“IBAMA AUTORIZA REDUÇÃO DA VAZÃO DO RIO SÃO FRANCISCO PARA 600 m³s.”

Redução da vazão no baixo Rio São Francisco

Ao longo das últimas semanas, temos falado bastante sobre os problemas do Rio São Francisco nas regiões do Cerrado e do Semiárido, que vão desde a destruição da vegetação nativa nas áreas de nascentes dos afluentes à superexploração das águas em toda a bacia hidrográfica. Mas os problemas não param por ai: no Baixo São Francisco, na divisa entre os Estados de Alagoas e Sergipe, os problemas se acumulam. O mais novo deles diz respeito à redução da vazão das águas do Rio, iniciada no último dia 18 de maio – veja a notícia publicada no Portal G1 – Alagoas:

“Descarga mínima começa a ser praticada pela CHESF a partir do dia 18 de maio e deve prosseguir até 30 de novembro deste ano.

Com a autorização do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para redução da vazão do Rio São Francisco, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf ) já poderá, a partir do dia 18 de maio, iniciar os testes para diminuir a vazão das águas do rio de 700 m³s para 600 m³s.

De acordo com a Autorização Especial N⁰ 11/2017, de 10 de maio de 2017, os testes para as novas reduções nas defluências mínimas devem acontecer nos reservatórios de Sobradinho e Xingó em dois momentos: em Sobradinho a redução vai de 700m³/s para 650m³/s a partir do dia 18 de maio e para 600 m³/s a partir do dia 29 de maio. Já em Xingó, a redução de 700 m³/s para 650 m³/s começa no dia 22 de maio e a partir do dia 29 de maio cai para 600 m³/s.

A autorização de redução da descarga miníma, que já havia sido autorizada pela ANA, mas aguardava parecer técnico do Ibama, está prevista para ser mantida até 30 de novembro de 2017.

Objetivo

De acordo com Agência Nacional de Águas (ANA) a redução das vazões mínimas liberadas visa preservar o estoque de água disponível nos reservatórios da bacia hidrográfica, frente sua importância para o atendimento dos usos múltiplos, em particular ao abastecimento de várias cidades.

No entanto, essa será a maior baixa de redução hídrica no Rio São Francisco, que já vem sofrendo as consequências das reduções de vazões ao longo dos anos. Como consequência, alguns trechos do rio, que ficam mais próximo do mar, vêm sofrendo com a salinização.

A bacia do rio São Francisco vem enfrentando condições hidrológicas adversas nos últimos anos, com vazões e chuvas abaixo da média. Por isso, desde 2013 a ANA vem autorizando a redução das vazões de defluência mínimas nesses reservatórios que, em condições normais, operam com descarga mínima de 1.300 m³/s, conforme previsto na licença ambiental de operação das usinas.

De outubro de 2016 a maio de 2017, choveu 51% abaixo da média para o período, o que faz do período chuvoso de 2016/2017 o pior ano hidrológico para a bacia do São Francisco. O último ano de precipitação acima da média foi em 2011.

Desde então, tem chovido abaixo da média em todos os anos. Em 14 de maio, o volume equivalente dos reservatórios da Bacia do Rio São Francisco acumulava 20,16% do volume útil. Para evitar que o reservatório de Sobradinho comece a operar no volume morto, a ANA apresentou proposta de adoção de medidas preventivas.”

4 Comments

  1. […] Em décadas mais recentes, esse desmatamento foi reforçado pela abertura de novas frentes agrícolas. Com o desenvolvimento de técnicas para a correção da forte acidez dos solos do Cerrado e com a criação de variedades de cultivares adaptadas ao clima e aos solos do bioma, especialmente grãos como a soja e o milho, grandes extensões de matas nativas passaram a sumir do mapa, surgindo em seu lugar gigantescas plantações. O principal impacto desse avanço da agricultura sobre áreas do Cerrado se dá na forma de redução dos caudais dos inúmeros tributários do rio São Francisco com nascentes no bioma. A vazão média na foz do São Francisco era, décadas atrás, de cerca de 3 mil metros cúbicos por segundo. Em anos recentes, essa vazão chegou a cair para apenas 1/6 desse volume em períodos de seca.  […]

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