UM RESUMO DE COMO CONSTRUIR E OPERAR UM ATERRO SANITÁRIO

Aterro Sanitário - Construção

Aterros sanitários são obras de engenharia que exigem um projeto minucioso, um planejamento eficiente e uma operação que siga à risca as especificações técnicas. A área escolhida deve possuir alguma declividade e, se possível, deve possuir um solo rico em argila, material que devidamente compactado dificulta a infiltração de líquidos poluentes no subsolo. Antes do início dos trabalhos de implantação, o projeto e a área devem passar por um rigoroso processo de licenciamento ambiental junto aos órgãos responsáveis – se aprovado, o projeto receberá as licenças: prévia, de instalação e, finalmente, a licença de operação que deverá ser renovada periodicamente. Em resumo – aterros sanitários são obras complexas e caras, que devem ser “usadas com moderação”.

Vamos começar a entender a questão.

Os resíduos sólidos urbanos (é importante fazer esta distinção porque existem, por exemplo, aterros específicos para resíduos industriais que têm suas particularidades) são, de uma forma geral, um ajuntamento de coisas inservíveis, cascas e restos de alimentos, embalagens, papel higiênico, plásticos, latas, garrafas e outros resíduos que todos nós queremos ver longe de nossas casas. Os aterros sanitários são os locais próprios para o descarte de parte destes resíduos, especialmente os resíduos orgânicos que representam 50% do lixo descartado pelos brasileiros. Materiais que podem ser reciclados e reutilizados não devem ser encaminhados para os aterros.

As valas ou células do aterro devem receber um tratamento todo especial:

– São escavações lineares, com laterais inclinadas, abertas por etapas, que permitem o depósito de grandes volumes de resíduos. As valas são projetadas de acordo com as características topográficas do terreno e planejadas para serem construídas numa sequência específica, que permita a descarga e movimentação eficiente dos caminhões, a drenagem do chorume, a captação dos gases gerados pela decomposição dos resíduos e o uso mais racional possível do terreno. A área deve ser isolada com um muro ou cerca para evitar a entrada de pessoas não autorizadas, dotada de uma portaria que controle a entrada e saída de veículos e pessoas, sistemas para a drenagem das águas pluviais (o que evita a entrada de água nas valas), além de instalações para as áreas administrativa e técnica;

– A vala deve possuir uma declividade que permita o escoamento de líquidos por força da gravidade. A parte mais baixa da vala deve possuir um sistema de drenagem que possibilite o escoamento dos líquidos percolados na direção de um tanque que será utilizado para o armazenamento do chorume;

– Quando o solo da área não é argiloso, é recomendável se depositar uma camada de argila no fundo e nas laterais das valas. Essa camada de argila passa por um processo de compactação feito por rolo compressor – quanto maior a compactação, menor a possibilidade de infiltração de água no subsolo;

– O fundo da vala e as laterais recebem a seguir a cobertura de uma manta plástica impermeável de polietileno de alta densidade (PEAD), que aumentará ainda mais a impermeabilização do solo (vide foto). Para evitar que o trânsito de caminhões e maquinas provoque danos na manta plástica, o fundo deve receber uma camada de argila compactada;

– A vala será preenchida sistematicamente por camadas de resíduos sólidos. Esse trabalho de preenchimento será acompanhado pela instalação de tubulações destinadas à captação dos gases gerados pela decomposição dos esgotos como o metano, o dióxido de carbono e o sulfeto de hidrogênio, que são prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Esses gases serão encaminhados para queima em torres ou poderão alimentar turbinas a gás que geram eletricidade;

– Quando essa vala se aproxima do ponto de saturação, é aberta uma nova vala, que recebe todos os cuidados de impermeabilização, declividade, drenagem e captação de gases já descritos;

– Ao se atingir o ponto de saturação da vala, o despejo de resíduos é interrompido. Há um processo de compactação dos resíduos para garantir a máxima utilização do espaço e a seguir é feita a cobertura com uma manta plástica ou com uma camada de argila compactada para minimizar a entrada de água das chuvas. A vala é coberta com uma camada de terra, que receberá grama ou o plantio de vegetação de pequeno porte;

– Conforme a sofisticação técnica do aterro sanitário, as valas ou células serão dotadas de poços de inspeção onde serão instalados sensores automáticos que enviarão informações para um central de operação, informando a umidade, a temperatura, o volume de líquidos percolados, a movimentação do solo, o volume de gases gerados entre outros dados.

Em aterros sanitários de menor porte, o chorume produzido é recolhido por caminhões tanque e transportado para tratamento em uma ETE – Estação de Tratamento de Esgotos. Em aterros de grande porte ou aqueles localizados em regiões muito distantes de centros urbanos poderá ser necessária a construção de uma ETE própria para o tratamento do chorume.

Continuamos no próximo post.

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