AS USINAS HIDRELÉTRICAS DO RIO GRANDE

UHE Estreito

Na última postagem falamos da construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, inaugurada oficialmente em 1965 e que é a maior unidade geradora de eletricidade do rio Grande. A potência instalada total da usina é de 1.216 MW, energia gerada a partir de 8 grupos geradores. O reservatório dessa hidrelétrica, o famoso Lago de Furnas, alterou radicalmente a geografia física e humana de 34 municípios mineiros, tendo forçado a remoção de cerca de 35 mil pessoas. O Lago, que ocupa uma área de 1.440 km² e tem um perímetro de 3 mil km, acabou se transformando no maior corpo d’água do Estado de Minas Gerais e numa importante atração turística regional

Mas Furnas não é a única hidrelétrica instalada no rio Grande: existem outras 12 usinas hidrelétricas de diferentes tamanhos na calha do rio, além de um conjunto de PCHs – Pequenas Centrais Hidrelétricas, espalhadas por diversos rios da bacia hidrográfica. Cerca de 67% de toda a energia elétrica gerada no Estado de Minas Gerais vem de usinas hidrelétricas instaladas no rio Grande, que juntas produzem 7.640 MW.  

As fortes corredeiras do rio Grande e seu enorme potencial hidrelétrico começaram a ser estudas com mais intensidade na década de 1950, quando foi criada a CEMIG – Centrais Elétricas de Minas Gerais. Nessa época foram construídas as Usinas Hidrelétricas de Itutinga e de Peixoto. A Usina Hidrelétrica de Itutinga foi concluída em 1955, com 3 grupos geradores e uma potência instalada de 52 MW. É considerada uma usina a fio d’água. A Usina Hidrelétrica de Peixoto, que depois passou a ser conhecida como Mascarenhas de Moraes, começou a operar em 1957, porém, só teve todas as obras concluídas em 1966, quando foram instalados os últimos dos 10 grupos geradores e se atingiu uma potência total instalada de 478 MW. A barragem da Usina tem um desnível máximo de 43 metros e alaga uma área com aproximadamente 250 km². 

Entre 1960 e 1986, ano em que foi publicada a Resolução CONAMA 001, que passou a exigir a realização de estudos prévios sobre os impactos ambientais de obras e passou a ser necessário todo um processo de licenciamento ambiental, o rio Grande assistiu a construção de 6 Usinas Hidrelétricas: Camargos, Jaguara, Porto Colômbia, Volta Grande, Marimbondo e Água Vermelha. Somadas, as potências instaladas dessas usinas hidrelétricas atingem a marca de 4.013 MW

A Usina Hidrelétrica Camargos foi inaugurada em 1960, entre os municípios de Madre de Deus e Itutinga, no curso superior do rio Grande no Estado de Minas Gerais. A barragem da Usina tem uma altura máxima de 36 metros e forma um lago com área máxima de 50 km². A Usina possui 2 grupos geradores, com uma potência máxima instalada de 45 MW. 

Em 1971 entrou em operação a Usina Hidrelétrica de Jaguara, construída na divisa entre os Estados de São Paulo, o município de Rifaina, e Minas Gerais, o município de Sacramento. Essa Usina trabalha com um desnível máximo de 44 metros, onde 4 grupos geradores produzem uma potência de 424 MW. Essa Usina é considera do tipo a fio d’água, com um lago com apenas 34 km². 

A Usina Hidrelétrica Porto Colômbia teve suas operações iniciadas em 1973. Essa Usina foi construída na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, entre os municípios de Guaíra e Planura. Essa também é uma Usina do tipo fio d’água, que trabalha com um nível máximo de apenas 19 metros e consegue atingir uma potência máxima de 328 MW. A Usina possui 4 grupos geradores. 

A Usina Hidrelétrica de Volta Grande foi construída no município de Conceição das Alagoas, no Norte do Estado de São Paulo, na divisa com Minas Gerais. Inaugurada em 1974, essa Usina possui 4 grupos geradores e tem uma capacidade instalada de 380 MW. A usina opera com um desnível máximo de 26 metros e seu reservatório alaga uma área total de 222 km². 

Em 1974 foi inaugurada a Usina Hidrelétrica de Marimbondo, a segunda mais potente do rio Grande, com uma potência instalada de 1.440 MW. A Usina possui 8 grupos geradores, que operam a partir de um desnível de 60 metros, formando um lago com 438 km². A Usina está instalada na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, entre as cidades de Icém e Fronteira. 

A última grande usina hidrelétrica construída no rio Grande antes da “era” do licenciamento ambiental foi Água Vermelha, concluída em 1979. No local onde foi formado o lago, que fica a apenas 80 km da confluência com o rio Paranaíba, existia um conjunto de cachoeiras, conhecido popularmente como Cachoeira do Índio. As diversas quedas d’água tinham nomes como Tombo das Andorinhas, Caldeirão do Inferno, Tombo dos Dourados, Tombo das Três Pedras, Tombo da Fumaça e Véu das Noivas. Como aconteceu com diversas outras cachoeiras, citando novamente o Salto das Sete Quedas, todos esses saltos foram encobertos após o enchimento do lago da hidrelétrica. 

Água Vermelha têm uma potência instalada total de 1.396 MW e opera com 6 grupos geradores. A Usina opera com um desnível máximo de 57 metros e possui um lago com 647 km². O nome da Usina vem de um dos afluentes do rio Grande na região – o córrego Água Vermelha, um corpo d’água com águas barrentas. 

A Usina Hidrelétrica de Igarapava, foi inaugurada em 1998 no município homônimo, na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Essa hidrelétrica trouxe uma importante inovação técnica ao setor – a utilização de grupos geradores do tipo bulbo, dispositivos que permitem um melhor aproveitamento de pequenos desníveis de água para a produção de energia elétrica. Essa Usina possui 5 grupos geradores com essa tecnologia, que produzem uma potência instalada total de 210 MW, formando um lago com apenas 36 km². Uma outra vantagem dessa tecnologia é uma significativa economia nas obras civis necessárias, o que reduziu os custos de construção e de montagem final dos equipamentos. 

Em 2002, o rio Grande assistiu à inauguração da Usina Hidrelétrica Funil, instalada entre os municípios de Lavras e Perdões em território mineiro. Essa Usina trabalha com um desnível máximo de 40 metros, e seus 3 grupos geradores produzem uma potência máxima de 180 MW. O lago da Usina inundou uma área de apenas 40 km². 

Finalmente, em 2012, foi inaugura a Usina Hidrelétrica de Estreito, que depois teve seu nome alterado para Luís Carlos Barreto de Carvalho. Essa Usina (vide foto) está localizada no município de Pedregulho, no Norte do Estado de São Paulo. A moderna tecnologia usada na construção dessa Usina permite que ela gere 1.050 MW a partir de um desnível de aproximadamente 62 metros e formando um lago com apenas 46 km²

Essa rápida (e maçante) descrição de tantas usinas hidrelétricas que foram construídas ao longo da calha do rio Grande, além de mostrar alguns detalhes e informações interessantes, mostram que, com o desenvolvimento da tecnologia, é possível se construir hidrelétricas cada vez mais eficientes e que necessitam de lagos cada vez menores. Citando exemplos: a Usina de Camargos, que foi inaugurada em 1960, criou um lago com 50 km² para gerar apenas 45 MW – na Usina de Estreito, praticamente a mesma área alagada resulta em uma potência instalada mais de 23 vezes maior

Essa é uma ótima tendência para o setor energético. 

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