas. As embalagens desses produtos serão descartadas sem qualquer preocupação com a contaminação de solos ou corpos d’água. Nos casos onde o objetivo é a produção de cocaína e heroína, coquetéis de produtos químicos serão utilizados no processamento das folhas e flores, com os resíduos descartados em solos e corpos d’água sem o menor remorso. 

Além de todos os problemas de violência que são decorrentes e/ou fazem parte da atividade criminosa, o plantio e o processamento de drogas ilícitas causa danos aos ecossistemas estratégicos, destrói a cobertura vegetal, leva espécie endêmicas à extinção, causa diminuição de áreas naturais, deteriora a qualidade dos corpos d’água devido a degradação física, química e biológica. Dependendo da área ocupada pelas plantações, o ciclo das chuvas e o clima local podem ser afetados, além de haver um aumento nas emissões de dióxido de carbono.  

Para completar, a “cereja do bolo”: quando a fertilidade dos solos ou a qualidade das águas nas plantações atinge elevados níveis de degradação, as atividades são simplesmente transferidas para áreas mais promissoras, onde os solos virgens das matas são excepcionalmente férteis e as águas límpidas abundam. O que fica para traz é um rastro de destruição – talvez a figura de “terra arrasada” seja a mais adequada.  

As áreas devastadas pela produção dessas drogas vão se juntar a outras grandes extensões destruídas por práticas agrícolas insustentáveis e irresponsáveis em todo o continente. Não é incomum a transformação de antigas áreas de plantio de coca em pastagens para a criação de gado. 

Entre as principais rotas usadas para o escoamento dessas drogas estão os rios da Bacia Amazônica dentro do território brasileiro. Existem milhares de embarcações usadas para o transporte de pessoas e cargas entre cidades espalhadas por toda a Amazônia. Os entorpecentes são misturados com cargas de peixes, frutas e cereais, sendo assim transportados para regiões onde estão instalados grandes portos e também os grandes aeroportos. 

Entre os maiores mercados consumidores estão os países da União Europeia e os Estados Unidos. De quando em vez, a Polícia Federal e a Marinha do Brasil conseguem abordar alguma dessas embarcações e fazer uma grande apreensão de entorpecentes.  O gigantismo da Amazônia, infelizmente, joga a favor dos traficantes. 

Muitos ecologistas de “carteirinha”, que “lutam abnegadamente” contra a destruição da Floresta Amazônica e de outros importantes biomas desde seus confortáveis apartamentos no Leblon, Ipanema e Copacabana, no Rio de Janeiro; nos Jardins e na Vila Madalena em São Paulo, ou ainda em áreas nobres de Nova York, Londres ou Paris, costumam cheirar suas “carreirinhas” de cocaína ou usar heroína sem maiores preocupações.   

Hipocrisia também destrói florestas… 

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