A POLUIÇÃO DAS PRAIAS URBANAS

Praia do Gonzaga

Já avançamos pela primeira semana de 2018 e muita gente aproveitou para emendar festas e férias, curtindo um merecido descanso em uma das mais de 2 mil praias que se sucedem ao longo dos 7.491 km do litoral brasileiro. Apesar do calor, da tranquilidade e das paisagens deslumbrantes de todo esse litoral, problemas ligados à contaminação das praias pelos esgotos despejados irregularmente pelas cidades e vilas podem estragar as férias de muita gente. Vamos aproveitar esse período de férias para falar um pouco sobre este assunto tão desagradável.

Um levantamento feito em 1.217 praias de 13 diferentes Estados brasileiros pelo jornal Folha de São Paulo, divulgado no dia 21 de dezembro – início oficial do verão no Hemisfério Sul, indicou que 355 praias foram classificadas como ruins ou péssimas. Um dado preocupante deste levantamento mostra que 70% destas praias, ou 234 praias para ser mais exato, ficam localizadas em cidades grandes e médias. Para que todos percebam a gravidade do problema, este levantamento projeta que 7 em cada 10 praias localizadas em cidades com mais de 100 mil habitantes estão poluídas. E na origem da poluição destas praias estão os esgotos destas cidades costeiras e de outras, que despejam seus efluentes sem qualquer tipo de tratamento nos córregos e rios, cujas águas, mais cedo ou mais tarde, se encontrarão com as águas do oceano.

O levantamento utilizou os dados publicados pelas autoridades e órgãos ambientais dos municípios, que coletam periodicamente amostras da água do mar para realizar testes de qualidade ambiental. Um dos indicadores da qualidade da água são os níveis de coliformes fecais, também conhecidos como coliformes termo tolerantes, bactérias encontradas em grandes quantidades no intestino dos seres humanos e de animais de sangue quente. A presença destas bactérias nas águas é um sinal claro da presença de fezes humanas e de animais in natura, o que é resultado do despejo de esgotos domésticos e de efluentes de propriedades rurais, onde se criam animais como vacas, porcos e aves, sem qualquer tipo de tratamento. Além dos coliformes fecais, essas águas poluídas também carregam uma infinidade de vírus e de outras bactérias, produtos químicos e substâncias tóxicas, resíduos de pesticidas e de fertilizantes, lixo e resíduos de todos os tipos.

O estudo divulgado considerou como péssimas as praias que se apresentaram impróprias para banho em mais de 50% das medições realizadas. São consideradas ruins as praias que estiveram impróprias entre 25% e 50% das medições realizadas. As praias consideradas regulares foram as que apresentaram condições impróprias em até 25% das coletas e as praias que não se apresentaram impróprias em nenhuma das coletas foram consideradas boas. De acordo com o levantamento, 43% das praias avaliadas estavam boas, 30% regulares e 28% ruins ou péssimas. Um levantamento similar efetuado pelo mesmo jornal em 2016 em 1.180 praias, indicou que 29% estavam em condições ruins ou péssimas, o que demonstra que não houve qualquer avanço ou melhoria nas condições de saneamento destas cidades.

Exemplos de águas altamente contaminadas por coliformes fecais podem ser encontrados em praias famosas: a Praia do Flamengo, vizinha de um dos cartões postais mais visitados da cidade do Rio de Janeiro – o Pão de Açúcar, tem um índice médio de 8 mil coliformes fecais por 100 mililitros de água, um índice oito vezes maior do que o máximo estabelecido pelas recomendações do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Para efeito de comparação, a famosa Praia de Copacabana, localizada a poucos quilômetros da Praia do Flamengo, apresenta o índice de 300 coliformes fecais para cada 100 mililitro de água, valor dentro dos padrões aceitáveis. Outros exemplos que podem ser citados: na Praia do Gonzaga (vide foto), na cidade de Santos em São Paulo, o índice médio é de 1.278 coliformes fecais para cada 100 mililitros de água – na Praia da Enseada, localizada bem próxima na cidade do Guarujá, os índices de coliformes fecais estão dentro de níveis aceitáveis e em valores muito próximos daqueles encontrados em Copacabana. Em comum, estas praias com águas poluídas recebem grandes quantidades de despejos de esgotos. A Praia do Flamengo fica localizada na Baía da Guanabara, conhecida por receber a maior parte dos despejos de esgotos in natura dos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro; no caso da Praia do Gonzaga em Santos, são os despejos difusos de esgotos de vilas e bairros periféricos sem infraestrutura de saneamento básico que chegam aos canais de drenagem e contaminam uma das praias mais populares da orla da cidade.

O banho de mar em águas contaminadas por esgotos pode resultar em diversas doenças transmitidas por vírus e bactérias, que vão desde as conhecidas micoses de praia e outros tipos de alergias e lesões na pele até problemas gastrointestinais, enjoos, diarreias, dores de cabeça e febres. É comum que turistas acometidos por alguns destes problemas culpem o camarão, o peixe ou outros frutos do mar consumidos nas refeições, quando na verdade a grande vilã foi mesmo a poluição existente nas águas da praia.

Ao longo das próximas publicações, vamos apresentar algumas das praias e cidades que estão entre as mais badaladas deste verão, mas que, infelizmente, apresentam altos índices de poluição em suas águas, merecendo muito cuidado e atenção de todos os frequentadores e turistas.

 

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