OS EFEITOS DA POLUIÇÃO NA REPRESA BILLINGS

Eutrofização

A palavra esgoto é comumente utilizada para referenciar despejos em geral, sendo estes de origem doméstica, industrial, comercial, de áreas agrícolas, entre outros. Alguns autores também utilizam a denominação de águas residuárias, que é a tradução literal de wastewater, muito utilizada no inglês. Numa definição mais ampla, esgotos domésticos e alguns tipos de esgotos industriais são preponderantemente matérias orgânicas, isto é, elementos que servem de alimentos a animais, a fungos e a bactérias. O lançamento dessa matéria orgânica em um corpo d’água constitui, até certo ponto, em um benefício ao meio ecológico, pois será transformada em alimento para peixes e outros organismos menores. Porém, a quantidade excedente dessa matéria orgânica pode se transformar em um grave problema ambiental por permitir um crescimento exponencial das bactérias e algas nas águas, o que resultará em um consumo de oxigênio superior a disponibilidade do meio. A redução no nível de oxigênio prejudicará todas as demais formas de vida animais e vegetais da água, que sem conseguir retirar da água o oxigênio essencial à manutenção de suas vidas, vão começar a morrer em grandes quantidades. Esse seria o resumo do resumo da tragédia na represa Billings. Porém, como o objetivo deste blog é a Educação Ambiental, vamos nos aprofundar um pouco mais nestas definições:

Esgotos Sanitários: são predominantemente constituídos de despejos domésticos. Basicamente, são compostos por urina, fezes, restos de comida, papel, sabão, detergentes, águas de banho e de lavagem em geral;

Esgotos Industriais: as características deste tipo de despejo são extremamente variáveis de acordo com o tipo de atividade industrial (química, petroquímica, alimentos, metalúrgica etc.). Deve ser estudado caso a caso;

Matéria orgânica: esgotos são essencialmente efluentes líquidos – no esgoto doméstico, por exemplo, apenas 3% do volume corresponde a sólidos. Cerca de 70% dos sólidos no esgoto médio são de origem orgânica. Esta matéria é constituída principalmente por compostos de proteínas, carboidratos, gordura e óleos, e em menor parte, por ureia, surfactantes, fenóis, pesticidas (típicos de despejos industriais em quantidade), etc.

A matéria orgânica pode ser classificada em subgrupos:

a) Proteínas
Produzem nitrogênio e contém carbono, hidrogênio e oxigênio; também podem conter fósforo, enxofre e ferro. São basicamente de origem animal, mas também ocorrem em vegetais. O enxofre fornecido pelas proteínas é responsável pela produção do gás sulfídrico presente nos despejos.

b) Carboidratos
Contêm carbono, hidrogênio e oxigênio, e são as primeiras substâncias a serem atacadas pelas bactérias. Estão presentes principalmente nos açúcares, amidos em geral, celuloses, etc. A ação bacteriana nos carboidratos produz ácidos orgânicos, que geram um aumento na acidez do esgoto.

c) Gorduras e óleos
Também designadas como matéria graxa, as gorduras e os óleos se encontram presentes nos despejos domésticos e sua origem, em geral, se dá pelo uso de manteiga, óleos vegetais, carnes, etc. Além disso, podem estar presentes nos despejos produtos não tão comuns, como querosene, óleos lubrificantes e afins provenientes de garagens.

O nitrogênio liberado nos corpos receptores como rios, lagos, lagoas, etc., assim como qualquer tipo de nutriente, pode causar problemas de superprodução de algas (que se alimentam do nitrogênio). No caso de represas, lagos e lagoas, que têm águas paradas ou com pequena movimentação, a reprodução de algas é mais intensa. O excessivo enriquecimento de nutrientes do corpo receptor é denominado de eutrofização (vide foto), que nada mais é do que a superprodução de algas em floração. Conforme as condições ambientais, essas algas consomem rapidamente todo o oxigênio de um trecho do corpo d’água e provocam grandes mortandades de peixes e outras criaturas aquáticas.

As atividades bacterianas e o crescimento de algas têm como resultado o consumo do oxigênio dissolvido na água, num processo conhecido como DBO – Demanda Bioquímica de Oxigênio. Muitas reações químicas também demandam oxigênio – nestes casos, o processo é chamado de DQO – Demanda Química de Oxigênio. Tanto a DBO quanto a DQO são usadas, entre outros, como índices para determinar o estado de um corpo de água.

Os esgotos podem conter bactérias agentes de cólera, das febres tifoides e paratifoides, salmonelas causadoras de gastroenterites, eptospiras, bacilos da tuberculose, enterovírus causadores da poliomielite, vírus de hepatite, dentre muitos outros. O contato direto das populações com águas saturadas com esgotos pode levar a uma contaminação por estes microrganismos.

Agora, as surpreendentes conclusões de um estudo recente, realizado por cientistas da USP – Universidade de São Paulo, e que buscava entender as relações entre a poluição das águas e o desaparecimento diversas espécies de peixes na represa Billings: foi observada uma alta concentração de resíduos de medicamentos nas águas, particularmente anticoncepcionais sintéticos eliminados nos esgotos domésticos. Estudos em laboratório indicaram a ação destes anticoncepcionais no metabolismo dos peixes, alterando os ciclos reprodutivos e o volume das ovas postas pelas fêmeas, com resultado direto na diminuição expressiva no número de alevinos produzidos em cada período. A falta de peixes nas águas da represa Billings vem afetando a vida de centenas de pescadores profissionais, que foram obrigados a procurar outras ocupações e fontes de renda em outros lugares.

No próximo post, nós continuaremos a falar dos múltiplos efeitos da poluição e de outras agressões ambientais sofridas pelas águas da represa Billings.

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