O ALTO CUSTO DAS TERRAS PARA A IMPLANTAÇÃO DOS ATERROS SANITÁRIOS

Construção de Aterro Sanitário

Vamos falar um pouco sobre a busca de uma área adequada para a instalação e operação de um aterro sanitário e nos valores que terão de ser desembolsados até o início do funcionamento da unidade.

Terrenos pedregosos são de longe os mais inadequados para a implantação de aterros sanitários; também entram nessa lista terrenos com declives muito acentuados, topos de morros, terrenos em áreas alagáveis ou com lençol freático muito alto entre outros problemas. Também é fundamental que estejam longe de cidades e comunidades e próximos de vias que facilitem ao máximo o tráfego dos caminhões. Encontrar o terreno ideal para a implantação de um aterro sanitário requer muito trabalho e dedicação. Pode custar muito caro também.

Para ter uma ideia dos custos de terras para um empreendimento, vamos simular a busca por uma área com 350 hectares, superfície equivalente a área ocupada pelo aterro sanitário de Caieiras, unidade que recebe grande parte dos resíduos sólidos da cidade de São Paulo. Aqui no nosso Estado temos o IEA – Instituto de Economia Agrícola, ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que publica, entre outros, estudos com as estimativas de preços de terras para atividades agropecuárias.

As terras em áreas rurais são divididas em diferentes categorias em função do tipo de uso mais adequado às suas características. Entre as diversas faixas de preços que as terras recebem, duas se destacam como as mais baratas e com grande potencial para a implantação do empreendimento:

Terra para reflorestamento: considerada imprópria para culturas perenes e pastagens, mas potencialmente apta para silvicultura e vida silvestre, cuja topografia pode variar de plana a bastante acidentada, podendo apresentar fertilidade muito baixa.

Terra para pastagem: também imprópria para culturas, mas potencialmente apta para pastagem e silvicultura. É terra de baixa fertilidade, plana ou acidentada, com exigências, quanto às práticas de conservação e manejo, de simples a moderadas, considerando o uso indicado.

Observe que ambas as categorias de terra são impróprias para culturas – não faria o menor sentido utilizar terras férteis e caras para a instalação de um aterro sanitário. Dito isso, vamos analisar o custo por hectare de cada categoria de terra:

Terras para reflorestamento em áreas rurais da Região Metropolitana de São Paulo são avaliadas (valores de novembro de 2016) entre R$ 8 mil e R$ 20 mil por hectare, com valor médio de R$ 13 mil; terras para pastagem tem valor entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por hectare, com valor médio de R$ 30 mil. Considerando-se os dois valores médios, uma área com 340 hectares terá um custo entre R$ 4,42 milhões e R$ 10,2 milhões. Porém, é quase certo que as áreas mais adequadas, tanto em localização quanto em características físicas do terreno, são as de valores mais altos – os custos saltarão para valores entre R$ 6,8 milhões e R$ 13.6 milhões, respectivamente para terras para reflorestamento e para pastagem. É importante observar que estes valores se referem à chamada “terra nua”, sem qualquer tipo de benfeitoria.

Além dos custos de aquisição da área, o empreendedor terá de arcar com uma infinidade de serviços e obras que farão este custo multiplicar diversas vezes: licenciamento ambiental com suas prováveis despesas em compensações ambientais, construção de muro ou cerca limitando a área, projeto de engenharia do aterro, portaria, construção de áreas para a administração e equipes técnicas, vias para o acesso e circulação dos caminhões, iluminação para operação noturna (o aterro de Caieiras, usado como exemplo, tem operação 24 horas), tanque para o armazenamento do chorume e, conforme o caso, a construção de uma ETE – Estação de Tratamento de Esgotos, dedicada ao tratamento do chorume do aterro; também existem os custos com a mão de obra e com a aquisição de materiais como tubulações para a drenagem do chorume e captação de gases, torres para a queima de gases, máquinas operatrizes para escavação de valas e movimentação de resíduos, mantas plásticas PEAD (polietileno de alta densidade) para a impermeabilização do solo, entre outras despesas. Também não podem ser desprezados os custos com seguros e a provisão de fundos para cobrir eventuais despesas com acidentes ambientais. Serão desembolsos contínuos por vários meses ou anos até que a unidade comece a faturar com os serviços de armazenamento de resíduos sólidos para prefeituras e empresas, quando será cobrado um valor bem salgado para cada tonelada de resíduo recebido.

Encerro este exercício com um alerta – todo este trabalho e investimento terá uma vida útil operacional de aproximadamente 20 anos, quando este aterro terá de ser desativado por saturação: por isto a preocupação central da Política Nacional de Resíduos Sólidos em reduzir ao máximo o volume dos despejos de resíduos nos aterros. Em resumo – o despejo controlado de resíduos sólidos é trabalhoso e custa muito caro para a sociedade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s