A RESILIÊNCIA DA VIDA

A tragédia de Brumadinho

Há exatamente uma semana, as primeiras notícias sobre o rompimento da barragem do Córrego do Feijão começaram a circular nos meios de comunicação. As primeiras imagens mostravam a lama avançando pela calha do rio Paraopeba e algumas pessoas andando com marcas de lama até o meio da canela. Com as lembranças do acidente com a barragem de Fundão, em Mariana, ainda vívidas na mente, todos esperávamos por notícias ruins. 

E uma verdadeira enxurrada de más notícias passou a tomar conta dos noticiários – a mais terrível de todas essas notícias informava que todo o prédio do centro administrativo da mina foi, literalmente, arrastado pela onda de lama. No local funcionava o refeitório e, segundo cálculos da própria empresa, cerca de 400 pessoas se encontravam no local no horário do rompimento da barragem. 

Não tardou muito a se descobrir que uma famosa pousada, localizada numa das margens do rio Paraopeba, foi completamente arrasada e que dezenas de hóspedes sumiram sem deixar rastros. Pouco a pouco, notícias de vilas de casas e de propriedades rurais destruídas a jusante da barragem começaram a ser divulgadas, o que nos ajudou a compor um quadro inicial da tragédia de Brumadinho. 

Os números oficiais do momento confirmam que 110 pessoas morreram e que, pelo menos, 238 pessoas ainda se encontram desaparecidas. Dadas as condições da calha do rio, que em alguns pontos apresenta uma camada de lama e de rejeitos de mineração com mais de 10 metros de espessura, serão necessários vários meses de trabalho até que se saiba exatamente o número de vítimas do acidente. Para se conhecer e “digerir” todos os números da tragédia, serão necessários vários anos. 

Para marcar essa primeira semana desde o rompimento da barragem, as equipes de busca fizeram uma pequena pausa nos seus exaustivos trabalhos para assistir uma cerimônia religiosa. Um helicóptero sobrevoou a calha do rio e fez “chover” pétalas de rosa em homenagem a todas as vítimas da tragédia. 

Serão muitos os desdobramentos e as histórias que serão contadas e recontadas daqui para frente. Esperamos também que surjam respostas, se é que isso será possível, que expliquem como mais uma tragédia desse porte pode acontecer na pacata Brumadinho.  

Pessoalmente, gostaria que registrar a minha indignação com mais essa tragédia humana e ambiental. Desde 2016, quando comecei a publicar diariamente os meus comentários e informações sobre os recursos hídricos e o saneamento básico, foram muitas as postagens onde falei dos problemas criados pela mineração e dos riscos da repetição da tragédia de Mariana, que em 2015 destruiu o rio Doce. Desgraçadamente, a ganância de uns poucos destruiu mais um rio e arrasou para sempre a vida de inúmeras famílias, que perderam os seus entes queridos e/ou as suas propriedades. Faço votos que, dessa vez, se faça verdadeiramente a justiça. 

A única certeza que nós temos, por hora, é que a vida é resiliente e vai encontrar os seus caminhos em meio aos escombros dessa tragédia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s