“NOVO VÍRUS TRANSMITIDO PELO BORRACHUDO PREOCUPA ESPECIALISTAS”

ESPECIALISTAS TEMEM QUE A FEBRE OROPOUCHE, TRANSMITIDA PELO BORRACHUDO E QUE PODE CAUSAR FEBRE ALTA, MENINGITE E MENINGOCEFALITE, CHEGUE ÀS GRANDES CIDADES

borrachudo

Uma notícia preocupante, veiculada ao longo da última semana, nos dá ciência da transmissão de um novo vírus – o Oropouche, através de um mosquito bastante conhecido em todo o Brasil – o mosquito borrachudo. Além de todas as outras espécies de mosquitos que já rondam as nossas casas – o “multi-transmissor” Aedes Aegypti (transmissor da Dengue e das febres Zika, Chikungunya, amarela urbana e Mayaro, além da Síndrome de Guillain-Barré) e sobre o qual já tratamos em post anterior, o Anopheles (transmissor da malária), Aedes albopictus (transmissor da febre amarela silvestre), o mosquito palha (transmissor da Leishmaniose), o mosquito Culex (transmissor da filariose ou elefantíase), entre outros.

O mosquito borrachudo, dono de uma picada das mais doloridas, é normalmente encontrado em áreas de matas (no Estado de São Paulo, é muito comum nas regiões de domínio da Mata Atlântica). Com o avanço do desmatamento e a destruição dos seus habitats naturais, o mosquito pode migrar para regiões periféricas das grandes cidades e, assim, expor as populações ao vírus oropouche. Leiam a matéria:

“Em breve, um novo vírus, que causa febre aguda e, em alguns casos, meningite e meningocefalite, transmitido pelo mosquito borrachudo, pode chegar às grandes cidades brasileiras. Segundo informações da Agência Fapesp, o alerta foi feito durante palestra sobre vírus emergentes na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sábado na Universidade Federal de Minas Gerais.

Risco
O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil’, disse Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), durante o evento.

O Culicoides paraensis [borrachudo] está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil’, apontou.

O arbovírus oropouche – vírus transmitido por um mosquito, como o Zika e a febre amarela, mais comum nas Américas do Sul (principalmente na Amazônia) e Central e no Caribe, se adaptou ao meio urbano e tem estado cada vez mais próximo das grandes cidades brasileiras.

Aumento de casos
Além do Brasil, casos de febre oropouche, como a doença é chamada, foram relatados no Peru e em países do Caribe. Aqui, o vírus foi isolado em aves no Rio Grande do Sul e em macacos em Minas Gerais, onde foi detectada a presença de anticorpos neutralizantes – que ativa o sistema imunológico para combatê-lo – em um deles, e em Goiás.

Em seres humanos, em 2002, pesquisadores do Departamento de Biologia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, diagnosticaram 128 casos de pessoas infectadas em Manaus.

Sintomas semelhantes à dengue
Os pacientes apresentavam os sintomas típicos da infecção, como febre aguda, dores articulares, de cabeça e atrás dos olhos. Três deles desenvolveram infecção no sistema nervoso central.

A princípio, todos os pacientes identificados com a doença receberam o diagnóstico de dengue, uma vez que os sintomas são parecidos. Por esse motivo, os pesquisadores têm alertado sobre a incidência da febre oropouche em casos de suspeita de dengue.

Imunodepressão
O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a associação do vírus em pessoas imunodeprimidas. Um paciente, por exemplo, tinha neurocisticercose – infecção do sistema nervoso central pela larva da tênia (Taenia solium) – e outro, aids.

Isso mostra que algumas doenças de base ou imunodepressão podem facilitar que o vírus chegue ao sistema nervoso central’. É algo que quase ninguém pensa ao tratar de uma arbovirose e é preciso considerar essa possibilidade. ”, explicou Figueiredo.”

Publicado em 20 julho 2017 – Redação Revista Veja

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