OS RIOS DO PARANÁ E SEUS PROBLEMAS

Rio Tibagi

Nas últimas postagens falamos do intenso desmatamento ocorrido em todo o território do Paraná, Estado que, em pouco mais de um século, viu suas paisagens originais com matas, florestas e campos praticamente intocados se transformarem em imensos campos agricultáveis. Além da agricultura, foi a intensa exploração madeireira a outra grande responsável pela transformação do Paraná em um dos Estados mais devastados do Brasil. 

Como estamos discutindo ao longo dessa série de postagens, há uma relação direta entre a preservação de matas, solos e águas – sem a proteção da cobertura vegetal, removida normalmente para a criação de campos agrícolas, os solos passam a sofrer com as erosões provocadas pelas chuvas e pelos ventos, que passam a arrastar grandes volumes de solo fértil. Os corpos d’água – córregos, rios, lagos e represas, entre outros, acabam transformados em receptores desses sedimentos e passam a sofrer diretamente com os problemas criados pelo assoreamento e entulhamento. Excedentes e resíduos de defensivos agrícolas também acabam sendo transportados para as águas, adicionando-se à contaminação química originada pelos despejos irregulares de lixo e resíduos das cidades. A destruição da cobertura florestal também reduz a produção de água nas nascentes, que também podem desaparecer, o que reduz gradualmente o volume dos caudais dos rios e cria problemas para todos os seres vivos que dependem das suas águas – seres humanos e suas cidades estão no topo da lista de afetados. 

O Paraná, é claro, foi contemplado com o pacote completo de problemas ambientais criados pelos intensos desmatamentos e os rios do Estado sofrem com todos os tipos de males. Vamos analisar a situação de três dos mais importantes rios do Estado – o Iguaçu, o Ivaí e o Tibagi

O Iguaçu é o maior rio do Paraná, percorrendo mais de 1.300 km desde as suas nascentes nos contrafortes da Serra do Mar, no Leste do Estado, até sua foz no rio Paraná, no extremo Oeste. O rio Iguaçu se forma oficialmente na divisa dos municípios de Curitiba e Pinhais, onde as águas dos rios Atuba e Iraí se juntam. Como é usual nas cidades brasileiras, o rio Iguaçu é o destino final de grandes volumes de esgotos domésticos e industriais, além de lixo e detritos descartados de forma inadequada pela população da Região Metropolitana de Curitiba, calculada em 3,5 milhões de habitantes, além de outras inúmeras cidades de sua bacia hidrográfica. Na lista dos 10 rios mais poluídos do Brasil, o Iguaçu ocupa a nada honrosa 2ª posição, ficando atrás apenas do famoso e superpoluído rio Tietê de São Paulo

Além da intensa poluição no seu trecho inicial na Região Metropolitana, o rio Iguaçu sofre com a retirada de grandes volumes de areia, usada no abastecimento da indústria da construção civil. A extração intensa de areia reduz ainda mais os parcos fragmentos sobreviventes das matas ciliares e de galerias, vegetação que tem a função de proteger as águas dos rios da entrada de sedimentos e resíduos. A extração de areia, aliás, é uma atividade corriqueira em toda a calha do rio Iguaçu, amplificando ainda mais todos os problemas criados pela derrubada das matas e florestas por todo o Paraná. Outro problema bem característico do rio Iguaçu é a sucessão de barragens de usinas hidrelétricas ao longo do seu curso, fato que cria inúmeras dificuldades para o livre fluxo de espécies aquáticas – o surubim do Iguaçu, espécie endêmica da ictiofauna do rio, corre sérios riscos de extinção por causa desse intenso represamento das águas. 

Outro importante rio paranaense é o Tibagi (vide foto), que tem uma extensão total de 550 km desde suas nascentes na região Centro-Sul do Estado e foz no rio Paranapanema ao Norte. O rio Tibagi atravessa a antiga região de domínio da Floresta Pluvial, onde as grandes manchas de terra-roxa, um dos solos mais férteis do Brasil, levaram à derrubada das matas para, inicialmente, abrigar a expansão dos cafezais que avançavam rumo ao Sul desde as terras paulistas. Além da gigantesca perda de cobertura vegetal nativa em toda a região da sua bacia hidrográfica, que traz no seu encalço os já citados problemas de assoreamento e entulhamento da calha do rio, resíduos químicos de todos os tipos e extração de areia, o Tibagi também sofre com a poluição urbana. Um exemplo é a cidade de Telêmaco Borba, que despeja grande parte dos seus esgotos domésticos residenciais e industriais in natura nas águas do rio. Esses despejos, é claro, são seguidos por lançamentos de lixo e outros resíduos. Em vários trechos do rio Tibagi, como em Jataizinho, o drama fica por conta das violentas enchentes nos períodos de chuva. 

Fechando essa rápida análise, precisamos falar do rio Ivaí, importante curso d’água do Paraná, com extensão total de 685 km, que segue seu curso a partir de nascentes na região Centro-Sul e tem sua foz no rio Paraná. Além de compartilhar a maioria dos problemas do Iguaçu e Tibagi, o rio Ivaí apresenta uma característica um pouco mais exclusiva – relatórios de acompanhamento da qualidade ambiental de suas águas mostram altos níveis de fósforo (a famosa eutrofização das águas) em vários trechos do seu curso. O fósforo é um elemento encontrando tanto em águas residuárias das cidades (a urina humana, por exemplo, é rica em fósforo) quanto em agrotóxicos usados nas plantações – isso indica que o rio Ivaí está sitiado entre os esgotos das cidades e os resíduos químicos dos inúmeros e imensos campos agrícolas do Paraná

Em uma época onde a água está se tornando um dos recursos naturais mais raros e caros em todo o mundo, a situação das águas nos rios do Paraná não é das melhores. 

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